«Gatos para uso diário e intenso», por Eugénio Lisboa
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13 de novembro de 2024
Manual Prático de Gatos para Uso Diário e Intenso é o útimo livro de Eugénio Lisboa, ensaísta, crítico literário português, especialista em José Régio, e ainda poeta, que morreu em abril deste ano. O autor, que adorava os seus gatos, faz em 31 poemas um louvor e mostra a sua veneração à sabedoria e personalidade destes felinos.
Parece que há uma comunidade secreta que tem no altar um deus gato, com o lema: «Começar a gostar de gatos é como entrar para a máfia: uma vez dentro, não há como sair.» Essa comunidade, e as suas práticas, tão felinas como poéticas, fica aqui retratada, tanto em palavras como em fotografias.
Estes são alguns dos poemas que encontra neste livro, que, segundo a Guerra & Paz,editora que o publica, é «um pequenino museu doméstico, que todos os amantes de gatos vão querer guardar como um tesouro.»
Ísis torce o nariz e volta-me as costas, com incontida indignação.
soneto ou nada, eis a questão! Faço-lhe, pois,
a vontade e espero, com isto, amaciar-lhe os caprichos.
O gato, como se sabe, tem sempre razão.
A MINHA COMPANHEIRA ÍSIS
Cabias na palma da minha mão,
quando chegaste, naquela manhã.
Ver-te, tão pequenina, que emoção:
tu, mínima e peluda castelã!
Ficaste, logo ali, de mim cativa
e eu, cativo de ti, sem remédio,
ao ver-te tão pequena e já tão viva,
e tão arisca ao mais pequeno assédio!
Mínima promessa de tanta graça,
eras meiguice e eras travessura,
vendedora de doçura e piçarra,
o negro e branco pelo à mistura!
És hoje um lindo tigre gracioso,
Que é, embora mínimo, fogoso!
13-07-2020
Parece que há uma comunidade secreta que tem no altar um deus gato, com o lema: «Começar a gostar de gatos é como entrar para a máfia: uma vez dentro, não há como sair.» Essa comunidade, e as suas práticas, tão felinas como poéticas, fica aqui retratada, tanto em palavras como em fotografias.
Estes são alguns dos poemas que encontra neste livro, que, segundo a Guerra & Paz,editora que o publica, é «um pequenino museu doméstico, que todos os amantes de gatos vão querer guardar como um tesouro.»
Ísis torce o nariz e volta-me as costas, com incontida indignação.
soneto ou nada, eis a questão! Faço-lhe, pois,
a vontade e espero, com isto, amaciar-lhe os caprichos.
O gato, como se sabe, tem sempre razão.
A MINHA COMPANHEIRA ÍSIS
Cabias na palma da minha mão,
quando chegaste, naquela manhã.
Ver-te, tão pequenina, que emoção:
tu, mínima e peluda castelã!
Ficaste, logo ali, de mim cativa
e eu, cativo de ti, sem remédio,
ao ver-te tão pequena e já tão viva,
e tão arisca ao mais pequeno assédio!
Mínima promessa de tanta graça,
eras meiguice e eras travessura,
vendedora de doçura e piçarra,
o negro e branco pelo à mistura!
És hoje um lindo tigre gracioso,
Que é, embora mínimo, fogoso!
13-07-2020