5 livros de Murakami

Por Ana Bárbara Pedrosa
13 de junho de 2023
Poucos têm legiões de fãs à porta das livrarias nas vésperas dos lançamentos e Murakami é um deles. O autor japonês, com livros tão desconcertantes quão irritantes, tem uma obra longa, da qual deixamos aqui alguns exemplos.

 
Sputnik, Meu Amor
É dos livros mais conhecidos de Murakami. Bem me lembro de o ler, no que foi uma entrada a pés juntos no autor japonês. Aqui, temos um desgraçado apaixonado por Sumire. Ele é um professor na escola primária, jovem; ela é uma mulher um tanto rebelde que ele conheceu na Universidade. Claro que a coisa dá para o torto, principalmente quando Sumire conhece Miu. Empresária, misteriosa, e uns 20 anos mais velha, deixa Sumire fascinada, e loucamente apaixonada. Partem as duas para a Europa, o outro desgraçado fica em casa, na frustração de amar sem ser amado. O que parece uma história de desencontros prova que as aparências não iludem – é-o realmente. Na Grécia, Sumire desaparece sem deixar rasto. O narrador tenta encontrá-la, mas...
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Kafka à Beira-Mar
Tão estranhas que há um adjetivo para elas: murakamianas. Assim são as duas personagens deste livro, cujas vidas seguem uma ao lado da outra ao longo do livro. E assim vemos Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, e Nakata, que está longe de ir para novo e que nunca recuperou de um acidente que sofreu em jovem, tendo dedicado a vida a procurar gatos desaparecidos. Pelo meio, o costume na literatura do autor: os enigmas, o mistério, tudo o que fica por dizer, as pontas soltas que ninguém conseguirá atar. É para estômagos que aguentem bem o surrealismo, já que os gatos conversam com humanos, o céu faz chover peixe, uma prostituta cita Hegel e soldados que não envelhecem moram numa floresta.
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Norwegian Wood
É mesmo o nome da música dos Beatles. Os seus acordes chegam aos ouvidos de Toru Watanabe no momento em que um avião está quase a aterrar no aeroporto de Frankfurt. Esse som tem um efeito de viagem no tempo, e ei-lo de repente com a cabeça na juventude. Já não é o executivo de 38 anos; em vez disso, revive a Tóquio dos finais dos anos 60. Aquilo contrastava com a vida antes de lá chegar: até aos 18, vivera na casa dos pais, conhecera a pacatez da província. Em Tóquio, mete-se a estudar teatro, vivendo numa residência só para rapazes. A turbulência de Tóquio contrasta com a calma da sua própria vida, que consiste em ler, em estudar, em estar sozinho. Um dia, lá se cruza com a antiga namorada de Kizuki, o seu grande amigo de adolescência, que um dia se matou. Unidos pelo mesmo trauma, os dois vão passeando, num romance que vai tendo sempre aquele tom de juventude perdida, de efemeridade da vida, de nostalgia a bater.
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Crónica do Pássaro de Corda
Aqui até parecia, de início, que havia alguma normalidade. Que haveria de murakamiano em Toru Okada? Mas depois houve um telefonema anónimo e a saga começou. Do nada, começam a aparecer personagens, e o que se vê delas é que cada uma é mais estranha do que a outra. Pouco depois, já não se sabe o que é real ou o que é ilusão. O mundo fica uma coisa meio à margem da vida, com os sonhos a invadirem a realidade, que vai ficando cada vez mais fantasmagórica, num cenário mágico e imprevisível. O livro, que começa com o pacato Toru, acaba por se tornar no mais murakamiano romance de Murakami.
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Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo
Um romance, bem se sabe, é uma maratona, daquelas que usam outros músculos que não os quadríceps. Murakami começou a correr em 1982, literalmente, com as pernas. Participou em dezenas de competições de longas distâncias e triatlos, e partiu daí para este livro, escrevendo sobre a forma como a corrida influenciou a sua forma de escrever. Ao fazer o seu relato, foi refletindo sobre os treinos diários, a paixão pela música, os lugares onde pôs os pés. Parte ensaio autobiográfico, parte paixão pela sapatilha no asfalto, sobre tudo é este livro, que está no Plano Nacional de Leitura, sendo recomendado para os alunos do Ensino Secundário.
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