À bulha ou amigos: livros sobre irmãos
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25 de abril de 2024
Dá para tudo, porque a vida é mesmo assim. As relações entre irmãos condensam a vida inteira. Para a literatura, nada tem tanto sumo como o que há dentro de uma casa.
Os dois irmãos
A vida para estes não foi fácil. E, pior, parece que o livro se inspira numa história verídica. Os pais sonham com filhos de mãos dadas, mas depois a realidade mete-se pelo meio. Aqui, meteu-se assim: André recebeu uma carta do pai a dizer-lhe que João, o seu irmão mais novo, se tinha metido com a sua mulher. A exigência era só uma: que regressasse a Cabo Verde (ele vivia em Lisboa) e limpasse o nome da família.
A partir daí, é o descalabro. Quer dizer, no descalabro já estávamos. A partir daí, é o descalabro que descamba. O amor de irmão não impediu André de cumprir o que lhe pedia o pai e toda a aldeia: matar o próprio irmão. À sua volta, era a própria comunidade que não só legitimava como exigia que sangue fosse derramado.
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A partir daí, é o descalabro. Quer dizer, no descalabro já estávamos. A partir daí, é o descalabro que descamba. O amor de irmão não impediu André de cumprir o que lhe pedia o pai e toda a aldeia: matar o próprio irmão. À sua volta, era a própria comunidade que não só legitimava como exigia que sangue fosse derramado.
Para a Minha Irmã
Aqui a história é outra, mas também acaba mal. Anna não está nem nasceu doente, mas acaba por ficar doente o tempo todo. O problema é a irmã, Kate, que luta com a leucemia desde sempre. Anna nasceu precisamente para a ajudar. Concebida em laboratório, viria ao mundo para ser dadora de medula da irmã. E, desde criança, vai-se deixando ser picada e operada para prolongar a vida de Kate. Nunca questionou o seu papel, mas lá chegou um momento em que, aparentemente, quis ser mais do que dadora – quis viver a sua vida. Ou assim o dizia. A história não batia certo. As irmãs eram chegadas, o amor era o habitual dentro de uma casa, o sacrifício já parecia coisa garantida. No fundo, tudo faz sentido e, de parte a parte, há o amor entre irmãs como um galope.
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A Minha Irmã é uma Serial Killer
Há muitas irmãs com defeitos. Outras, felizmente, são serial killers. Digo “felizmente” porque sou uma leitora, e esta história lida é pura diversão. Eis Korede a contar a história de Ayoola, a irmã mais nova. Linda e fútil, Ayoola vai a festas, engata, namora, saca namorados à velocidade da luz, trai-os sem dores de consciência e, no fim, só para completar o bolo, mata-os por dá cá aquela palha. Apesar disto, a irmã ama-a terrivelmente, e só por isso lhe encobre os crimes, mesmo naquele tem-de-ser que há dentro de uma família. Isto já tinha dado para o torto, mas um dia Ayoola visita o local de trabalho de Korede e começa a dar-se com um homem por quem a irmã está apaixonada. É o fim do mundo – e o fim do mundo, volta e meia, é coisa para divertir quem lê sobre ele.
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Irmãos!
É muito divertido e, claro, para um público diferente dos livros anteriores. Aqui, temos um rapaz pequeno a fazer uma lista das coisas de que gosta e de que não gosta na sua irmã. Depois lá se surpreende ao mesmo tempo que o leitor: virando o livro ao contrário, temos tudo o que a irmã escreveu sobre ele. É engraçado porque questiona as versões unas, e porque permite a quem lê ver alguém a encarar-se a si mesmo pelos olhos de outra pessoa. Para os irmãos leitores, será uma boa experiência de leitura – e pode até ser uma boa ideia de ação. Mas claro que, se forem também fazer uma lista, podem deixar de lado a parte das coisas de que não gostam...
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