Jovens autoras portuguesas

Elas são jovens, portuguesas e estão a conquistar leitores à velocidade da luz. Escrevem histórias para todos os gostos (do mistério à fantasia, passando pelas tensões típicas das relações familiares) e têm uma presença forte nas redes sociais, onde arrastam legiões de seguidores fervorosos. Representam uma lufada de ar fresco no establishment literário português e escrevem os livros que elas próprias gostariam de ler. Haverá melhor recomendação do que esta?

O QUE DIZER DAS FLORES
Este é o segundo livro de Maria Isaac, pseudónimo de uma autora já com outras obras publicadas, que prefere manter o anonimato. E o mistério não fica por aqui: em O Que Dizer das Flores somos transportados para Mont-o-Ver, um vilarejo perdido e parado, mas “cheio de gente atrapalhada com muita vida para esconder”. Do padre ao vilão, todos têm segredos.
Entre mexericos e mal-entendidos, a aldeia e as suas personagens, tão pitorescas quanto cativantes, lembram-nos o Portugal profundo que todos conhecemos: há um Café Central onde se joga bilhar e bebe cerveja ao balcão até ao entardecer, ódios de estimação entre famílias, e é no átrio da igreja, depois da missa, que se discute em sussurros a vida dos outros.
No centro da narrativa está um incêndio ocorrido anos antes, que ainda guarda muitos mistérios e surpresas…
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O LUGAR DAS ÁRVORES TRISTES
Romance de estreia da autora, O Lugar das Árvores Tristes chega-nos com o selo de aprovação do escritor João Tordo, que considera este “um belo livro sobre o passado, a memória e os segredos que brotam do fundo das páginas.”
Ambientado numa aldeia do Alentejo, onde tudo se sabe e todos se conhecem, entre os anos 60 e 90, explora a relação entre mãe e filha e a forma como era (é?) fácil para homens mal-intencionados destruírem a juventude (e a vida) de jovens raparigas, com a conivência das instituições e da tradição.
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AQUOREA
E se existisse um mundo alternativo, debaixo de água, exótico e milenar, com tradições e uma organização social diferente de tudo o que conhecemos? No dia do funeral do avô, a quem era muito ligada, Ara afoga-se, mas ao acordar reencontra-o e descobre estar em Aquorea, uma comunidade que prosperou milhares de anos abaixo do nível do mar. Entre o entusiamo da descoberta deste novo mundo de fantasia e as saudades da família que a julga morta, Ara envolve-se cada vez na vida agitada desta excêntrica comunidade, onde não falta um jovem de inescrutáveis olhos azuis, Kai, com um comportamento enlouquecedor, que a deixa louca de raiva... e de desejo. Mas, subitamente, alguns habitantes de Aquorea começam a morrer e Ara percebe que, afinal, o seu mergulho não foi coincidência...
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DEMÊNCIA
Numa aldeia beirã, Olímpia começa a sofrer os primeiros sintomas de uma demência que irá fazê-la esquecer a vida que teve e aqueles que amou. A única pessoa a quem lhe ocorre pedir ajuda é à nora viúva, Letícia, que carrega consigo os traumas provocados por um marido violento e manipulador – de quem Olímpia era a extremosa mãe.
Ainda que ostracizada pelos aldeões, em tempos seus vizinhos e amigos, Letícia tenta refazer-se de tudo o que perdeu e dos erros que foi obrigada a cometer para sobreviver e por amor às filhas.
Através das histórias e conflitos destas duas mulheres, Demência faz-nos repensar o significado da família e da culpa.
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