Ana Cláudia Santos de A a W
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4 de abril de 2025
De A a W é uma rubrica do Wookacontece, na qual desafiamos um convidado a percorrer as letras do abecedário dizendo para cada uma delas o que bem entender. O resultado é sempre uma incógnita. Desta vez, a nossa convidada é Ana Cláudia Santos, nascida em Lisboa em 1984, e que viveu em Beja, Nápoles e Pisa. Doutorou-se em Teoria da Literatura e espcializou-se na obra do grande pensador Giambattista Vico. Ensinou português na Universidade de Pisa e é uma tradutora premiada que trouxe ao público nacional obras de autores como Carlo Levi ou Alba de Céspedes.
Depois de se destacar com contos publicados em revistas como a Granta em Língua Portuguesa, e da publicação de A Morsa — Contos de Inocência e de Violência (2022), a autora lança-se agora num romance que promete marcar a literatura contemporânea. Em Lavores de Ana, a autora desenha uma tapeçaria literária onde as palavras são linhas que bordam memórias e tensões, numa prosa que desafia, emociona e surpreende.
Entre Nápoles e Lisboa, Ana move-se com a leveza de quem reivindica o corpo e a inquietação de quem se alimenta do passado. Moderna nos gestos, anacrónica nos pensamentos, a liberdade parece-lhe ao mesmo tempo alcançável e fugidia. Paixões efervescentes, passeios de motoreta sob o sol mediterrânico e a presença nostálgica do Vesúvio marcam esta narrativa que celebra a viagem, a feminilidade e a ilusão de uma liberdade sem freios. Mas esta é uma liberdade frágil, em que o delírio amoroso esbarra na moral familiar e na falta de dinheiro. No fim, resta a pergunta: quem é, afinal, Ana?
Descubra-a nas palavras de Ana Cláudia Santos, que percorre habilmente o nosso abecedário:
Depois de se destacar com contos publicados em revistas como a Granta em Língua Portuguesa, e da publicação de A Morsa — Contos de Inocência e de Violência (2022), a autora lança-se agora num romance que promete marcar a literatura contemporânea. Em Lavores de Ana, a autora desenha uma tapeçaria literária onde as palavras são linhas que bordam memórias e tensões, numa prosa que desafia, emociona e surpreende.
Entre Nápoles e Lisboa, Ana move-se com a leveza de quem reivindica o corpo e a inquietação de quem se alimenta do passado. Moderna nos gestos, anacrónica nos pensamentos, a liberdade parece-lhe ao mesmo tempo alcançável e fugidia. Paixões efervescentes, passeios de motoreta sob o sol mediterrânico e a presença nostálgica do Vesúvio marcam esta narrativa que celebra a viagem, a feminilidade e a ilusão de uma liberdade sem freios. Mas esta é uma liberdade frágil, em que o delírio amoroso esbarra na moral familiar e na falta de dinheiro. No fim, resta a pergunta: quem é, afinal, Ana?
Descubra-a nas palavras de Ana Cláudia Santos, que percorre habilmente o nosso abecedário:
De A a W
Ana Cláudia Santos
A – Ana. Nome da protagonista de Lavores de Ana (e também o meu nome e o da minha mãe).
B – Bairro. Em Nápoles ou em Lisboa, as vidas nos bairros comunicam com a vida que se desenrola dentro de quatro paredes.
C – Casa. Um sítio de que nos queremos libertar ou aonde queremos chegar.
D – Divertimento. Uma composição musical para poucos instrumentos, de tom ligeiro. Um livro breve também pode ser um divertimento.
E – Educação. Mais precisamente, educação sentimental.
F – Femmina. Do latim femina, esta palavra italiana pode significar «mulher», «rapariga» ou «fêmea». Acrescentando-se-lhe o adjectivo mala, «má», temos malafemmina, que quer dizer «prostituta».
