À procura de planos para um fim de semana diferente?

Portugal merece ser descoberto e Miguel Judas será o nosso anfitrião nessa empreitada. O jornalista, que encontrou nos trilhos de Portugal uma das suas grandes paixões, convida-nos a desbravar caminho - até porque, já se sabe, o caminho faz-se caminhando. Prepare-se, está na hora de calçar as botas!
Os 200 Melhores Percursos de Trekking de Portugal
Os 200 Melhores Percursos de Trekking de Portugal
Gosta de andar a pé?
"Com 561 km de comprimento, 218 km de largura e 2351 metros de altitude, Portugal é um mundo por descobrir, que compensa a (relativa) pequena dimensão do território com uma surpreendente variedade de paisagens. E que melhor modo haverá para o fazer senão a pé, com tempo para apreciar e usufruir do que não está à vista?", lê-se no novo livro de Miguel Judas, intitulado Os 200 Melhores Percursos de Trekking de Portugal.

Tivemos o prazer de folhear o livro ao vivo e a cores e resolvemos partilhar consigo alguns excertos da obra. Se está à procura de planos para um fim de semana diferente, este livro é ideal! Deixamos-lhe algumas propostas:
AROUCA | PASSADIÇOS DO PAIVA
Ponto de Partida e chegada: Espiunca
Distância: 17 km
Dificuldade: Baixa
N40 59 34 W8 12 43

Ao todo, são 17 quilómetros (ida e volta) de passadiços de madeira a serpentear por árvores e rochas, por vezes suspensos em falésias ou sobre pequenos desfiladeiros, sempre ao longo da margem esquerda do Paiva, considerado o rio mais selvagem de Portugal. Tem início na típica aldeia de Espiunca, junto à praia fluvial, e o troço inicial é em linha reta e quase plano, apenas com alguns pequenos lanços de escadas, o que permite apreciar a paisagem sem grande esforço. Mais ou menos a meio do percurso, fica a praia fluvial do Vau, muito concorrida durante o Verão e acessível desde os passadiços através de uma ponte suspensa. Prossegue-se então para o troço mais espetacular do percurso, que contorna a grande garganta do Paiva e após o qual é necessário vencer cerca de 500 degraus, até a um miradouro, a quase 300 metros de altitude, com vista panorâmica sobre toda a região. A partir daqui é sempre a descer, até à praia do Areinho, onde muitos voltam novamente para trás, até ao ponto de partida. Grande parte destes passadiços ficaram destruídos devido aos incêndios, mas entretanto já foram recuperados e estão de novo abertos ao público.
MANTEIGAS | ROTA DO POÇO DO INFERNO
Ponto de Partida e chegada: Parque de Estacionamento do Poço do Inferno
Distância: 2,5 km
Dificuldade: Média
N40 22 24 W07 31 03

Esta Pequena Rota percorre o território em volta de um dos mais emblemáticos locais do Parque Natural da Serra da Estrela, a cascata do Poço do Inferno, uma queda de água com cerca de 10 metros que nos invernos mais rigorosos se chega a transformar em gelo. Durante o percurso, o visitante pode ainda apreciar a vista panorâmica sobre o Vale do Rio Zêzere e o Vale da Ribeira de Leandres, numa paisagem onde os campos agrícolas em socalcos surgem entremeados das mais variadas espécies naturais de grande valor ecológico, bastante comuns desta região, como o narciso, o vidoeiro, a azinheira, a tramazeira ou o teixo, apenas existente em Portugal, no concelho de Manteigas e nalgumas áreas da Serra da Peneda-Gerês.
IDANHA-A-NOVA | ROTA DOS FÓSSEIS
Ponto de Partida e chegada: Largo da Igreja de Penha Garcia
Distância: 3 km
Dificuldade: Baixa
N40 02 35 W07 00 54

Ao olhar, desde a muralha do velho castelo de Penha Garcia, para as escarpadas arribas circundantes, dificilmente se imaginará que, em tempos, todo este território esteve submerso por um mar pouco profundo. A prova está lá em baixo, no vale, nos fósseis deixados na rocha pelos trilobites, uma espécie de artrópodes marinhos que viveu nos mares do Paleozóico há cerca de 500 milhões de anos. Movimentavam-se arrastando-se pelo fundo do mar e são essas marcas, denominadas de "cruzianas", que hoje fazem as delícias os visitantes. O percurso percorre todo o desfiladeiro escavado pelo rio Pônsul, que cai em pequenas cascatas até acalmar numa convidativa piscina fluvial com deck de madeira sobre o vale. Esta pequena rota assume-se assim como uma viagem no tempo, até aos primórdios da vida, ao longo de um dos principais tesouros do Geopark Naturtejo, que tem atraído até a esta pequena aldeia beirã, entre muitos outros visitantes, paleontólogos e cientistas de todo o mundo. O percurso continua depois ao longo das antigas casas dos moleiros e dos seus moinhos de rodízio - movimentados a água -, até regressar de novo a Penha Garcia.
SINTRA | MONGE
Ponto de Partida e chegada: Convento dos Capuchos
Distância: 4,5 km
Dificuldade: Média
N38 47 03 W09 26 17

Com partida do Convento de Santa Cruz dos Capuchos, fundado no século XVI por frades franciscanos, que aqui queriam viver em «estreita relação com a natureza», esta é uma rota marcada pela exuberância da vegetação, em especial nas exóticas matas de cedros do Buçaco, salpicados por carvalhos, medronheiros e urzes. Sempre a subir, chega-se ao marco geodésico, onde a deslumbrante vista impõe uma paragem mais demorada - nos dias limpos consegue-se avistar a linha da costa quase até ao Cabo Espichel. Um pouco mais à frente, num dos cumes mais altos da serra, chega-se ao lugar de Tholos do Monge, uma sepultura coletiva pré-histórica orientada a norte.
ODEMIRA | DUNAS DO ALMOGRAVE
Ponto de Partida e chegada: Almograve
Distância: 8 km
Dificuldade: Média
N37 39 10 W08 47 33

Um dos cinco percursos circulares complementares à grande Rota Vicentina, representa uma excelente opção para quem procura uma caminhada curta, mas de vistas largas, nesta bela e selvagem paisagem costeira. Em parte coincidente com o Trilho dos Pescadores, que se estende de Santiago do Cacém até ao Cabo de São Vicente, tem início no centro da freguesia de Almograve e percorre o vasto areal selvagem do Brejo Largo e a pequena praia da Foz dos Ouriços, oferecendo ao visitante uma verdadeira aula de geologia, onde a história dos últimos 300 milhões de anos do planeta é contada ao vivo, através de singulares dobras e falhas rochosas entremeadas de extensas redes de filonetes de quartzo e de dunas habitadas por mamíferos como coelhos, sacarrabos, fuinhas, texugos, genetas e lontras. O regresso ao ponto de partida faz-se depois pelo interior, onde se pode observar vários charcos temporários, onde vive o raro e protegido cágado-de-carapaça-estriada.

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