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Todos os Meus Gatos

de Bohumil Hrabal
Editor: Livros Zigurate, Janeiro de 2025 ‧
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Bohumil Hrabal dividia o tempo entre Praga e uma casa de campo que elegeu como refúgio, em Kersko. Era aí que escrevia e foi aí que passou a cuidar de uma colónia de gatos selvagens.

A relação do escritor com os gatos foi-se tornando progressivamente mais profunda e complexa. Todos os Meus Gatos é o relato perturbante do encontro do autor com a natureza, e de uma necessidade de redenção que assume formas improváveis e que pode chegar sem aviso prévio.

Escrito em 1983, depois um grave acidente de viação, este é um livro confessional e comovente; o mais pessoal deste notável autor checo.
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Coração selvagem

O que significa encontrar o selvagem, seja ele um urso, um gato, uma barata ou uma ideia? Estes encontros literários não são apenas físicos, mas também filosóficos, emocionais e até espirituais. Os encontros entre humanos e animais na literatura revelam muito mais do que simples interações entre espécies. Eles levam-nos a questionar a nossa identidade, a nossa superioridade presumida e os nossos instintos mais básicos. Seja na brutalidade de um ataque de urso, na complexidade emocional de cuidar de gatos, na crise existencial diante de uma barata ou na filosofia de vida dos felinos, cada um destes livros convida-nos a repensar a nossa relação com o mundo animal e, por consequência, connosco mesmos. A literatura mostra-nos que os animais não são apenas companheiros ou obstáculos. Nestes quatro livros, o contacto entre humanos e animais assume formas muito diferentes. Em Acreditar nas Feras, há um embate físico e espiritual com o selvagem. Em Todos os Meus Gatos, há um amor que se torna fardo. Em A Paixão Segundo G.H., um colapso existencial que revela o que há além da linguagem. Em Filosofia Felina, uma aprendizagem serena.
Os protagonistas destes livros são confrontados com o mundo animal de maneira simbólica ou real, resultando em experiências transformadoras. Vamos do filosófico ao visceral, do amoroso ao assustador.
O encontro final é o nosso, como leitores. Ler também é um ato de domesticar o selvagem – ao tentarmos compreender, organizar e nomear aquilo que nos escapa.
A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector Este é um dos encontros mais radicais entre humano e animal na literatura. A protagonista, G.H., é uma mulher de classe alta que, ao limpar o quarto da empregada, se depara com uma barata. O que poderia ser um momento trivial desencadeia uma verdadeira experiência mística. G.H., ao matar o bicho, passa por um episódio existencial avassalador. O animal, aqui, é um catalisador para uma profunda crise de identidade, levando a personagem a um estado de dissolução do ego e de confronto com o que há de mais primitivo nela. O encontro é um encontro com o avesso, com o inominável, com o grotesco e o sublime. Todo o livro é, à semelhança da própria barata, sem contorno. A Paixão Segundo G.H. coloca-nos diante do terror do desconhecido e da repulsa pelo que não conseguimos compreender. O livro questiona a separação entre humano e não-humano e sugere que, ao tentar eliminar o que nos incomoda, acabamos por nos deparar com a nossa própria fragilidade. Acompanhamos um colapso de identidade e uma revelação sobre a matéria bruta da vida, ao mesmo tempo que várias perguntas aparecem. O que significa existir? O que há por trás das palavras, dos conceitos, da cultura? Somos confrontados também nós, como leitores, com a barata, somos obrigados a lidar com ela, ao mesmo tempo que GH, numa epifania agonizante.
Clarice Lispector fala do sentimento de lugar, de pertencer de caber. Fala do ódio, do amor, do desejo de matar. Dessa experiência minúscula gigante.
Ao contrário dos outros livros desta lista, A Paixão Segundo G.H. não trata os animais como companheiros ou seres protegidos, mas como representantes do indizível. A barata é o que está fora da ordem humana, o que não pode ser domesticado ou racionalizado. O romance é sobre o confronto com o que existe além da linguagem. COMPRO NA WOOK! » Acreditar nas Feras, de Nastassja Martin Em Acreditar nas Feras, a antropóloga francesa Nastassja Martin narra uma experiência real e transformadora: o seu encontro direto com um urso selvagem nas montanhas da Sibéria. Em 2015, Martin foi atacada por um urso que quase lhe tirou a vida – e que a desfigurou gravemente, mas que, por razões que apresenta como quase míticas, a poupou da morte.
Neste livro, o embate com o urso é literal e simbólico – uma fusão entre humano e animal que dissolve fronteiras. O encontro é brutal e o momento não se encerra no ataque – pelo contrário, torna-se um ritual de passagem que redefine a autora e a faz repensar os limites entre humanidade e animalidade.
