A Ditadura Adaptada ao Século XXI: como a tirania mudou a sua face
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1 de fevereiro de 2024
A Ditadura Adaptada ao Século XXI, de Sergei Guriev e Daniel Treisman lança um revelador olhar sobre o autoritarismo contemporâneo, mais sofisticado e menos violento, que opta pela manipulação e pela reviravolta em vez do terror e do medo. De forma abrangente e oportuna, e de fácil leitura, demonstra a forma como os novos homens fortes do mundo acumulam poder, aparentando uma fachada de democracia, liberdade e modernidade. E explicam por que assistimos a essa mudança.
A principal diferença entre governantes autoritários da atualidade e os do século XX parece ser que, enquanto a maioria dos ditadores do século passado – como Estaline, Hitler e Mao –, governavam pela intimidação, os homens fortes de hoje – como Victor Orbán na Hungria, Lee Hsien Loong em Singapura e Erdogan na Turquia –, governam pela popularidade, fingindo ser democratas e evitando a repressão violenta e direta, não fechando os seus países ao mundo exterior. A abordagem dos ditadores contemporâneos, mais concentrados em moldar a opinião pública do que em reprimir diretamente as pessoas, parece ser uma alternativa mais eficiente e menos dispendiosa.
Naturalmente, os ditadores podem mudar de tática. Veja-se o exemplo de Vladimir Putin. Quando assumiu a liderança da Rússia em 2000, afirmou aceitar os princípios da democracia. Durante algum tempo, manteve a aparência da democracia, ao mesmo tempo que minava lentamente o equilíbrio e poder, concentrando-o nas suas mãos, aproveitando a conjuntura de uma economia em expansão.
Naturalmente, os ditadores podem mudar de tática. Veja-se o exemplo de Vladimir Putin. Quando assumiu a liderança da Rússia em 2000, afirmou aceitar os princípios da democracia. Durante algum tempo, manteve a aparência da democracia, ao mesmo tempo que minava lentamente o equilíbrio e poder, concentrando-o nas suas mãos, aproveitando a conjuntura de uma economia em expansão.
Quando regressou à presidência russa, em 2012, assumiu uma conduta mais próxima da dos ditadores do medo, possivelmente por recear perder o poder, na sequência das manifestações em massa de 2011 contra alegadas fraudes nas eleições parlamentares que lhe devolveram o poder.
Porque este não é um tema fácil, os autores abordam-no de forma muito clara. O livro está dividido em duas partes. Na primeira, intitulada «Como se faz», são elencadas as novas estratégias e tácticas autoritárias para controlar a sociedade e manter o poder político, em capítulos como «Disciplina, ma não castigues» ou «pilhagem global». Na segunda, explicam «Por que acontece e o que fazer acerca disso», com os capítulos «Cocktail de modernização» e dão-nos uma antevisão do «futuro da manipulação». Os autores defendem que, com a globalização das economias e da informação, as pessoas não só começam a exigir estilos de vida mais individualistas e liberdade, como também têm melhores competências para se conseguirem organizar e resistir, o que se repercute na pressão sobre os regimes autoritários para que respeitem os direitos humanos e a liberdade. A nota final é de esperança:
«Que os ditadores da manipulação finjam ser democratas prova que não têm qualquer visão para oferecer. Podem apenas atrasar-nos e desencorajar-nos durante algum tempo – se os deixarmos».
Mas, e se os deixarmos?...
Porque este não é um tema fácil, os autores abordam-no de forma muito clara. O livro está dividido em duas partes. Na primeira, intitulada «Como se faz», são elencadas as novas estratégias e tácticas autoritárias para controlar a sociedade e manter o poder político, em capítulos como «Disciplina, ma não castigues» ou «pilhagem global». Na segunda, explicam «Por que acontece e o que fazer acerca disso», com os capítulos «Cocktail de modernização» e dão-nos uma antevisão do «futuro da manipulação». Os autores defendem que, com a globalização das economias e da informação, as pessoas não só começam a exigir estilos de vida mais individualistas e liberdade, como também têm melhores competências para se conseguirem organizar e resistir, o que se repercute na pressão sobre os regimes autoritários para que respeitem os direitos humanos e a liberdade. A nota final é de esperança:
«Que os ditadores da manipulação finjam ser democratas prova que não têm qualquer visão para oferecer. Podem apenas atrasar-nos e desencorajar-nos durante algum tempo – se os deixarmos».
Mas, e se os deixarmos?...
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