Entrevista a Ilan Brenman

Estivemos à conversa com Ilan Brenman, psicólogo de formação e um dos mais conhecidos e acarinhados escritores brasileiros de literatura infantojuvenil. Descubra tudo o que nos contou o autor de Até as Princesas dão Puns.
Como é que a publicação de Até as Princesas dão Puns mudou a sua vida?
Eu brinco que a minha vida é AP e DP, antes do Pum e depois do Pum. O livro transformou radicalmente a minha vida, no Brasil ele é conhecido por crianças e adultos em todo território nacional. E pelo mundo tem acontecido a mesma coisa, o livro é um sucesso na Espanha, Itália, França e agora em Portugal. E ainda é traduzido também na Alemanha, Dinamarca, Suécia, Polônia , China e Coreia.
Entrevista a Paula Pimenta
Ilan Brenman | Fotografia: Facebook do autor
Escrever: é um processo partilhado ou solitário?
Completamente solitário. Mas acredito que a solidão, como disse o Machado de Assis num dos meus contos preferidos, é a oficina de ideias.

Acredita que um bom livro infantil tem de cativar também os adultos?
Uma boa história não tem idade, é como ir para o museu e ver crianças de 3 anos vendo juntamente com adultos as pinturas do Van Gogh. Cada um aproveita o quadro do seu jeito, mas a pintura consegue pescar os olhares de ambos. Antigamente, crianças, jovens, adultos e velhos ouviam sempre histórias juntos. Quando um pai e uma mãe se encantam com um livro infantil, provavelmente eles têm em mãos uma ótima história também para o seu filho.

Qual é a sua rotina de escrita?
Escrevo diariamente, mesmo quando estou fora de casa, estou sempre com um caderninho para anotações. Aliás, faz poucos dias conheci a cidade onde Cervantes nasceu e viveu, meu caderninho ficou cheio de ideias.

O que é que os livros lhe dão para que não pare de escrever?
O privilégio de poder compartilhar minhas histórias com tantas crianças e famílias pelo mundo inteiro. É muito emocionante ouvir relatos de como histórias que escrevi com tanto afeto, seriedade e respeito à inteligência da criança tocam profundamente a vida dos leitores.

Há um provérbio que diz: “A criança que lê é o adulto que pensa”. Concorda?
Concordo. Inteligência significa em latim “ saber ler nas entrelinhas”, ou seja, a leitura tem uma relação grande com o pensar.

Houve algo que um leitor seu tenha dito ou feito que o tenha marcado para sempre?
Tenho tantos lindos relatos, difícil escolher um só. Vou contar algo que aconteceu faz pouco tempo na feira do livro de Madrid. Uma adolescente de 13 anos me parou no stand e disse que eu fiz parte da infância dela e isso a fez mais feliz. Eu fiquei muito emocionado com esse relato.

Qual é a sua obra subvalorizada preferida?
“O que a terra está falando?” editora Edelbra. É uma das histórias tradicionais mais linda que encontrei sobre conflitos, tolerância e amizade.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Michel Montaigne e Erasmo de Roterdã.

Que livros lhe colocam um brilhozinho nos olhos?
Todos do Roald Dahl. Além dos livros do Erasmo e do Montaigne (Os ensaios é livro de cabeceira).

Livro e escrita à parte, quais são as suas outras paixões?
Cinema, pintores (flamengos, espanhóis e holandeses), viagens familiares, comer em boa companhia e correr.

Projetos para o futuro?
Fazer cada vez mais livros instigantes, bonitos e que despertem nos leitores a vontade de ler, ler e ler mais ainda.

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