Entrevista a Filipa Fonseca Silva
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14 de agosto de 2017
Wook está na sua mesa de cabeceira?
Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe e Todos os contos, de Clarice Lispector.
No seu novo livro encontramos um homem que não sabe chorar, uma dançarina exótica, um sem-abrigo, duas crianças mal-educadas e muito humor. Wook mais vão encontrar os leitores no livro Amanhece na Cidade?
Vão encontrar várias personagens típicas portuguesas, com as suas vidas aparentemente banais, mas que nos fascinam porque as conhecemos tão bem, porque nos cruzamos com elas todos os dias. Mas essencialmente vão encontrar uma história de redenção.
Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe e Todos os contos, de Clarice Lispector.
No seu novo livro encontramos um homem que não sabe chorar, uma dançarina exótica, um sem-abrigo, duas crianças mal-educadas e muito humor. Wook mais vão encontrar os leitores no livro Amanhece na Cidade?
Vão encontrar várias personagens típicas portuguesas, com as suas vidas aparentemente banais, mas que nos fascinam porque as conhecemos tão bem, porque nos cruzamos com elas todos os dias. Mas essencialmente vão encontrar uma história de redenção.
Filipa Fonseca Silva
Um dos seus personagens diz: “Gosto de pessoas. São o meu passatempo preferido. Aliás, gosto tanto de pessoas que chego a afeiçoar-me até às que não merecem que se goste delas. E fico especialmente fascinado com esta coisa de encararem a vida como algo que corre independentemente delas próprias, como se não fosse preciso fazer nada senão deixá-la avançar ao seu ritmo imperturbável, como se fossem viver para sempre.” Sentimos que é muito fácil criar empatia com as personagens dos seus livros. Elas baseiam-se em pessoas reais?
Confesso que sim. Não que cada personagem corresponda precisamente a uma pessoa, mas a verdade é que acaba por ser um retalho de várias pessoas que já conheci, mesmo que superficialmente, ou então de quem já me falaram. Por exemplo, o Manel, o taxista deste livro, baseia-se num taxista que me levou um dia a casa e que foi o caminho todo a chorar e a contar-me que a mulher o tinha deixado. Mas também tem traços de outras dezenas de taxistas com quem já viajei, bem como outros que são puro fruto da minha imaginação.
Amanhece na Cidade é também uma homenagem a Lisboa e às suas gentes, não é? Wook a inspirou a escrever este livro?
É sem dúvida uma homenagem. Nos livros anteriores, propositadamente, não situei a acção numa cidade em concreto, mas neste quis falar de Lisboa, que, embora não seja a minha cidade natal, sinto como minha. Sou do Barreiro e cresci a olhar para ela a partir das muralhas da Avenida da Praia e das salas de aula da Escola Secundária Alfredo da Silva. Vivo cá há onze anos e, por muito que viaje, não encontro lugar melhor para viver. Quis falar das suas gentes, antes que elas sejam irremediavelmente expulsas pela especulação imobiliária e só restem estrangeiros às janelas. Como o típico taxista lisboeta, que qualquer dia também é substituído por condutores de ubers e tuktuks. Por isso, sim, podemos dizer que Lisboa foi uma grande fonte de inspiração.
Quando não está embrenhada nas personagens do próximo romance, está no seu trabalho a tempo inteiro numa agência de publicidade, ou a tomar conta de um dos seus filhos (ou ainda a escrever no blog Crónicas de uma Fashion Victim)... Como arranja tempo para isto tudo?
Não sei! Acho que é aquela máxima do “quem corre por gosto não cansa”. Quando é para escrever, encontro sempre mais um bocadinho. Também ajuda eu ser muito disciplinada e conseguir arrumar tudo em gavetinhas na minha cabeça.
Qual é a sua rotina de escrita?
Bom, não tenho bem uma rotina, uma vez que, tal como referi antes, não escrevo quando quero, mas sim quando posso. No entanto, tenho um método que é começar por fazer um género de organigrama com todas as personagens, como é que elas se conhecem, quando se cruzaram, o que fazem, que idade têm. Esse esquema acaba por ser um guia, mas também uma cábula para não me perder, sobretudo quando sou forçada a interromper a escrita e só posso retomar vários dias depois. Um dia, se conseguir ser “escritora a tempo inteiro”, imagino-me a acordar, levar os miúdos à escola, ligar o computador, responder a emails e tirar da frente assuntos mundanos, e atirar-me então à escrita o resto do dia. Com o telefone desligado, para não haver distrações.
Sabemos que é a única portuguesa a ter chegado ao Top 100 da Amazon em todo o mundo. Que conselhos daria a escritores portugueses que continuam a lutar para ver os seus trabalhos publicados?
O conselho que costumo dar é que não parem de escrever nem desistam aos primeiros nãos, mas sejam humildes. Dêem o primeiro rascunho a ler a alguém e ouçam realmente as suas críticas. Vejam onde podem melhorar (e há sempre espaço para melhorar), ondem devem parar ou cortar. Quem recebe o manuscrito numa editora vai valorizar um trabalho cuidado e revisto.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Ai, que maldade só escolher um! Nesse caso, escolho Fernando Pessoa, na esperança de que ele trouxesse alguns dos heterónimos com ele.
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Nova Iorque. É uma cidade onde já fui várias vezes, mas onde não me canso de voltar. Há tanta diversidade de pessoas, de culturas, de paisagens que tenho a certeza que vinha de lá com um livro de quinhentas páginas.
Consegue nomear três autores que lhe colocam um brilhozinho nos olhos?
