Das redes para a literatura
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@literacidades
13 de junho de 2024
Têm milhares de seguidores nas redes sociais e fazem um trabalho brilhante de partilha de conteúdos. Como se não bastasse, são escritores de renome, reconhecidos pelo seu trabalho com as belas letras, e que surpreendem a cada novo lançamento. Porque das redes sociais não saem apenas dancinhas.
Quando os rios se cruzam
Rita da Nova é um nome a reter no panorama atual da literatura portuguesa. É certo que, por cá, somos suspeitos. Gostamos muito da Rita e de como se dá a conhecer nas redes sociais, seja através do seu perfil no Instagram, do seu blogue ou dos podcasts Livra-te e Terapia de Casal. Aliando uma estética muito bonita à qualidade do conteúdo, tudo o que a Rita da Nova faz, faz bem. Os livros não são exceção. Quando os Rios se Cruzam é o seu mais recente romance, e nele encontramos Leonor, miúda que escapa ao jugo da família indo viver os seus dias loucos de Erasmus em Turim, cidade personagem. Leonor é uma anti-heroína, personagem de múltiplas camadas, incoerente como todos nós, humanos. Se o livro tem um tom regular no seu início e desenvolvimento, preparem-se para um final em que a toada sobe e temos aquela sensação de termos sido atirados contra uma parede sem contar. E quem é que não gosta disso?
QUERO COMEÇAR JÁ!
Curar através das palavras
Esta mulher é um caso sério de sucesso. Nasceu na Índia, mas logo aos quatro anos foi viver para Toronto com os pais. Talvez essa tenha sido a decisão fundamental que lhe permite, hoje, ser uma autora com mais de 10 milhões de livros vendidos, traduzidos em 40 línguas diferentes. Mas tudo começa nas redes sociais, tanto que lhe chamam Instapoet. A poetisa juntou imagem aos seus versos, sendo uma das pioneiras na chamada “poesia visual” da qual os seus livros são um belíssimo exemplo. O seu número de seguidores está ao nível dos jogadores de futebol internacionais: mais de 4,5 milhões, o que é caso quase único quando se fala de poesia. Em Curar Através das Palavras, Kapur entra na não ficção para nos mostrar, através do seu processo criativo, como podemos expressar através da arte processos muito íntimos como o trauma ou a separação.
QUERO COMEÇAR JÁ!
Jantar secreto
No caso do escritor brasileiro de thrillers, Raphael Montes, as redes sociais foram a sua primeira plataforma de divulgação. Antes de tudo, estava a sua vontade de escrever, inspirado em Agatha Christie, que o levou a partilhar os seus primeiros fanfics no velhinho Orkut, numa comunidade de fãs da escritora inglesa de policiais. E logo lhe disseram que o rapaz levava jeito para a coisa. Daí até à publicação do seu primeiro livro, foi um salto de cordeiro. Ou um voo de gaivota. Em Jantar Secreto, a trama desenrola-se em torno de um grupo de amigos que vão viver para o Rio de Janeiro e que, para subsistir na cidade grande, decidem recorrer a uma estratégia que reúne refeições misteriosas, milionários e algo parecido com a carne daquela ave costeira. Mais não dizemos, porque um thriller vive do mistério. O autor é hoje um caso de enorme sucesso mundial, com adaptações dos seus livros na Netflix e mais de meio milhão de livros vendidos.
QUERO COMEÇAR JÁ!