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Vida e Morte do 28 de Maio

Os "Camisas Azuis"

de José Manuel Quintas
Editor: BookBuilders, maio de 2026 ‧
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A simbologia e objectivos do pronunciamento militar do 28 de Maio, sobre o qual passa este ano um século, foram deturpados pelo Estado Novo, apropriando os factos e a data para fins próprios. Mas então qual era a verdadeira ambição desse golpe?

Este ensaio analisa a revolta militar de 28 de Maio de 1926 como uma ruptura decisiva com a ordem constitucional da I República, mostrando como um movimento com intenção regeneradora acabou por ser esvaziado e reconfigurado no interior da Ditadura Militar, até abrir caminho ao Estado Novo.

No início, Gomes da Costa procura transformar o pronunciamento numa revolução nacional contra a ditadura dos partidos, prometendo um governo forte que, mais tarde, devolveria poderes a uma verdadeira Representação Nacional de base municipalista. Em Lisboa, porém, Mendes Cabeçadas conduz uma transição com aparência de legalidade e centra-se sobretudo na ordem pública, instalando-se rapidamente uma bicefalia (dois centros de poder) e divergências profundas sobre o futuro do regime: reforma dentro da República versus criação de um Novo Estado.

Aqui se destaca o programa de Gomes da Costa, influenciado pelo ideário do Integralismo Lusitano. O seu programa de governo incluía medidas sobre família, educação, economia e religião, mas propunha também um governo presidencialista e uma representação política de base municipal e sindical-corporativa (sem partidos ideológicos) em duas câmaras - Câmara dos Municípios e Câmara das Corporações. Apesar de alguns passos iniciais, o projeto colapsou com o golpe de 9 de julho de 1926, quando Gomes da Costa é afastado e deportado, e o rumo do processo passa a ser definido por outros chefes militares e, mais tarde, progressivamente, por Oliveira Salazar.

Segue-se a trajetória das fraturas integralistas e a tentativa de manter vivo o ideal municipalista e sindical-corporativo, primeiro com esperança nas palavras de Salazar (1930) e depois com forte desilusão quando o projeto constitucional do regime (1932/33) consolida um modelo centralizador, culminando na adoção de um regime de partido único. É nesse contexto que surge e é reprimido o Movimento Nacional-Sindicalista, movimento antitotalitário dirigido por Alberto Monsaraz e Rolão Preto, que desafia a Salazarquia e acaba proibido em 1934.

A conclusão sustenta que a morte do espírito do 28 de Maio resulta de um processo de apropriação política: o movimento que prometia regeneração pela representação municipal e pluralidade social foi reinterpretado como mito fundador de um regime centralizado e autoritário, que neutralizou as suas linhas programáticas originais.

Vida e Morte do 28 de Maio

Os "Camisas Azuis"

de José Manuel Quintas

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899334113
Editor: BookBuilders
Data de Lançamento: maio de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 133 x 215 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 136
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 9789899334113

SOBRE O AUTOR

José Manuel Quintas

José Manuel Alves Quintas (Lisboa, 1960) é militar, tenente-coronel da Força Aérea Portuguesa. Licenciado em História e Mestre em História do Século XX (Universidade Nova de Lisboa), é autor de Filhos de Ramires. As origens do Integralismo Lusitano (Lisboa, 2004) e colaborador de dicionários de História e outras obras coletivas com estudos sobre temas de História Política e Militar do Século XX. Foi professor na Academia da Força Aérea (1995-2011). Foi editor do espaço na internet 'Unica Sempre Avis' (2000-2012) e do blogue 'Lusitana antiga liberdade' (2003-2012). É editor de 'Estudos Portugueses' (www.estudosportugueses.com), onde divulga documentação sobre figuras como António Sardinha. Conheceu melhor este Autor por intermédio de um integralista da última geração, Mário Saraiva (1910-1998).

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