Tributo aos Doentes com VIH/SIDA do Hospital de Curry Cabral

No 40.º aniversário da epidemia

de João Machado
Editor: Edições Colibri, novembro de 2021 ‧
12,00€
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No 40.º aniversário da epidemia por VIH/ /SIDA e com a pandemia por COVID-19 com actividade mais reduzida, mas ainda incerta, também posso dizer, como Donald Kotler, gastroenterologista de Nova Iorque: "talvez, apenas tive o azar de ter que encarar os portões do inferno duas vezes na carreira". Não hão-de deixar de se acumular análises e testemunhos sobre a actual pandemia por COVID-19, a qual, infelizmente, polarizada pela rivalidade geopolítica, desencadeou um impacto brutal na economia e uma disrupção sem paralelo nas estruturas de saúde.
A epidemia por VIH/SIDA, da qual fomos testemunhas, ocorreu igualmente à escala planetária - atingiu 60 milhões de indivíduos, desde o seu início, e, até ao final de 2019, já tirou a vida a mais de 32 milhões de pessoas, em todo o mundo - mas teve características muito diferentes. Na 1.ª década, foi devastadora. Suscitou muitos medos e teve muitos culpados estapafúrdios. Na sua maioria, foram doentes mais jovens os mais atingidos. Os primeiros anos da epidemia por VIH/SIDA e os que se seguiram foram de intenso envolvimento com doentes portadores duma doença completamente nova, da qual fomos testemunhas e com a qual tivemos de aprender e de crescer. Quando olho para trás e revisito os anos amargos da primeira década, sinto que, apesar dos medos, fomos fiéis ao juramento de Hipócrates, procurando acolher e tratar os doentes com a preocupação prioritária de evitar a sua discriminação. Contrariámos muitos sentimentos de hostilidade contra os doentes, elegendo como alvo, desde muito cedo, os comportamentos de risco e abolindo o estigma de grupos de risco.
A primeira década foi muito dura. Os nossos doentes eram um "gueto", as opções terapêuticas escassas ou nenhumas. (…) Não tínhamos acesso a material descartável, e as seringas e as agulhas que utilizávamos eram esterilizadas em panelas de água a ferver, aquecidas por bico de Bunsen". (…) Éramos apenas médicos em graus diferentes da carreira. (…) Diariamente, havia muita urticária para com os comportamentos de risco! Mas havia também perseverança e humanismo.

Tributo aos Doentes com VIH/SIDA do Hospital de Curry Cabral

No 40.º aniversário da epidemia

de João Machado

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895661275
Editor: Edições Colibri
Data de Lançamento: novembro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 213 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 152
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Crónicas
EAN: 9789895661275

SOBRE O AUTOR

João Machado

João Machado nasceu em 1955 nas Minas de Jales, concelho de Vila Pouca de Aguiar, numa fratria de oito irmãos. Tem três filhos. É médico, especialista de Medicina Interna e de Infecciologia. Trabalhou no Hospital Curry Cabral (1982-2016) e no HFF (2017-2021). Publicou Tributo aos Doentes com VIH/SIDA do Hospital Curry Cabral (2021) e Minas de Jales, Onde Gente Valente Lutou pelos Filhos (2023).

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