Dois poemas de Giacomo Leopardi
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26 de maio de 2026
O italiano Giacomo Leopardi (1798-1837) é considerado um dos mestres literários do seu país.
Acabada de publicar pela Assírio & Alvim, a obra Cantos reúne todas as suas poesias líricas, escritas em diferentes momentos da sua vida, com tradução de Jorge Vaz de Carvalho.
Conheça, com estes dois poemas, a voz de Giacomo Leopardi.
IMITAÇÃO
Longe do próprio ramo
Pobre folhinha frágil,
Onde vais tu? Da faia
Onde nasci me separou o vento.
Esse, girando, em voo
Do bosque à campanha,
Do vale me transporta à montanha.
Co’ ele perpetuamente
Vou peregrina, e tudo o mais ignoro.
Vou onde toda a cousa,
Onde naturalmente
Vai a folha da rosa,
E a folha do louro.
DO MESMO
Humana coisa pouco tempo dura,
E certíssimo dito
Disse o velho de Quios
Serem de igual natura
Folhas e humano germe.
Mas esta voz no peito.
A guardam poucos. À esperança inquieta.
Filha de jovem peito,
Todos damos abrigo.
Enquanto é rubra a flor
Da nossa idade acerba,
A alma vã e soberba
Cem doces pensamentos nutre em vão,
Nem morte espera nem velhice; e nunca
Pensa em morbos o homem forte e são.
Mas estulto é quem não vê
Que a juventude tem velozes asas,
E tal como do berço
Pouco a pira é distante.
Tu prestes a pôr pé
No limiar fatal
Da plutónica sede,
Aos presentes deleites
Confia a breve idade.
Acabada de publicar pela Assírio & Alvim, a obra Cantos reúne todas as suas poesias líricas, escritas em diferentes momentos da sua vida, com tradução de Jorge Vaz de Carvalho.
Conheça, com estes dois poemas, a voz de Giacomo Leopardi.
IMITAÇÃO
Longe do próprio ramo
Pobre folhinha frágil,
Onde vais tu? Da faia
Onde nasci me separou o vento.
Esse, girando, em voo
Do bosque à campanha,
Do vale me transporta à montanha.
Co’ ele perpetuamente
Vou peregrina, e tudo o mais ignoro.
Vou onde toda a cousa,
Onde naturalmente
Vai a folha da rosa,
E a folha do louro.
DO MESMO
Humana coisa pouco tempo dura,
E certíssimo dito
Disse o velho de Quios
Serem de igual natura
Folhas e humano germe.
Mas esta voz no peito.
A guardam poucos. À esperança inquieta.
Filha de jovem peito,
Todos damos abrigo.
Enquanto é rubra a flor
Da nossa idade acerba,
A alma vã e soberba
Cem doces pensamentos nutre em vão,
Nem morte espera nem velhice; e nunca
Pensa em morbos o homem forte e são.
Mas estulto é quem não vê
Que a juventude tem velozes asas,
E tal como do berço
Pouco a pira é distante.
Tu prestes a pôr pé
No limiar fatal
Da plutónica sede,
Aos presentes deleites
Confia a breve idade.