Nos povos habitantes da região onde ocorreu o ataque, há uma crença de que quem sobrevive a um encontro tão próximo com um animal selvagem se torna um miedka – uma criatura que pertence a dois mundos, o humano e o animal. A autora vê-se dividida entre esses dois polos: enquanto a sua face mutilada se reconstrói aos poucos, a sua identidade também se fragmenta e se reconfigura. O urso marcou-a fisicamente e simbolicamente, tornando-se parte dela, que carrega para sempre a marca da fera. Acreditar nas Feras é ao mesmo tempo um estudo antropológico e uma jornada pessoal de metamorfose. Martin mistura memória, reflexão antropológica e poesia para narrar essa transformação. Acompanhamos as estações do ano e a sua recuperação dolorosa no hospital. O livro desafia a visão ocidental tradicional da separação entre Homem e Natureza, sugerindo que essa fronteira é ilusória. O texto, por vezes febril, evoca a selvageria e a espiritualidade, levando o leitor a um estado quase onírico. A obra é uma profunda meditação sobre o que significa ser humano quando se vive à beira da animalidade. COMPRO NA WOOK! » Todos os Meus Gatos, de Bohumil Hrabal Nesta obra autobiográfica, o escritor checo Bohumil Hrabal narra a sua intensa e, por vezes, dolorosa relação com os gatos que vivem na sua casa de campo. Este autor, conhecido pelo humor mordaz e, até, impiedoso, e pela prosa crua, destila neste livro uma ternura inesperada e desesperada. No início, Hrabal descreve a sua conexão profunda com os gatos, o seu comportamento e a forma como eles lhe trazem conforto. No entanto, à medida que o número de gatos cresce, a alegria dá lugar à angústia. Ele vê-se incapaz de cuidar de tantos gatos e precisa de tomar decisões dolorosas para evitar que a situação saia do controlo. Aqui, o amor pelos animais confunde-se com culpa e impotência. À medida que os gatos se multiplicam e que os desafios de cuidar deles aumentam, o tom do livro muda. O livro transforma-se num drama existencial, onde a relação entre homem e animal revela as contradições do cuidado e do abandono.
O que começa como um relato afetuoso da vida ao lado dos gatos transforma-se num estudo sobre os dilemas morais que surgem ao tentar cuidar de animais num mundo imperfeito. Hrabal não idealiza os gatos, nem a sua relação com eles: há momentos de exaltação, mas também de angústia, especialmente quando precisa de tomar decisões difíceis. Todos os Meus Gatos retrata como os seres humanos projetam as suas emoções nos animais e, muitas vezes, se perdem entre afeto e sofrimento, e expõe as contradições do amor pelos animais – capaz das maiores ternuras, mas também de nos colocar frente a frente com a nossa impotência e falibilidade.
Todos os Meus Gatos não é um livro doce. É um relato incómodo sobre as limitações humanas diante da Natureza e da responsabilidade. A relação do autor com os seus gatos oscila entre a devoção e o desespero, mostrando que o amor por um animal pode ser tão intenso e torturante quanto qualquer relação humana.
Há a lenda de que Hrabal morreu ao cair de uma janela, enquanto tentava dar de comer aos pombos. Um último gesto de ternura pelos animais. Como se as verdadeiras feras, para ele, sempre tivessem sido as pessoas. COMPRO NA WOOK! » Filosofia Felina, de John Gray O filósofo britânico John Gray convida-nos a ver os gatos como professores sábios em Filosofia Felina – Os Gatos e o Sentido da Vida. Gray defende que as questões eternas sobre o propósito da vida e a felicidade podem ter respostas tão válidas vindas dos gatos quanto dos pensadores humanos. Fascinado pela maneira despreocupada e autêntica como os gatos vivem, ele propõe neste livro um guia para uma vida mais autêntica e sossegada, inspirado na sabedoria dos gatos. Gray combina reflexões de grandes filósofos com observações do comportamento felino, mostrando como os gatos, alheios às ansiedades e ambições humanas, têm muito a ensinar-nos. O resultado é um ensaio leve e profundo ao mesmo tempo, que encanta amantes de gatos e faz qualquer leitor refletir sobre como levar uma vida menos stressante e mais verdadeira (quem sabe, com um pouco mais de indiferença aristocrática felina em relação aos problemas mundanos). Enquanto os humanos se angustiam com o sentido da existência, os gatos simplesmente vivem – e, segundo Gray, há uma sabedoria nisso. O livro convida-nos a observar os felinos não como meros animais de estimação, mas como seres que têm muito a ensinar sobre liberdade, independência e prazer na simplicidade. Gray analisa pensadores como Schopenhauer e Montaigne para argumentar que talvez devêssemos abandonar as nossas preocupações existenciais e adotar um modo de vida mais próximo ao dos gatos: livres do tormento do passado e do futuro, vivendo apenas o presente. O livro apresenta-se como um pequeno tratado filosófico sobre o que significa viver bem, inspirado pelo comportamento dos gatos. Ao contrário dos outros livros desta lista, que mostram o encontro entre humanos e animais como um choque transformador, Filosofia Felina propõe uma convivência tranquila e harmoniosa. É um ensaio leve, mas cheio de provocações filosóficas. COMPRO NA WOOK! »

