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Um Valoroso Lugar Incerto
A cartografia do Humano em Uma Viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares
Editor:
Edições Húmus, outubro de 2019 ‧
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SINOPSE
Este ensaio analisa alguns dos temas e motivos fundamentais de Uma viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares em relação com o seu hipotexto, Os Lusíadas, e com Ulysses de James Joyce, de cujo protagonista, Bloom, se apropriou. Procura-se compreender não só como se atualizam episódios e temas da epopeia camoniana, mas também como se investe de valor filosófico e civilizacional uma figura, Bloom, que pode representar uma época em que o tempo disponível parece obrigatoriamente ter de ser gasto em entretenimento, o que pode ter como efeito o acentuar do peso da existência que se pretendia suspender ou eliminar.
Segundo uma linha de interpretação do subtítulo da obra, "Melancolia contemporânea - um itinerário", segue-se de perto o fim da fome de destino de Bloom. Não sendo possível suspender a lei da gravidade, Bloom acaba por cair, provando que, depois do pior, as coisas podem continuar a piorar. Torna-se niilista, encolhe os ombros a todas as expectativas de sentido e ação. E o leitor fica a ponto de compadecer-se, não fosse a lucidez tavariana a contracorrente, quando Bloom regista, em pensamento, "Em todo o mundo o mundo é mundo. / Não há interrupções em forma de não-humanidade" (Uma viagem à Índia, canto IX.15).
Não se trata de uma obra pessimista, apesar de o protagonista o ser, depois de uma pouco sábia administração da melancolia pelos dias, oscilando vertiginosamente entre la vie en rose e o desespero a negro. Mas uma obra que, nos seus excursos (os quais ocupam a maior parte da obra), argumenta e dá prova empírica da importância do desejo (Deleuze), da alegria (Nietzsche) e do dever ético de aceitar o devir.
Segundo uma linha de interpretação do subtítulo da obra, "Melancolia contemporânea - um itinerário", segue-se de perto o fim da fome de destino de Bloom. Não sendo possível suspender a lei da gravidade, Bloom acaba por cair, provando que, depois do pior, as coisas podem continuar a piorar. Torna-se niilista, encolhe os ombros a todas as expectativas de sentido e ação. E o leitor fica a ponto de compadecer-se, não fosse a lucidez tavariana a contracorrente, quando Bloom regista, em pensamento, "Em todo o mundo o mundo é mundo. / Não há interrupções em forma de não-humanidade" (Uma viagem à Índia, canto IX.15).
Não se trata de uma obra pessimista, apesar de o protagonista o ser, depois de uma pouco sábia administração da melancolia pelos dias, oscilando vertiginosamente entre la vie en rose e o desespero a negro. Mas uma obra que, nos seus excursos (os quais ocupam a maior parte da obra), argumenta e dá prova empírica da importância do desejo (Deleuze), da alegria (Nietzsche) e do dever ético de aceitar o devir.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789897553905 |
| Editor: | Edições Húmus |
| Data de Lançamento: | outubro de 2019 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 160 x 232 x 27 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 416 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Ensaios
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| EAN: | 9789897553905 |
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