Entrevista a Hannah Bonam-Young, autora de Parte de Nós

Vera Dantas
5 de junho de 2025
Hannah Bonam-Young
Nesta entrevista intimista, Hannah Bonam-Young, autora de Parte de Nós, conta-nos como adora escrever e como a maternidade redefiniu a forma como vê a sua própria força. Com humor, sempre alguma leveza, e um pouquinho de picante, a autora mostra-nos como é possível escrever abertamente sobre temas delicados, sem nunca perder o coração da história.

Sempre quiseste ser escritora? Quais são os teus autores preferidos?
Sim, sempre quis ser autora! Quando era criança, escrevia contos, poemas e passava o tempo todo a ler. Sempre adorei livros e fico tão feliz por isto ser o meu trabalho agora. Alguns dos meus autores preferidos, de romances, são a Talia Hibbert, Abby Jiminez, Helen Hoang e Kennedy Ryan.
O que te dá mais prazer enquanto autora?
Poder conectar-me com leitores de todo o mundo.
«Muitas vezes, ao introduzir momentos de leveza, sinto que a história se torna mais completa e humana.»
Tens alguma rotina de escrita?
Tento começar o dia a atingir o meu objetivo de contagem de palavras, que normalmente é de cerca de duas mil palavras por dia. Isso ocupa-me quase toda a manhã, e depois faço uma pausa para almoçar ou dou um passeio ou uma volta de carro para limpar a cabeça. Se as palavras não estiverem a fluir, faço uma pausa, vou caminhar e tento novamente mais tarde!

Como surgiu a ideia para Parte de Nós? Foi algo que desenvolveste com o tempo ou surgiu de repente?
Queria muito escrever uma história sobre alguém com a mesma deficiência que eu — simbraquidactilia. A ideia para o encontro amoroso no Halloween, em que ambos estão vestidos de pirata, surgiu pouco depois, e o livro nasceu daí! Aconteceu de forma bastante súbita.
A história da Win e do Bo começa com um encontro casual e leva a consequências inesperadas. O que te atraiu para este ponto de partida para um romance?
Sabia que queria que a história deles fosse à volta de uma noite de paixão, mas inicialmente não sabia que a Win e o Bo iriam ter uma gravidez não planeada. Quando comecei a refletir sobre o meu próprio caminho de autoaceitação, num esforço para me ligar à Win, apercebi-me de que o momento em que mais reflecti sobre a minha deficiência foi durante a minha primeira gravidez.

A Win é uma personagem forte, vibrante e vulnerável. Em que é que ela difere de ti, apesar de ter sido inspirada na tua experiência?
Temos passatempos muito diferentes! Para começar, ela é incrível a cuidar de plantas, o que eu decididamente não consigo fazer. Além disso, é muito ligada à natureza — adora fazer caminhadas, andar de canoa, nadar, etc., enquanto eu prefiro estar ao ar livre... sentada — haha.

A diferença de membros da Win é retratada de forma natural, sem definir toda a sua identidade. Mas aceitar a diferença nunca é fácil, como mostra a tua história. A maternidade foi o momento em que percebeste verdadeiramente que podias ser tão capaz — senão mais — do que qualquer outra pessoa?
Sem dúvida. Foi durante a maternidade que, pela primeira vez, procurei uma comunidade de pessoas com deficiência para pedir conselhos ou palavras de encorajamento. Depois de fazer parte dessa comunidade, aprendi muito mais sobre mim mesma e comecei a ganhar confiança. Só depois do nascimento do meu filho é que percebi realmente que era tão capaz de ser uma boa mãe como qualquer outra pessoa.

Há um equilíbrio sensível entre humor e emoção no livro. Como encontraste esse tom ao abordar temas delicados como a deficiência, a gravidez não planeada e a saúde mental?
Foi um equilíbrio delicado, sem dúvida! Penso que a melhor maneira de o fazer é refletir sobre cenários da vida real em que há conversas difíceis, épocas de luta ou dificuldades, e encontrar os momentos intermédios em que a alegria, o humor e a paz ainda existem. Muitas vezes, ao introduzir momentos de leveza, sinto que a história se torna mais completa e humana.

O Bo é uma personagem reservada, mas com um grande impacto, e um passado complexo. Como construíste a dinâmica entre ele e a Win, em que ambos parecem crescer juntos?
Sinceramente, foi tão fácil escrever sobre estes dois apaixonarem-se porque, para mim, eles são tão adoráveis. Eles trouxeram ao de cima o melhor um do outro, e acho que isso significou que o seu percurso de crescimento acontecesse de forma orgânica.

A história desafia algumas convenções do romance contemporâneo — especialmente na forma como aborda a gravidez não planeada, sem cair em clichês. Foi difícil contrariar certas expectativas sobre este género de romance?
Adoro romances com um gravidez não planeada! Não comecei com a intenção de diferenciar este livro dos outros, apenas escrevi a partir da minha própria experiência, tendo tido também uma uma gravidez no início dos meus vinte anos, que não foi totalmente planeada! Que mensagem gostarias que os leitores levassem deste livro?
Que são dignos de amor e compaixão.

Podes dar aos leitores portugueses uma antevisão de Out of the Woods (ainda não editado em Portugal), a sequela da vida da Win e do Bo depois do nascimento do bebé?
Sim! Escrevi Out of the Woods, que é um romance companheiro de Out on a Limb, sobre a Sarah e o Caleb, os melhores amigos do Bo e da Win. Vamos ver muito do Bo, da Win e da sua pequena família nesse livro!

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