Tropel
SINOPSE
Atanas Viktor, o desamparado adolescente herdeiro de uma longa linhagem de caçadores impiedosos, é a personagem central desta incursão a um tempo de ódio e de uma história apartada do mundo, marginal e contada a partir de um lugar ermo, espantoso e medonho que só existe na literatura — mas cada vez mais próximo da soleira da nossa porta.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
"A trágica realidade dos refugiados exemplarmente alegorizada num dos melhores livros do autor. "
Mário Santos, Ípsilon
"Um dos grandes romances do ano já foi escrito e chama-se 'Tropel'."
João Céu e Silva, Diário de Notícias
"'Tropel', este livro de Manuel Jorge Marmelo, encosta-nos à parede do horror quotidiano já ali ao virar da esquina. É um livro rude e desapiedado, um livro zangado com os dias, com o que nem sempre abre telejornais mas fica cosido à nossa consciência do mundo, mesmo se, dela, alijamos a carga. É um livro que não dá ao leitor folga para respirar."
Fernando Alves, Sinais, TSF
"Na antecâmara de o Mundo saber se os Estados Unidos continuarão entregues a Donald Trump, o homem que mandou construir muros, distribuir armas e que alardeia agarrar as mulheres pelo sexo e fazer com elas o que quiser, o mercado literário português assiste ao portentoso regresso de Manuel Jorge Marmelo à ficção, com uma obra que é um soco nos dentes para acordar quem ainda estiver a dormir."
Helena Teixeira da Silva, Jornal de Notícias
"Um dos autores que melhor escreve na língua da ficção portuguesa, regressa com 'Tropel' (Porto Editora), história do ódio nos tempos presentes - e da violência, e do descontentamento. Belo regresso."
Correio da Manhã
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-0-03181-5 |
| Editor: | Porto Editora |
| Data de Lançamento: | setembro de 2020 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 152 x 235 x 15 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 152 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 978972003181510 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Um grande livro, a não perder
Maria Araújo
Gostei bastante do tema deste livro e da forma de escrita. Sobre os emigrantes e sobre um clube de caçadores que os mata. Sobre essa situação ser normal em certas vilas e da forma como as pessoas encaram certos temas hoje em dia em certos ambientes. Sobre o abuso de poder, o racismo, a violencia doméstica e o machismo. Muito bom. Faz nos ver o ridiculo de por vezes sermos demasiado radicais.
parecem homens
Nuno Casimiro
O narrador de “Tropel”, o romance do Manuel Jorge Marmelo saído no ano passado, é um catraio no início da adolescência, como em “Somos todos um pouco ciganos”, outra bela peça da bibliografia do MJM. As semelhanças mais imediatas ficam-se por aí. Em Tropel, o rapaz que nos fala também é um bocado cigano, no sentido em que todos somos, e vai dobando o fio enrodilhado das aberrações que o rodeiam dando-lhes a lisibilidade que permite tomar posição. É uma história o que aqui se conta, com limites bastantes precisos e figuras bem desenhadas. O desfiar de casos e personagens serve o propósito de bem arranjar o quadro, assentar as boas questões do trabalho de investigação. A investigação, nestes termos, é a que o indivíduo que não perdeu a faculdade de se espantar com a existência vai desenvolvendo com o material abundante da desumanização. MJM vai agregando nos episódios, nas reflexões e anedotas vividas pelos olhos do narrador, imagens cruelmente verosímeis. Uso “verosímeis”, porque quem se perca a ler o que vai por este mundo fora (e dentro) já se topou com descrições de factos similares e até pode sentir vontade de ver aqui uma reportagem onde nos prometem ficção. Mudam os nomes e o relevo da geografia, mas o âmago da repugnância só parecerá estrangeiro e fantasioso a quem se obstinar a olhar para outro lado. Podemos por isso retirar ao autor o mérito da grande invenção, da fantasia desbordante. O que o MJM faz magistralmente é conferir a tudo isto uma configuração romanesca, com o propósito de melhor alumiar o que vivemos do lado de cá do romance. Nisto, há uma proximidade e coerência grande com o resto da produção do MJM, que impregna o discurso do narrador com dissertações que ele mesmo verte, impressionado de forma análoga por livros e factos partilhados com o catraio que vai alinhando a história. MJM não se demite de observar o mundo, menos ainda de o comentar, usando a literatura como mecanismo de sublimação do real. O resultado é mais preciso que a peça jornalística, mais contundente que um ensaio, assertivo como a imagem da capa (do Alex Gozblau): o tropel é um caçador indistinto com uma espingarda, parece um homem.
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