Editor: Editorial Presença, abril de 1992 ‧

Terra Nostra

de João Miguel Fernandes Jorge

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722315494
Editor: Editorial Presença
Data de Lançamento: abril de 1992
Idioma: Português
Dimensões: 184 x 115 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 88
Tipo de produto: Livro
Coleção: Forma
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789722315494
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

A filosofia poética de João Miguel Fernandes Jorge

Helder Raimundo

Volto a João Miguel Fernandes Jorge (JMFJ), poeta que leio desde a década de 1980. Talvez se deva ao contexto do tempo, leituras anarquizantes e heterodoxas, em busca de identidades várias, dias e anos de procura de geografias outras, lugares não poluídos, naturezas selvagens e ilhas brancas. Comprei os primeiros dois volumes da sua obra poética (Sob Sobre Voz/Porto Batel; e Turvos Dizeres/Alguns Círculos – este tem data de 1988). Lembro-me de os ler sozinho nas praias das ilhas de Tavira e de Faro, talvez também na do Farol, medindo as palavras e as frases tão incomuns, as leituras filosóficas ou as análises das artes, de que o autor é tão conhecedor. No segundo livro encontro um recorte de jornal, um texto de Clara Ferreira Alves, na Revista do «Expresso», de 15 de Novembro de 1986, que o intitula de «príncipe feroz» ou «como Yates, um ‘longínquo olhar’». O recorte estava lá, há tempos, a páginas 97, no poema ‘Nietzsche em Itália’, deixando uma mancha castanha nas folhas. Entretanto, leio de uma assentada os belos poemas de outro livro, «terra nostra- (Açores, 1988-1991)», terras onde estaria mais tarde, por quatro vezes, em todas as ilhas, a que agora volto com JMFJ.

SOBRE O AUTOR

João Miguel Fernandes Jorge

1943, Bombarral. Poeta, prosador e crítico artístico, licenciado em Filosofia, desenvolveu também a atividade docente. Estreia-se na poesia com o volume Sob Sobre Voz, onde joga, de forma inquietante, com a não referencialidade de uma palavra que se situa na contiguidade com o indizível. Ou seja, nas palavras de Joaquim Manuel Magalhães, a perturbação gerada na leitura da sua poesia decorre da nossa formação ocidental, pela qual se torna "difícil de abdicar de um real para o qual as palavras não apontem" ("alguns descobriram que dizer barco não é arrastar à palavra um barco ou dizer aos outros que um barco está ali, mas revelar um local onde um barco não está, onde a memória dele se tornou uma música de fonemas em que desaparece o barco e o homem descobre a solidão que é dizer barco sem um barco ser. Este trabalho silencioso de captação da ausência percorre a obra de João Miguel Fernandes Jorge." (cf. MAGALHÃES, Joaquim Manuel - Os Dois Crepúsculos, Lisboa, A Regra do Jogo, 1981, pp. 224-225), ou, nas palavras do próprio autor: "O que me faz escrever este poema/não são as coisas: terra céu astros./A saber: estendo a mão: e/o mundo reconhece-a encontra a/memória onde repousa e se transforma./... Não sonho palavra sonho barco." ("Para outro texto", in Vinte e Nove Poemas, Lisboa, 1978). Confirmadas nos volumes que integram a sua Obra Poética, estas linhas de leitura remetem, segundo Fernando Guimarães, para um processo de "microrrealismo", pelo qual a "linguagem tende a testemunhar a evidência do conhecimento", ao mesmo tempo que as imagens ou metáforas se constituem como "núcleos de natureza conceptual": "João Miguel Fernandes Jorge parece fazer apelo à possibilidade de a linguagem se afastar de dois caminhos, o da metáfora e o da imagem, em que a poesia moderna tanto se fixou desde os finais do séc. XIX, privilegiando, antes, os caracteres apagadamente distintivos dos "sinais" ou, se se quiser, dos signos (...)", o poema fragmentando-se "através de múltiplas reminiscências, de uma linguagem desfocada, de uma disponibilidade subjetiva nem sempre previsível, de uma visão fluida da realidade e da natureza, de uma dispersão de significados às vezes percorridos por referências culturais ou de índole meramente circunstancial que, apesar de um descritivismo a que não raro se mantém fiel, se tornam dificilmente reconhecíveis. (...) A linguagem torna-se dispersiva, residual, e a consciência de que ela é inquestionável ou opaca a um possível significado" (GUIMARÃES, Fernando - A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim da Modernidade, Lisboa, Caminho, 1989, pp. 113-114). A publicação de Crónica, em 1977, inaugura na sua bibliografia uma outra estratégia discursiva, que parte da colagem de textos e motivos históricos com acontecimentos reais e míticos e com conteúdos subjetivos.

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