A emoção incontida nas histórias desenhadas para crianças

Por Vera dantas
12 de junho de 2023
Barcelonense de corpo e alma e formada em Belas Artes, Rocio Bonilla trabalhou em fotografia e publicidade durante mais de 10 anos, até se tornar mãe. Essa nova fase da sua vida levou-a a voltar à ilustração, o seu meio preferido para explorar o imaginário infantil.
Mais de 10 anos depois, tem uma grande coleção de livros ilustrados que encantam quem quer que os encontre. Neles vivem personagens como a Minimoni (inspirada na criança que a autora foi) que queria saber De Que Cor é um Beijinho? e Martin, o pequeno protagonista do seu livro mais recente, E Se uma Baleia Me Come?

As suas histórias são não só enternecedoras, como falam mesmo ao coração das crianças, explorando com elas as suas dúvidas e descobertas, os seus medos e as suas conquistas. Na entrevista que nos deu, Rocio Bonilla deixa transparecer o quando adora criar estes mundos cheios de camadas de cores e emoções.
Rocio Bonilla
Rocio Bonilla
 
«A minha inspiração vem 50% da Rocio em criança, com as suas memórias e experiências, e 50% da Rocio adulta, mãe.»
O que a levou a tornar-se ilustradora?
Tanto quanto sei, desenho desde que me lembro. A minha mãe costumava dizer que eu tinha nascido com um lápis na mão, por isso acho que estava destinada a ser ilustradora um dia.

Qual foi o livro que mais gostou de ilustrar?
A Montanha de Livros mais Alta do Mundo, sem dúvida. Foi um processo criativo e plástico incrível, louco, o mais livre que alguma vez experimentei.

A Bebémoni e o Martin são inspirados em crianças que conhece?
A Bebémoni é a Minimoni quando era pequena. A Minimoni é inspirada numa sobrinha da minha família. O Martin saiu da cabeça da Susanna Isern!
Martin, o protagonista de E se Uma Baleia me Come?, de Rocio Bonilla


E os seus filhos, de que forma inspiram as suas personagens e histórias?
Digo sempre que a minha inspiração vem 50% da Rocio em criança, com as suas memórias e experiências, e 50% da Rocio adulta, mãe, e da sua vida quotidiana atual. Portanto, os meus filhos desempenham um papel importante como fonte de inspiração, sim!

Como é o seu processo criativo para desenvolver personagens e cenários para um livro? Faz muitas alterações aos esboços iniciais?
Para mim, a fase de pré-produção é quase mais importante do que os próprios desenhos finais. É aí que tudo o que é importante é gerado e “cozinhado”, como vão ser as personagens, onde se vão mover... Procuro muita documentação, faço muitos esboços, desenho e redesenho, antes de tomar as decisões finais.

Ao longo dos anos, com as novas soluções digitais, o que é que mudou no seu método de ilustração?
Quase nada. Continuo a desenhar em papel. Apenas utilizo o digital para retocar ligeiramente as ilustrações digitalizadas, de modo a que fiquem o mais próximo possível dos originais.

Qual é a sua ferramenta artística preferida?
O lápis.
 
«O cheiro, o toque do papel, a qualidade das impressões... a experiência em si!» distinguem, em tudo, um livro em papel da sua versão digital.
Minimoni, a protagonista de de De Que Cor é um Beijinho?, de Rocio Bonillo
O que é que existe num livro ilustrado em papel que a versão digital não consegue transmitir?
Tudo! O cheiro, o toque do papel, a qualidade das impressões... a experiência em si!

Ouve música enquanto trabalha?
Muitas vezes sim. Noutros dias, preciso de silêncio. Dou muito valor ao silêncio, o barulho irrita-me imenso!

Que músicas a ajudam a concentrar-se e a desenvolver a sua criatividade?
Música quente que me aconchega sem me distrair, muitas vezes jazz. Gosto muito de Chet Baker e também de Luiz Bonfa.

Prefere trabalhar como autora única de um projeto (texto e ilustração) ou em colaboração com um escritor?
São processos de trabalho completamente diferentes. Gosto dos dois e eles enriquecem-me, por isso alterno entre ambos.

Alguma vez teve de alterar um livro seu devido aos comentários de um editor?
Por vezes, mas não muito. Aceito as críticas, desde que sejam construtivas e para melhor.

Tem planos para transformar alguma das suas histórias num filme de animação?
Sim, estou a trabalhar nisso (e muito entusiasmada)!!!!!

Qual foi a reação mais engraçada de uma criança a um dos seus livros?
Bem, não sei dizer, mas lembro-me de um menino, numa feira, que começou a chorar quando eu desenhei a dedicatória do livro.
Excerto de de De Que Cor é um Beijinho?, de Rocio Bonillo

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