Mentiras Bem Contadas: livros perfeitos para o 1º de Abril
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1 de abril de 2025
No Dia das Mentiras, a linha entre verdade e mentira pode ser difícil de distinguir. Na literatura, então, as possibilidades são infinitas! De narradores não confiáveis a histórias construídas sobre grandes enganos, há livros que brincam com a realidade. Nesta seleção, reunimos 10 histórias onde a mentira é tão irresistível quanto a própria leitura. Prepare-se para ser enganado!
A Relíquia, de Eça de Queiroz
Teodorico, órfão e criado pela sua tia D. Patrocínio das Neves, uma beata rica e extremamente devota, percebe desde cedo que a melhor forma de garantir o seu futuro é fingir uma religiosidade exemplar. Acabado de se formar em Coimbra, regressa a Lisboa para viver com a tia e o propósito último de garantir a sua avultada herança. Ele mente para agradá-la, enquanto vive os seus prazeres sem esta suspeitar. Chega ao ponto de aceitar partir em peregrinação à Terra Santa, encarregado de trazer uma relíquia sagrada como prova da sua fé. Mas, sabendo como Eça tece finamente as suas sátiras dos costumes de uma burguesia falsa de moralismos inúteis, o que vamos encontrar, nós e o Teodorico, nesta viagem, vai muito além de uma relíquia… Prepare-se para se rir sózinho, nós percebemos!
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Em Parte Incerta, de Gillian Flynn
Quando, no quinto aniversário do seu casamento, a sua mulher, Amy, desaparece misteriosamente, Nick começa a ler o diário da esposa, descobrindo segredos inesperados. À medida que a polícia e a comunicação social o pressionam, Nick vê-se envolto em mentiras e comportamentos suspeitos, levantando a dúvida: será ele o assassino? Com a ajuda da sua irmã gémea, Nick insiste na sua inocência. Mas Amy continua desaparecida, e todos queremos saber o que se esconde na caixa misteriosa atrás do armário dela… Gillian Flynn cria um dos thrillers mais icónicos sobre engano e manipulação, levando o leitor a questionar o que é verdade e o que é mentira.
QUERO LER!»
História do Cerco de Lisboa, de José Saramago
O que aconteceria se um revisor da atualidade introduzisse a palavra "não" num texto do século XII sobre a conquista de Lisboa aos mouros pelos cruzados? Saramago leva-nos ao mundo de Raimundo Silva, um revisor de textos de uma editora lisboeta que, ao corrigir um livro sobre o cerco à cidade no século XII, decide alterar um pequeno detalhe crucial: ele opta por afirmar que o cerco não aconteceu. Esta simples mudança desencadeia uma série de eventos que vão além do próprio ato de revisão, afetando não apenas o protagonista, mas também a realidade que o cerca. A manipulação da História, o poder da palavra e da narrativa e a possibilidade de reescrever a própria realidade são os motores do enredo.Uma metáfora para o poder da ficção e da interpretação, deixando no ar a ideia de que a História não é algo fixo, mas antes uma construção humana que pode ser moldada de acordo com as perspectivas e os interesses de quem a narra.
QUERO LER!»
O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa
Um conto filosófico, em forma de diálogo, onde um banqueiro justifica, com uma lógica inabalável, porque é ao mesmo tempo um anarquista e um capitalista. Cheio de ironia e de humor ao estilo britânico, este livro é uma das obras mais intrigantes e provocadoras de Fernando Pessoa, escrita sob o heterônimo de Álvaro de Campos, em que satiriza a hipocrisia das estruturas sociais e a manipulação das ideologias para justificar práticas individualistas. O banqueiro argumenta que o verdadeiro anarquismo não precisa de estar dissociado do capitalismo, já que ambos podem ser usados para o benefício próprio, numa lógica de controlo sobre o sistema: a sociedade precisa da desigualdade e do poder, e a liberdade plena só seria alcançada através da autonomia absoluta do indivíduo.
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O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón
Na Barcelona dos anos 20 do século passado, David Martín é um escritor talentoso, mas sem sucesso, que publica obras sob um pseudónimo. Um dia, descobre que tem um cancro em fase terminal e que a mulher por quem está apaixonado se vai casar com o seu amigo. Um misterioso admirador, Andreas Corelli, propõe-lhe que escreva um livro que pode mudar a História: uma nova Bíblia, texto fundador de uma nova religião. David aceita este estranho contrato, que lhe renderá uma fortuna e talvez algo mais, como forma de dar sentido à sua existência. Mas uma trama diabólica parece ameaçá-lo. Um romance gótico do consagrado Carlos Ruiz Zafón que nos envolve numa teia de mentiras e mistério.
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