José Saramago, Eça de Queirós, Isabel Allende.
Livro subvalorizado preferido.
Nome de Guerra, de Almada Negreiros.
Afinal, o que é que os livros lhe dão para que não pare de escrever?
Dão-me a oportunidade de, através de histórias que têm sempre um lado humorístico e descontraído, passar algumas mensagens que considero importantes, bem como apontar para alguns problemas e preconceitos da nossa sociedade.
Livros e escrita à parte, quais são as suas outras paixões?
Adoro pintar (pinto a óleo, embora nos últimos anos tenha tido de abdicar do meu espaço para fazer um quarto para duas crianças), adoro estar perto do mar e adoro sapatos! Eu sei que é fútil e desnecessário, mas é mais forte do que eu.
Planos para o futuro?
Vender muitos livros para um dia poder largar todas as outras actividades e só escrever.
Confesso que sim. Não que cada personagem corresponda precisamente a uma pessoa, mas a verdade é que acaba por ser um retalho de várias pessoas que já conheci, mesmo que superficialmente, ou então de quem já me falaram. Por exemplo, o Manel, o taxista deste livro, baseia-se num taxista que me levou um dia a casa e que foi o caminho todo a chorar e a contar-me que a mulher o tinha deixado. Mas também tem traços de outras dezenas de taxistas com quem já viajei, bem como outros que são puro fruto da minha imaginação.
Amanhece na Cidade é também uma homenagem a Lisboa e às suas gentes, não é? Wook a inspirou a escrever este livro?
É sem dúvida uma homenagem. Nos livros anteriores, propositadamente, não situei a acção numa cidade em concreto, mas neste quis falar de Lisboa, que, embora não seja a minha cidade natal, sinto como minha. Sou do Barreiro e cresci a olhar para ela a partir das muralhas da Avenida da Praia e das salas de aula da Escola Secundária Alfredo da Silva. Vivo cá há onze anos e, por muito que viaje, não encontro lugar melhor para viver. Quis falar das suas gentes, antes que elas sejam irremediavelmente expulsas pela especulação imobiliária e só restem estrangeiros às janelas. Como o típico taxista lisboeta, que qualquer dia também é substituído por condutores de ubers e tuktuks. Por isso, sim, podemos dizer que Lisboa foi uma grande fonte de inspiração.
Quando não está embrenhada nas personagens do próximo romance, está no seu trabalho a tempo inteiro numa agência de publicidade, ou a tomar conta de um dos seus filhos (ou ainda a escrever no blog Crónicas de uma Fashion Victim)... Como arranja tempo para isto tudo?
Não sei! Acho que é aquela máxima do “quem corre por gosto não cansa”. Quando é para escrever, encontro sempre mais um bocadinho. Também ajuda eu ser muito disciplinada e conseguir arrumar tudo em gavetinhas na minha cabeça.
Qual é a sua rotina de escrita?
Bom, não tenho bem uma rotina, uma vez que, tal como referi antes, não escrevo quando quero, mas sim quando posso. No entanto, tenho um método que é começar por fazer um género de organigrama com todas as personagens, como é que elas se conhecem, quando se cruzaram, o que fazem, que idade têm. Esse esquema acaba por ser um guia, mas também uma cábula para não me perder, sobretudo quando sou forçada a interromper a escrita e só posso retomar vários dias depois. Um dia, se conseguir ser “escritora a tempo inteiro”, imagino-me a acordar, levar os miúdos à escola, ligar o computador, responder a emails e tirar da frente assuntos mundanos, e atirar-me então à escrita o resto do dia. Com o telefone desligado, para não haver distrações.
Sabemos que é a única portuguesa a ter chegado ao Top 100 da Amazon em todo o mundo. Que conselhos daria a escritores portugueses que continuam a lutar para ver os seus trabalhos publicados?
O conselho que costumo dar é que não parem de escrever nem desistam aos primeiros nãos, mas sejam humildes. Dêem o primeiro rascunho a ler a alguém e ouçam realmente as suas críticas. Vejam onde podem melhorar (e há sempre espaço para melhorar), ondem devem parar ou cortar. Quem recebe o manuscrito numa editora vai valorizar um trabalho cuidado e revisto.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Ai, que maldade só escolher um! Nesse caso, escolho Fernando Pessoa, na esperança de que ele trouxesse alguns dos heterónimos com ele.
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Nova Iorque. É uma cidade onde já fui várias vezes, mas onde não me canso de voltar. Há tanta diversidade de pessoas, de culturas, de paisagens que tenho a certeza que vinha de lá com um livro de quinhentas páginas.
Consegue nomear três autores que lhe colocam um brilhozinho nos olhos?
José Saramago, Eça de Queirós, Isabel Allende.
Livro subvalorizado preferido.
Nome de Guerra, de Almada Negreiros.
Afinal, o que é que os livros lhe dão para que não pare de escrever?
Dão-me a oportunidade de, através de histórias que têm sempre um lado humorístico e descontraído, passar algumas mensagens que considero importantes, bem como apontar para alguns problemas e preconceitos da nossa sociedade.
Livros e escrita à parte, quais são as suas outras paixões?
Adoro pintar (pinto a óleo, embora nos últimos anos tenha tido de abdicar do meu espaço para fazer um quarto para duas crianças), adoro estar perto do mar e adoro sapatos! Eu sei que é fútil e desnecessário, mas é mais forte do que eu.
Planos para o futuro?
Vender muitos livros para um dia poder largar todas as outras actividades e só escrever.
Por opção da autora, este texto não foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico.