«A economia está a mudar rapidamente e requer mentes abertas»

Jean Tirole é um economista francês, professor na Universidade de Toulouse. Em 2014, foi distinguido com o Prémio Nobel da Economia, pelo seu trabalho de análise do poder e regulação de mercado. O seu mais recente livro, «Economia do Bem Comum», já está disponível na nossa estante.
Fique para ler a entrevista exclusiva.
Um livro de economia que aborda a vida e profissão de um economista é uma lufada de ar fresco, especialmente tendo sido escrito por um Nobel da Economia. Que conselho daria a jovens investigadores e entusiastas na matéria?
Ter paixão pelo que se faz e estar no sítio certo (um que seja intelectualmente estimulante) leva muito tempo. Tentem aprender de forma transversal, tanto em termos dos campos da economia como das próprias abordagens (teorética, empírica e experimental). A economia está a mudar rapidamente e requer mentes abertas.
Jean Tirole
Jean Tirole


Ganhar um prémio Nobel é algo que quase todos os académicos sonham. A sua vida mudou muito com esta conquista?
Claro. Ao ganhar este prémio, somos transformados numa figura pública intelectual, quer queiramos, quer não.
Nunca tinha interagido com o público em geral (…) mas depois de ganhar o Nobel as pessoas começaram a perguntar-me sobre trabalhos de outros economistas, sobre o que eles fazem, se o seu trabalho é útil, sobre a sua metodologia, entre outros.
Em todo o caso, tento ser cuidadoso quanto ao “Síndrome de Nobel”, ou seja, responder a perguntas sobre assuntos cujo âmbito não seja da minha especialidade.

E quanto à necessidade de modelos de regulamentação novos e mais inteligentes versus mercado livre?
Sou da opinião que o Estado e o Mercado são complementares e co dependentes, ao contrário da ideia estéril de dualismo que impregna o discurso público. O Estado tem de corrigir falhas de Mercado, alinhar os incentivos privados com os interesses públicos e abordar a questão da desigualdade económica. (…)
Os políticos, contudo, reagem, como todos nós, aos incentivos com os quais nos deparamos. No caso deles, o mais claro é o desejo de serem reeleitos. É essa a razão pela qual eu defendo a existência de autoridades regulatórias independentes para um determinado número de políticas.

Será possível a regulamentação acompanhar a inovação? A eliminação das assimetrias de informação ajudará os governos nesta tarefa?
A economia digital de hoje apresenta-se definitivamente como um grande desafio à regulamentação.
A questão é como devemos lidar com esses gigantes que apresentam características de monopólio natural, na medida em que exibem enormes externalidades de rede. Eu tenho conta no Facebook porque vocês têm conta no Facebook. Eu uso o Google ou o Waze porque existem muitos outros utilizadores sobre os quais os algoritmos são construídos e que, em virtude do maior número de dados que os suportam, funcionam e conseguem prever as coisas de uma forma melhor. As externalidades de rede tendem assim a criar monopólios ou oligopólios de entrada difícil. (…)
De forma a manter o mercado aberto à contestação devemos ainda prevenir os gigantes tecnológicos de “engolir” os seus futuros concorrentes. (…)

E, para terminar, uma pergunta pessoal: como descreveria um domingo perfeito?
Infelizmente, não tenho tempo suficiente para o lazer. Estar com a minha família no campo no sudoeste francês é um deles. Costumava jogar ténis e ténis de mesa quando era jovem, mas deixei de treinar. Gosto de todos os tipos de música (rock e ópera em particular – eu e a minha esposa temos já há muitos anos uma subscrição na Ópera de Toulouse). Tenho ainda um fraquinho por bandas desenhadas.

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