Todos os Meus Gatos

de Bohumil Hrabal

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899216075
Editor: Livros Zigurate
Data de Lançamento: Janeiro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 130 x 229 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 120
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Crónicas
EAN: 9789899216075

Doce e doloroso ao mesmo tempo

MP

Todos os Meus Gatos é uma obra encantadora sobre a vida com felinos, cheia de humor, ternura… mas também de momentos que apertam o coração. Como dona de gatos, senti profundamente as alegrias e as perdas retratadas, e cada história deixou-me comovida e mais consciente do vínculo único que temos com estes animais.

Interessante

Fátima Sousa

Um livro curioso e envolvente.

Com poucas páginas, mas de impacto duradouro

S. Lopes

Todos os Meus Gatos é um livro curto, mas intenso. Menos um livro sobre felinos e mais uma reflexão sobre a fragilidade humana, a vulnerabilidade. É um livro de fácil leitura, no entanto não se deixem enganar. A escrita fluida e simples, o livro convida a ler mas esconde vários socos no estômago se nos deixarmos levar pelas várias camadas de leitura que está carregada de reflexões, questões e dilemas éticos sem nos dar julgamentos claros. Hrabal escreve como quem confessa algo que dói e magoa — em que os gatos servem de espelho para a sua culpa, solidão e fragilidade. A casa cheia de felinos vira cenário de afeto, mas também de tensão crescente, até que um gesto brutal rompe o silêncio e nos obriga a encarar a dor de frente. É essa ambiguidade moral, incómoda e desconfortável que torna este livro uma pequena jóia. Com poucas páginas, mas de impacto duradouro, no fim fica uma sensação amarga e bela de que acabámos de ler um livro maravilhoso mas de que até os gestos mais íntimos e domésticos podem carregar o peso de um mundo em ruínas. Sei que o vou reler muitas vezes.

Um ato de redenção e um pedido de perdão!

Rita França Ferreira - Desculpas para Ler

«Todos os meus gatos» é uma obra-prima de Bohumil Hrabal que consiste no seu testemunho íntimo sobre a relação do escritor com os gatos selvagens que vai cuidando no seu refúgio de escrita e como estes laços se vão tornando complexos, ininteligíveis e sobretudo, perturbadores. É um livro maniqueísta, pelo menos foi assim que o senti. É profundamente comovente e perturbador. Deixa-nos sem palavras.

SOBRE O AUTOR

Bohumil Hrabal

Bohumil Hrabal nasceu em Brno, em 1914, ainda sob o Império Austro-Húngaro. Começou por escrever poesia, mas o livro que o tornou famoso foi o romance "Comboios Rigorosamente Vigiados". A fama alcançada não impediu que viesse a ter várias obras proibidas pelo regime comunista da Checoslováquia. Considerado um dos grandes estilistas da literatura europeia da segunda metade do século XX, Bohumil Hrabal morreu em 1997, em condições trágicas, ao cair de uma janela do quinto andar do hospital onde estava internado. Terá caído acidentalmente ao tentar alimentar pombos do lado de fora.

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