As memórias de Hans Rosling - e como ele aprendeu a ver o mundo

17 de janeiro de 2020
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Como Aprendi a Compreender o Mundo, de Hans Rosling e Fanny Härgestam
Como Aprendi a Compreender o Mundo é o testemunho de Hans Rosling (1948-2017), médico e génio sueco da estatística, sobre como se tornou um pensador revolucionário.

Em colaboração com a jornalista Fanny Härgestam, estas são as memórias postas em papel com a mesma alegria do comunicador que fazia o mundo inteiro parar para o ouvir.

O seu relato transporta-nos do calor sufocante das urgências de um hospital em Moçambique ao Fórum Económico Mundial em Davos, através de histórias de pessoas lhe permitiram «abrir os olhos» e o «fizeram recuar e pensar duas vezes.»
EXCERTO
[Nacala, Moçambique - década de 80, século XX]

«Na verdade, muitas pessoas gravemente doentes nunca viam o interior de qualquer unidade de cuidados de saúde, muito menos o hospital. É certo que era bastante pequeno, com as suas 50 camas, que estavam sempre ocupadas. Alguns internados até tinham de ficar no chão. Ainda assim, os cuidados que podíamos prestar não se limitavam ao número de camas. A verdadeira limitação éramos nós, o pessoal, em quantidade e em qualidade. Eu tinha pouco mais de dois anos de experiência profissional. Os enfermeiros moçambicanos tinham quatro anos de estudos e depois estagiavam durante um ano. Mais de metade do restante pessoal não sabia ler nem escrever. Se estivesse na Suécia seria um de uma centena de médicos responsáveis pelos cuidados da população. E a taxa de mortalidade infantil seria 100 vezes mais baixa.
(…)
Por repetidas vezes fui obrigado a reconhecer o quão irrealistas eram as minhas ambições. Todas as pessoas, doentes e pessoal do hospital, tentavam arduamente mostrar-me o que era possível e razoável. Estava muito abaixo do nível de expectativas que a minha formação médica na Suécia me incutira. Uma necessidade cem vezes maior do que na Suécia tinha de ser satisfeita usando 1% dos recursos. Isso significava 10 mil vezes menos recursos por doente. Dez mil!
Admito que tentar ajustar-me e lidar com estas diferenças pareceu-me ser igual a viver num estado pós-traumático. Chamei-lhe ‘o meu trauma cerebral de quatro zeros’.»
«PORQUE HAVERÁ DE SER TÃO DIFÍCIL ACEITAR QUE A MAIOR PARET DAS FAMÍLIAS, INDEPENDENTEMENTE DA PARTE DO MUNDO ONDE VIVE, QUER TER UMA VIDA BOA? QUER TER FÉRIAS EM LUGARES DISTANTES? PASSAR DIAS FELIZES E DESCONTRAÍDOS NA PRAIA?»

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