Tirano Banderas

Novela de Terra Quente

de Ramón Del Valle-Inclán
Editor: Sistema Solar, maio de 2019 ‧
20,00€
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À custa de ironia e força demolidora eficaz retrato do mundo demencial do Tirano.

«O tempo pôs em destaque dois momentos altos na sua vasta produção literária. É hoje admirado pelas Sonatas (publicadas entre 1902 e 1905), quatro novelas independentes numa excelente prosa modernista (memórias fictícias do marquês de Bradomín psicologicamente dominadas pelas sucessivas estações do ano), mas ainda mais lido no seu Tirano Banderas, o primeiro romance de tirano (1926) entre os que hoje conhecemos com exemplos espalhados pelas várias literaturas da América Latina.
O que escrevi antes de Tirano Banderas é musiquinha de violino, dizia o seu autor, reforçando a sua ideia com esta insistência: digo-vos que musiquinha, e má musiquinha de violino. Tirano Banderas é a primeira obra que eu escrevo.
Começa agora o meu trabalho.
Valle-Inclán procurava, com esta radical visão da sua própria obra, sobrepor-se às vozes que um pouco por todo o lado faziam críticas nem sempre abonatórias à criação da imaginária Santa Fe de Tierra Firme, que ele deixava fluidamente localizada mas dando-lhe, sem dúvida, um muito forte sabor a México.
[…]
Numa carta ao escritor mexicano Mariano Azuela, Valle-Inclán tentou esclarecer a génese da sua novela: a maior parte dos acontecimentos narrados foram compostos com o material que recolhi em conversas com revolucionários de diferentes classes e matizes, sobretudo das práticas que entre eles existiam, com insuperável interesse pela sua autenticidade e significado. os instintivos deixavam-se adivinhar com grande facilidade, mesmo nos pensamentos mais íntimos que queriam manter ocultos. a minha colheita foi feita em quartéis, hospitais, restaurantes, fandangos, caminhos de carroças, comboios e em todos os lados. Mas muitos acontecimentos estão referidos de uma forma completamente diferente daquela que eu presenciei.
[…]
Grande parte dos seus capítulos foram previamente publicados como textos independentes, reunidos e retocados para formarem a «novela de terra quente» que viria a chamar-se Tirano Banderas e que também cumpre a difícil tarefa de integrar na língua castelhana central os modismos que o autor absorveu durante as suas permanências na América Latina.»
[Aníbal Fernandes]

Tirano Banderas

Novela de Terra Quente

de Ramón Del Valle-Inclán

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898833396
Editor: Sistema Solar
Data de Lançamento: maio de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 204 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 288
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898833396

SOBRE O AUTOR

Ramón Del Valle-Inclán

Ramón del Valle-Inclán nasceu em Vilanova de Arousa, (Pontevedra), em 1866, numa família da aristocracia galega com convicções liberais. Frequentou o curso de Direito na Universidade de Santiago de Compostela, sem, no entanto, o concluir. Em Madrid, para onde vai em 1890, inicia a sua atividade literária, escrevendo contos e artigos para a imprensa. Viajou para o México em 1892. E em 1895 publica o seu primeiro livro, Femininas. Instala-se em Madrid em 96-97, no tumulto daqueles anos em que desponta um século novo, por entre a boémia, a rebeldia, a febre modernista, as tertúlias literárias fervilhantes de inovações. É ferido num duelo com Manuel Bueno, e sofrerá, em consequência dessa ferida, a amputação do braço esquerdo. Vai publicando contos, traduções, artigos até que, em 1902, publica Sonata de Outono<7i>, iniciando uma das mais inovadoras obras literárias de Espanha, reconhecida internacionalmente. Seguem-se as demais Sonatas [de Verão (1903), de Primavera (1904) e de Inverno (1905)] e, com elas, a invenção de uma personagem, o Marquês de Bradomín que ombreia com os grandes mitos da literatura clássica, como Don Juan. Depois do seu casamento com a atriz Josefina Blanco, escreve para o teatro a série Comedias Bárbaras [Àguila de Blasón, [1907, Romance de Lobos, 1908, Cara de Plata, 1909), amplo panorama social onde começa a desenhar-se a deformação dramática que irá caracterizar a sua obra posterior. Foi professor na Academia de San Fernando (1916). E será em 1920 que publica, entre outras peças, Divinas Palavras e Luces de Bohemia, o seu primeiro esperpento, termo que inventou para designar a sua peculiar maneira de deformar o mundo ("os heróis clássicos refletidos num espelho côncavo dão o esperpento", escreve), mordaz, dramática, grotesca. Continuará a escrever teatro, sendo mundialmente representadas as peças que recolheu em Martes de Carnaval (Los Cuernos de Don Friolera, de 1925, Las Galas del Difunto, (1926), La Hija del Capitan (1927). De 1926 é o seu romance mais célebre, Tirano Banderas, retrato de uma ditadura sul-americana que viria a influenciar toda a literatura posterior. A instauração da República em 1931 trouxe-lhe algum reconhecimento público, e chegou a ser presidente do Ateneo de Madrid (1932). Morreu em Santiago de Compostela, aos 69 anos, em 1936. É por muitos considerado o maior dramaturgo espanhol do século XX.

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