Gladiador II – Com todos os olhos postos na arena, é hora de saber como realmente lutavam os romanos

Por Vera Dantas
19 de novembro de 2024
A estreia de Gladiador II, de Ridley Scott, 24 anos após o fenómeno de Gladiador, cuja força da história e a banda sonora de Hans Zimmer continuam a ecoar nos corações dos cinéfilos, promete trazer de volta ao grande ecrã a intensidade e o drama do mundo dos gladiadores da Roma Antiga – se o consegue, cada um julgará por si. Mas é inegável que estes filmes despertam muito interesse pelas lutas, glórias e derrotas do Império Romano. Ficções à parte, como seria, na realidade, a vida dos soldados e gladiadores romanos? As respostas estão num livro que tem mesmo de ler: Gladius: Viver, Lutar e Morrer no Exército Romano, de Guy de la Bédoyère, um complemento fascinante para quem deseja explorar este universo.
O autor, historiador especializado na Roma Antiga, escreveu Gladius para desvendar os bastidores do quotidiano dos soldados romanos, da violência aos desafios psicológicos e aos laços formados no exército. É um retrato realista da vida militar e das arenas, revelando como os combates nos coliseus eram tanto um entretenimento quanto uma forma de reforçar o poder político e a disciplina imperial – que pode conhecer melhor neste nosso artigo sobre o livro Imperador de Roma. Entendemos assim o que significava lutar – seja pela sobrevivência, pela honra ou pelo amor a Roma. Os símbolos, os rituais e a cultura que sustentavam esse sistema de brutalidade organizada são também explicados. Sabia que gladius é a palavra latina para designar espada?
Guy de la Bédoyère vai além da descrição dos feitos militares e humaniza o exército romano, mostrando os soldados como as figuras multifacetadas que eram. Ficamos a saber que o Império Romano dependia dos seus soldados não só para ganhar guerras, defender as fronteiras e controlar os mares, mas também para atuar como motor do Estado. Vindos de todas as partes e estratos sociais, estes soldados recolhiam impostos, eram polícias, engenheiros civis, e na reforma, caso sobrevivessem, eram artesãos, políticos e dignatários cívicos – e estiveram presentes em todas as comunidades do mundo romano. Alguns até chegaram a ser imperadores!
A abordagem do autor, além de aprazível, consegue ser envolvente, combinando análises históricas com relatos pessoais retirados de inscrições, cartas e grafítis escritos pelos próprios soldados. Ao trazer para os nossos olhos as mensagens deixadas em lápides e até dedicatórias religiosas, o livro tem uma autenticidade que nos toca, capaz de nos transportar para o coração da vida na Antiga Roma através dos soldados e das suas famílias. Quer estivessem estacionados numa guarnição de fronteira isolada, encarregados de guardar o imperador em Roma, a lutar em campos de batalha estrangeiros, a amotinarem-se por questões de salário, marchando em triunfo, a exercer a sua autoridade nas ruas da cidade ou a gozar de estima na sua honrosa reforma, os soldados romanos não seriam, afinal, muito diferentes dos soldados de hoje.
Através da verdadeira História por detrás do mito, Gladius é uma obra que explora o fascínio eterno pela glória – e pela tragédia – do mundo romano.
 
Espreite também o trailer de Gladiador II
 
 
…e da série Those About to Die
 

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