B – Bairro. Em Nápoles ou em Lisboa, as vidas nos bairros comunicam com a vida que se desenrola dentro de quatro paredes.
C – Casa. Um sítio de que nos queremos libertar ou aonde queremos chegar.
D – Divertimento. Uma composição musical para poucos instrumentos, de tom ligeiro. Um livro breve também pode ser um divertimento.
E – Educação. Mais precisamente, educação sentimental.
F – Femmina. Do latim femina, esta palavra italiana pode significar «mulher», «rapariga» ou «fêmea». Acrescentando-se-lhe o adjectivo mala, «má», temos malafemmina, que quer dizer «prostituta».
G – Gesto. O gesticular próprio da língua italiana e os gestos das mãos que se dedicam aos lavores.
H – Homem. Há três homens no livro, e aquele do qual menos se sabe não é o menos importante.
I – Italiano. A língua mais bela, a seguir ao português.
J – Juventude. Época de descoberta, de liberdade, de enamoramentos.
K – Kimbo. Conhecida marca napolitana de café delicioso.
L – Lavor. Actividade manual ou intelectual. No plural, trabalhos de agulha, muitas vezes associados às mulheres.
M – Mezzogiorno. O Sul de Itália.
N – Nápoles. «A cidade mais misteriosa da Europa», nas palavras de Curzio Malaparte.
O – Ouvido. Título de um dos capítulos do livro. Como soam certas palavras, portuguesas ou estrangeiras, aos nossos ouvidos?
P – Parténope. Antigo nome de Nápoles, cidade que nasceu mitologicamente com a morte de uma sereia alada.
Q – Quadro. «Um pequeno quadro bordado em fundo negro onde Ana apanha cerejas», é a descrição que serve de epígrafe ao livro.
R – Regresso. Voltar a lugares onde se foi feliz e, ao mesmo tempo, onde se sofreu.
H – Homem. Há três homens no livro, e aquele do qual menos se sabe não é o menos importante.
I – Italiano. A língua mais bela, a seguir ao português.
J – Juventude. Época de descoberta, de liberdade, de enamoramentos.
K – Kimbo. Conhecida marca napolitana de café delicioso.
L – Lavor. Actividade manual ou intelectual. No plural, trabalhos de agulha, muitas vezes associados às mulheres.
M – Mezzogiorno. O Sul de Itália.
N – Nápoles. «A cidade mais misteriosa da Europa», nas palavras de Curzio Malaparte.
O – Ouvido. Título de um dos capítulos do livro. Como soam certas palavras, portuguesas ou estrangeiras, aos nossos ouvidos?
P – Parténope. Antigo nome de Nápoles, cidade que nasceu mitologicamente com a morte de uma sereia alada.
Q – Quadro. «Um pequeno quadro bordado em fundo negro onde Ana apanha cerejas», é a descrição que serve de epígrafe ao livro.
R – Regresso. Voltar a lugares onde se foi feliz e, ao mesmo tempo, onde se sofreu.
S – Sensação. De euforia ou de violência, de alegria ou de reconhecimento, mas também de melancolia, proliferam neste livro as sensações.
T – Tradutora. Ofício ou profissão da protagonista (e da autora) do livro.
U – União. Palavra usada uma única vez no livro e que remete para o final.
V – Vesúvio. O «gigante da montanha», vulcão a sudeste de Nápoles.
W – Warhol. Nas paredes de vários cafés, restaurantes, lojas e hotéis de Nápoles, multiplicam-se reproduções da obra Vesuvius de Andy Warhol.
T – Tradutora. Ofício ou profissão da protagonista (e da autora) do livro.
U – União. Palavra usada uma única vez no livro e que remete para o final.
V – Vesúvio. O «gigante da montanha», vulcão a sudeste de Nápoles.
W – Warhol. Nas paredes de vários cafés, restaurantes, lojas e hotéis de Nápoles, multiplicam-se reproduções da obra Vesuvius de Andy Warhol.