3 Autores Açorianos Imperdíveis

Vera Dantas
19 de agosto de 2025
Da ousadia metaficcional de Diogo Ourique, que brinca com os limites da narrativa, passando pela escrita sensível e evocativa de Alexandre Borges, e evocando a força inabalável de Antero de Quental – que abriu caminho para a modernidade literária portuguesa –, explore connosco estes as letras açorianas.
Alexandre Borges
Natural de Angra do Heroísmo (1980), o escritor e argumentista Alexandre Borges vive em Lisboa desde os 18 anos. Licenciado em Filosofia, foi editor de cultura, crítico de cinema, e colaborou em programas televisivos como Prós & Contras e vários documentários. A par com o seu trabalho de diretor criativo de uma agência de comunicação e colaborador do Observador, dedica-se à escrita.
Com um grande interesse pela História do nosso país, publicou 10 Histórias de Amor em Portugal, Histórias Secretas de Reis Portugueses (2012) e As Vitórias Impossíveis na História de Portugal (2014). Mais recentemente, lançou, com Luís Filipe Borges, Nuno Costa Santos Mal-Amanhados – Os novos Corsários das Ilhas. O livro resulta da adaptação da série televisiva homónima da RTP Açores, reunindo testemunhos e relatos de açorianos que partilham as suas experiências de vida, oferecendo uma visão autêntica e contemporânea da região.
O seu livro mais recente, Às Peças, reúne três peças de teatro da sua autoria, incluindo “Tu de Quem És?”, levada à cena em 2018 em Ponta Delgada. Além desta, o livro inclui as comédias Instruções para uma Vida Normal e República Popular do Parque Mayer. Juntas, compõem três reflexões em tom satírico sobre a açorianidade, o Portugal contemporâneo e a intimidade, no tempo de todas as pandemias.
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Diogo Ourique
Diogo Ourique (1991) é natural da ilha Terceira, Açores, e mestre em Jornalismo e Comunicação. Trabalhou como jornalista, cronista, locutor de rádio, copywriter e assessor de comunicação na Representação da Comissão Europeia em Portugal. Coordena a revista literária Grotta e colabora em várias publicações.
A sua estreia na ficção deu-se com Tirem-me Deste Livro (2019), considerado um dos atos de ficção mais originais da literatura portuguesa. Num exercício metaficcional provocador, Tirem-me Deste Livro coloca a própria literatura no centro da narrativa — e Diogo Ourique assume o papel de criador e contestado. Acompanhamos Daniel João Vieira Rebelo, uma personagem de classe média que, subitamente consciente do seu estatuto ficcional, não se limita a existir: ele questiona o autor, confronta-o e tenta assumir o controle da própria história, numa trajetória que desafia os limites entre ficção e realidade.
Ao lermos este livro, também nos questionamos sobre a nossa própria realidade: terá alguém engendrado a nossa vida? E se não existíssemos, teríamos sido inventados? Com humor, suspense e leveza filosófica, a narrativa desdobra-se com ironia e uma criatividade sem restrições — há sequestro, vingança, orgias, mortos-vivos e até invasões alienígenas.
Mais recentemente, Diogo Ourique publicou Quem Tivesse a Tua Idade (2024), uma história que parte de uma imagem sensível: um neto confinado num quarto de hospital e um avô que duvida ter vivido algo digno de contar. A narrativa questiona até que ponto a imaginação — o poder de “invenção” — pode preencher o silêncio entre as gerações. É uma mensagem terna sobre ouvir, criar e ligar histórias, especialmente quando as palavras parecem faltar.
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Antero de Quental
Sabia que Antero de Quental era açoriano? Um dos mais emblemáticos pensadores do século XIX português, Antero nasceu numa família fidalga na ilha de S. Miguel. Formado em Direito em Coimbra, aí se tornou na destacada figura de uma geração de intelectuais, entre os quais se encontram Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Oliveira Martins. Antero deixou uma obra muito diversificada, constituiu-se marco incontornável na literatura portuguesa. Foi ele o protagonista da maior polémica literária nacional, a “Questão Coimbrã”. Em resposta a António Feliciano de Castilho – que, sentindo a velha ordem cultural em risco, lhe ridicularizou as Odes Modernas –, Antero de Quental publica o folheto Bom Senso e Bom Gosto, em que arrasa o ultra-romantismo piegas de Castilho e seus acólitos, a sua arrogância e vacuidade. A «Questão Coimbrã» tomou proporções gigantescas e, perante as acusações falsas e injustas que lhe eram dirigidas, Antero escreveu um segundo folheto: A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais.
Em Prosas I, o primeiro de três volumes da publicação da prosa completa de Antero de Quental, encontramos inéditos e textos esquecidos em antigas antologias que revelam a formação intelectual e literária do jovem Antero.
As primeiras edições da prosa do escritor, datadas dos anos 1920 e que se encontravam esgotadas, estão agora reunidas, pela primeira vez. O volume abre com o artigo A Educação das Mulheres (1859), escrito quando Antero tinha apenas 16 anos, seguido de Odes Modernas e, por fim, de Bom Senso e Bom Gosto.
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