A Fuga de um Monstro: A Vida Clandestina de Josef Mengele em Banda Desenhada
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23 de janeiro de 2025
O Desaparecimento de Josef Mengele é uma extraordinária adaptação gráfica do romance homónimo de Olivier Guez, que narra a fuga e a vida clandestina de Josef Mengele, um dos mais infames criminosos de guerra nazis, mergulhando na mente e nos movimentos de um homem que, depois de semear o terror em Auschwitz, escapou à justiça durante décadas na América do Sul. O próprio Guez, que ficou um pouco reticente quando o projecto lhe foi apresentado, conta no prefácio do livro que considera esta adaptação formidável: «Matz [o argumentista] soube transcrever a um ritmo de tirar o fôlego as etapas da perseguição do médico nazi, (…) mas igualmente a sua crescente paranóia, a sua solidão e os seus demónios.»; «O desenho de Mailliet é elegante, a sua escrita precisa, leve. Em breves pinceladas, cria um cenário, uma atmosfera, a de Buenos Aires sob o regime dos Péron, protetores dos nazis em fuga, e da selva brasileira, onde Menguele, disfarçado de camponês suíço, acabará meio louco, destruído pela sua própria maldade».
A obra segue o percurso de Mengele desde a sua fuga, em 1949, para a Argentina, até à sua morte, em 1979, no Brasil. Vemos como se integrou nos círculos de nazis expatriados, acompanhamos o seu pânico crescente perante a possibilidade de ser capturado e a sua degradação física e mental ao longo dos anos.
A obra segue o percurso de Mengele desde a sua fuga, em 1949, para a Argentina, até à sua morte, em 1979, no Brasil. Vemos como se integrou nos círculos de nazis expatriados, acompanhamos o seu pânico crescente perante a possibilidade de ser capturado e a sua degradação física e mental ao longo dos anos.
Mengele, outrora um médico com poder e crueldade ilimitadas nos campos de extermínio, torna-se um homem perseguido, isolado e consumido pelo medo, uma decadência explorada com intensidade notável por Guez e Matz. O contexto histórico é rigorosamente respeitado, revelando os esquemas e redes de proteção que permitiram a Mengele viver em relativa segurança durante muitos anos, explorando ainda os dilemas morais e o peso do passado que afetam as diferentes personagens que cruzam o caminho de Mengel.
Jürg Maillet utiliza um estilo sombrio e realista que capta com mestria a tensão constante da narrativa. Os traços angulosos e as sombras marcadas refletem a atmosfera opressiva do exílio de Mengele, contrastando com cores mais quentes nos flashbacks do seu passado. Maillet consegue evocar subtilmente a invisibilidade de Mengele, um homem que se mistura com a multidão, apesar da monstruosidade dos seus atos.
UMA HISTÓRIA VERDADEIRA E ARREPIANTE
O fundo histórico da banda desenhada baseia-se em pesquisas aprofundadas. Josef Mengele, conhecido como o "Anjo da Morte" – pelos seus bons modos, por trás dos quais escondia um sadismo inomável –, é tristemente célebre pelas suas experiências desumanas com prisioneiros de Auschwitz, especialmente com gémeos. Após a Segunda Guerra Mundial, aproveitou-se das redes de fuga nazis, como a "ratline", para se exilar na América do Sul, onde recebeu apoio de simpatizantes nazis e de organizações aliadas.
Esta obra não procura desculpar ou humanizar Mengele, mas mostrar o contraste entre o seu passado como médico perversamente omnipotente e a sua vida miserável como fugitivo. Os conceitos de justiça, memória e responsabilidade coletiva atravessam o livro, que consegue ser um complemento enriquecedor da obra na qual se baseou. Uma leitura indispensável para todos os apreciadores de banda desenhada histórica, que nos mostra as zonas sombrias do pós-guerra.
Jürg Maillet utiliza um estilo sombrio e realista que capta com mestria a tensão constante da narrativa. Os traços angulosos e as sombras marcadas refletem a atmosfera opressiva do exílio de Mengele, contrastando com cores mais quentes nos flashbacks do seu passado. Maillet consegue evocar subtilmente a invisibilidade de Mengele, um homem que se mistura com a multidão, apesar da monstruosidade dos seus atos.
UMA HISTÓRIA VERDADEIRA E ARREPIANTE
O fundo histórico da banda desenhada baseia-se em pesquisas aprofundadas. Josef Mengele, conhecido como o "Anjo da Morte" – pelos seus bons modos, por trás dos quais escondia um sadismo inomável –, é tristemente célebre pelas suas experiências desumanas com prisioneiros de Auschwitz, especialmente com gémeos. Após a Segunda Guerra Mundial, aproveitou-se das redes de fuga nazis, como a "ratline", para se exilar na América do Sul, onde recebeu apoio de simpatizantes nazis e de organizações aliadas.
Esta obra não procura desculpar ou humanizar Mengele, mas mostrar o contraste entre o seu passado como médico perversamente omnipotente e a sua vida miserável como fugitivo. Os conceitos de justiça, memória e responsabilidade coletiva atravessam o livro, que consegue ser um complemento enriquecedor da obra na qual se baseou. Uma leitura indispensável para todos os apreciadores de banda desenhada histórica, que nos mostra as zonas sombrias do pós-guerra.