«O nascimento de Augusto», um poema de Frederico Pedreira
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29 de janeiro de 2025
O NASCIMENTO DE AUGUSTO
Mergulho em música probatória:
eu no meu período azul, talvez venial,
ouvindo a voz pátria muito ao longe
num rasgo parturiente, toda ao comando:
por mim ordem ignorada, sentida como cesura.
Daí a minutos, horas ou dias, a intimidação,
mas por ora o consenso — sim, conservo-me
nesta cama de sangue, cetim e largas penas,
procuro tentar algo mais que salto barulhento —
a minha gramática é uma seta a gotejar de sol.
Ouves a canção que inaugura o mundo privado:
globo de maçãs vibrantes, esta correia de platina
que range sob a mais bela estação do zodíaco.
Contento quem me faz oferendas, cabeças firmadas
no plasma adiado da vitória, sombras simples
vertidas na concha destas duas mãos
através dum grosso cabo de corda
que puxo com o milagre da imaginação
mais o leite que sobeja de biografia
ebuliente, em combustão forte, bravosa.
Frederico Pedreira, À Solta no Exército de Salvação, Ed. Assírio & Alvim, fevereiro de 2025, p. 21
Mergulho em música probatória:
eu no meu período azul, talvez venial,
ouvindo a voz pátria muito ao longe
num rasgo parturiente, toda ao comando:
por mim ordem ignorada, sentida como cesura.
Daí a minutos, horas ou dias, a intimidação,
mas por ora o consenso — sim, conservo-me
nesta cama de sangue, cetim e largas penas,
procuro tentar algo mais que salto barulhento —
a minha gramática é uma seta a gotejar de sol.
Ouves a canção que inaugura o mundo privado:
globo de maçãs vibrantes, esta correia de platina
que range sob a mais bela estação do zodíaco.
Contento quem me faz oferendas, cabeças firmadas
no plasma adiado da vitória, sombras simples
vertidas na concha destas duas mãos
através dum grosso cabo de corda
que puxo com o milagre da imaginação
mais o leite que sobeja de biografia
ebuliente, em combustão forte, bravosa.
Frederico Pedreira, À Solta no Exército de Salvação, Ed. Assírio & Alvim, fevereiro de 2025, p. 21