Entrevista a Bruno Vieira Amaral
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23 de março de 2017
Wook está na sua mesa de cabeceira?
Um candeeiro, um relógio sem pilha em cima de uma pilha de livros.
Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro, Hoje estarás comigo no paraíso?
“O que escreveste não aconteceu, mas é verdade.”
Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Sim.
Um candeeiro, um relógio sem pilha em cima de uma pilha de livros.
Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro, Hoje estarás comigo no paraíso?
“O que escreveste não aconteceu, mas é verdade.”
Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Sim.
O autor, Bruno Vieira Amaral
Em que género literário se sente mais em casa?
No romance, essa grande casa caótica, desarrumada, selvagem e onde tudo, no fim, acaba por fazer sentido.
Ao abrir o seu livro As Primeiras Coisas, deparámo-nos com uma frase de Juan Marsé: «A mim, a única coisa que me preocupa agora é recordar com todo o pormenor o que fiz amanhã e esquecer para sempre o que farei ontem.» E a si, o que o preocupa?
Ser melhor.
Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
Vou atrás das minhas obsessões. E quando me interesso por um tema, concentro-me nele até se tornar uma obsessão.
Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
À partida, vários, mas é para isso que servem os bons escritores, para nos levarem a ler sobre temas que achamos desinteressantes. Quando um tema não me interessa muito, penso sempre que o problema está em mim.
Primeiro pensamento perante uma página em branco.
Tantas possibilidades.
Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?
Sim.
Porquê?
O escritor que sente que tem de explicar tudo ainda não domina o seu ofício. O escritor maduro é o que joga com a parte em branco da página – as entrelinhas – a seu favor.
Já alguma vez sentiu que não vai conseguir acabar de escrever um livro?
Sinto sempre, mas depois lembro-me de que não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.
Qual é o seu poema favorito?
“Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para poesia (...)”
de Manoel de Barros.
Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
"Também escreves?"
Qual é a pior parte de ser escritor?
A ideia generalizada de que o escritor é um nefelibata.
Qual é a melhor parte de ser escritor?
Ser um nefelibata.
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
No final do século XIX.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Nelson Rodrigues.
Se tivesse um superpoder, qual seria?
Ser invisível.
Wook gostaria de ler sobre si?
Os agradecimentos daqueles que amo e os insultos daqueles que desprezo.
Consegue nomear 3 autores que o inspiram?
Nelson Rodrigues, Mario Vargas Llosa, W. G. Sebald.
Que livros lhe colocam um brilhozinho nos olhos?
Asfalto Selvagem, Dom Quixote, Crónica de uma Morte Anunciada, Os Maias.
Wook tem vergonha de nunca ter lido?
Vergonha é dizer que se leu sem se ter lido.
Projetos para o futuro?
Um livro sobre tudo.