Chuva de Verão, um poema no Dia Mundial da Poesia

21 de março de 2025
Hoje celebramos do Dia Mundial da Poesia com um poema de um dos nossos mais notáveis poetas, Pedro Homem de Mello, autor, entre muitos outros do poema “Povo Que Lavas no Rio”, que dedicou a Amália e que esta imortalizou com a sua voz.
Acabado de chegar às livrarias, Poemas 1964-1979, de Pedro Homem de Mello, é o segundo volume de poemas do autor, completando a publicação da sua obra inédita.
“Chuva de verão” é o poema que escolhemos para relembrar a força e a vivacidade da poesia de Homem de Mello.

CHUVA DE VERÃO

A chuva, sensualíssima, procura
Embebedar as folhas e as raízes.

Verga meus ombros, prende-me a cintura.
Respira com as árvores felizes…

E feminina, feminina, actua
De modo a encher de gozo a hora em que vivo.

A minha carne entrego-lha… Está nua!
Porque sou másculo é que sou cativo.

Aceito a chuva… Sorvo-a! Não discuto
O som libidinoso do seu pranto.

E, como a interromper sinais de luto,
Sorrio. Fico remoçado. Canto!

E canto o amor, o amor das mães solteiras
— Amor sem medo, amor sem fingimento.

E canto, ainda, todas as bandeiras
Que pedem vida aos músculos do vento!


Poemas 1964-1979, de Pedro Homem de Mello, Assírio & Alvim, março de 2025, p. 657

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