Autores para amantes de Elena Ferrante
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17 de janeiro de 2020
Depois do fenómeno Elena Ferrante, que conquistou leitores e pôs o mundo de olhos em Nápoles, o público despertou para a produção literária coetânea em Itália. Finda a tetralogia, para onde nos podemos virar?
A FILHA DEVOLVIDA
Galardoado com o prémio Campiello, este romance vendeu mais de 150 mil exemplares só em Itália. A ação passa-se na zona de Abruzos em 1975: uma criança de 13 anos, criada numa família abastada, é atirada sem explicações para a sua família biológica. O regresso a casa é um golpe. Não só descobre que os seus pais são primos afastados dos seus pais biológicos como se vê numa realidade que, sendo sua, não lhe diz nada. A vida que passa a levar é a antítese da que tinha vivido: mesa cheia de gente, vazia de comida, pobreza extrema, violência. A mãe biológica nada lhe diz, não há qualquer ligação emocional, e a criança não compreende como se quebrou o laço com a família que a criou. No fim, virá a compreender, mas não há como aceitar.
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A MALEDICIÊNCIA
O universo ficcional de Ventrella tem sido comparado ao de Elena Ferrante, já que a autora também explora o sul de Itália e a dureza de quem vive com pouco e sobrevive à guerra.
Nos anos 40 e 50, Teresa reconstrói a história da sua família, partindo da morte da irmã, na Apúlia, sul de Itália. Na retrospetiva, vê a pobreza e a luta quotidiana contra as condições. Como em Ferrante, vê-se o abismo entre as classes, ao mesmo tempo que a vida corriqueira de um bairro onde se luta pela vida. No cerne da narrativa, estão as grandes questões sociais e o indivíduo como indissociável da sua condição.
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Nos anos 40 e 50, Teresa reconstrói a história da sua família, partindo da morte da irmã, na Apúlia, sul de Itália. Na retrospetiva, vê a pobreza e a luta quotidiana contra as condições. Como em Ferrante, vê-se o abismo entre as classes, ao mesmo tempo que a vida corriqueira de um bairro onde se luta pela vida. No cerne da narrativa, estão as grandes questões sociais e o indivíduo como indissociável da sua condição.
SEMPRE ESTRANGEIRA
A ação centra-se em Brooklyn, mas também na aldeia de Basilicata, em Itália, já que a protagonista vive uma infância quase errática entre os dois lugares e os dois pais. Em Durastanti, a literatura política não tem artifícios, já que a própria existência é política.
Ao fundo, há um quadro de violência que faz lembrar Pietrantonio, Ventrella e Ferrante. Como estas últimas, não parte daí para permitir a narrativa, antes a constitui por ser mais um aspeto da vida. A escrita é limpa e o movimento entre os dois países embala o leitor.
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Ao fundo, há um quadro de violência que faz lembrar Pietrantonio, Ventrella e Ferrante. Como estas últimas, não parte daí para permitir a narrativa, antes a constitui por ser mais um aspeto da vida. A escrita é limpa e o movimento entre os dois países embala o leitor.
LAÇOS
Starnone é do melhor que a literatura italiana tem, e este Laços é um exemplo cabal de um romance. O título quase soa a crítica literária: na ação, tudo se ata. A mão do autor tem perfeição cirúrgica e a ironia que sobrevive não é coisa de somenos. Por vezes, parece que a falta de honestidade é o que alicerça uma vida coesa.
Starnone esventra as relações familiares de um casal. Mais de cinquenta anos de relação fazem-se de banalidades, mas pelo meio há traições e tensões, raivas e sapos engolidos. Lemos versões diferentes e percebemos que a verdade não existe, o que faz com que a literatura seja honesta. Nos pequenos detalhes do quotidiano, parece que o acaso não existe e o cuidado com a escrita e com a arquitetura da obra não deixa pontas por atar.
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Starnone esventra as relações familiares de um casal. Mais de cinquenta anos de relação fazem-se de banalidades, mas pelo meio há traições e tensões, raivas e sapos engolidos. Lemos versões diferentes e percebemos que a verdade não existe, o que faz com que a literatura seja honesta. Nos pequenos detalhes do quotidiano, parece que o acaso não existe e o cuidado com a escrita e com a arquitetura da obra não deixa pontas por atar.