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Regresso ao Suez

de Stevie Davies
Editor: Livraria Civilização Editora, setembro de 2013 ‧
9,00€
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Regresso ao Suez é um drama humano e político envolvente, passado no período pós-guerra quando a Grã-Bretanha, o vencedor falido da Segunda Grande Guerra, tentou assumir-se como potência imperial num mundo totalmente alterado. O romance tem lugar imediatamente antes da Crise do Suez, que acabou por ser um modelo das futuras invasões do Iraque e do Afeganistão.
Nesta história comovente, a tragédia de Joe é a de um trabalhador comum da sua geração: é um homem encantador, bem-humorado e sentimental em quem a dose comum de racismo e misoginia ganha proporções doentias e dolorosas. Ailsa, inteligente, curiosa e ansiosa por explorar a realidade do Egito a que acaba de chegar, conhece, na viagem, Mona, uma palestiniana que a incentiva a desejar um mundo que está para lá dos seus horizontes.
Quando o melhor amigo de Joe é assassinado por terroristas egípcios, a relação entre Joe e Ailsa entra numa espiral de tragédia. Apesar de tudo, o amor resiste. Na velhice, a sua filha Nia recorda o passado e segue o rasto dos pais, atravessando o Canal do Suez acompanhada da agora idosa Mona. Foi dito a Nia que o seu pai era um herói da guerra: agora ela irá encarar uma dolorosa verdade.

«Steve Davies é uma das nossas autoras mais consistentes e continuamente subestimadas, cujos romances reveladores apareceram nas listas de finalistas do Booker e do Orange Prize, sem nunca conquistarem o prémio. Uma escrita absolutamente fantástica.»
The Guardian

«A pesquisa cuidada nunca interfere com a história e dá-lhe veracidade. As suas personagens são bem caraterizadas e realistas. Um livro gratificante e comovente.»
The Telegraph

«Davies escreve com uma intensidade que é ao mesmo tempo perturbadora e entusiasmante. A sua prosa é deliciosamente lírica, quer esteja a descrever o calor de Ismailia quer a chuva no País de Gales.»
Times Literary Supplement

Regresso ao Suez

de Stevie Davies

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722633796
Editor: Livraria Civilização Editora
Data de Lançamento: setembro de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 236 x 23 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 400
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722633796

Nostálgico

AS

Obra de uma autora com uma estatura intelectual absorvente. Excelente!

Diferente, sem dúvida!

Cláudia Pacheco

"Regresso ao Suez" é um livro difícil de classificar, assim como de explicar. Não porque seja mau, ou não tenha qualidade, mas porque não é um livro para todos os leitores; e mesmo para os que poderão gostar, não é um livro para todas as alturas. Antes de entrar na análise do conteúdo, gostava de dizer que gosto bastante da capa e da nuance do conteúdo que ela cria, com tons sépsia a cheirar memórias longínquas à procura de serem descobertas. O enredo leva-nos para uma Grã-Bretanha distante, onde a realidade da guerra ainda se impõe, e condiciona a vida de uma jovem Ailsa, ainda solteira e sem destino, e que descobrirá que a independência em períodos mais complicados pode não ser tão apetecível, se circundada pela solidão. Após o prefácio mais demorado saltamos logo para o Egipto e é neste país tão longínquo (ainda mais atendendo à época em questão, em que as comunicações, ainda que circulando a uma maior velocidade, não tinham o alcance que existe na actualidade) que se desenrola a acção que nos trará a verdadeira essência desta mulher. A estória desenrolou-se de uma forma que não esperava, pelo que gostei dos contornos surpreendentes até certo ponto, e que conseguiram despertar a minha atenção até à última página, apesar da estrutura algo confusa, e que abordarei em diante. O enfoque nas personagens principais permitiu uma exploração soberba tanto de Ailsa como de Joe, e até de Nia, que como criança teve um destaque algo inesperado mas bastante enriquecedor da acção. Não sei se por vezes não lhe achei o discurso mental muito adulto quando comparado com a reprodução dos seus diálogos, mas as suas aventuras tornaram este livro seguramente mais interessante. Quanto ao casal principal, é bastante interessante analisar a dualidade de opiniões e valores, dos interesses comuns (ou da sua inexistência), da análise perceptiva que é realizada ao contexto envolvente, e que trará as suas consequências no futuro. Resta dizer, e sem me alongar muito, que a sua interação é díspar, por vezes inusitada e algo incompreendida, mas que de alguma fará sentido no fim da narrativa. A grande questão surge no facto de que, ainda que nenhuma destas personagens possa ter uma conducta clara de preto no branco, por vezes vemo-nos a compadecer daquela que em circunstâncias normais iríamos repudiar. Mona é o género de pessoa que não podemos ignorar, nem que queiramos, porque ela ocupa toda a página, conseguindo até ser demasiado intrusiva e arruinar a paciência ao mais compreensivo leitor. Não é má nem apresenta uma conduta errada, mas funciona como ponto magnético que faz desaparecer toda a envolvente, tornando a leitura algo cansativa por vezes, sendo naturalmente a desencadeadora de uma série de momentos ao longo da obra. Vivendo numa comunidade britânica onde residiam os diversos militares em serviço no país (com as respectivas famílias) não posso facilmente esquecer as mais diversas personagens secundárias que até gostaria de ter visto mais exploradas, já que algumas das suas relações se subentendem por ilações do leitor mas nunca são clarificadas. A condução da narrativa e o conteúdo deste livro irá sem dúvida causar surpresa, e duvido muito que um número elevado de leitores facilmente depreenda o enlace final. O verdadeiro motivo que me leva a ficar algo reticente com este livro é a própria estrutura interna e a composição de Stevie Davies. É a primeira vez que leio algo da autora, pelo que não posso tirar ilações no sentido de perceber se esta condução da escrita perfaz o seu estilo habitual ou está apenas afecto a este livro, mas muito embora a sua atividade profissional ligada à escrita criativa naturalmente a leve para redações menos tradicionais, a estruturação deste livro acabou por se tornar confusa e incoerente para um olho menos atento. Na verdade, o livro apresenta vários universos temporais, que supostamente estão divididos por três partes identificadas no livro. O que resultaria em teoria, não fosse o facto de no interior de cada área saltitarmos de época para época, sem qualquer tipo de identificação, tendo como única divisória o parágrafo e por vezes um elemento espacial. Torna-se confuso para um leitor menos atento, até porque as personagens mudam, ou por vezes continuam as mesmas, com pelo menos 50 anos a dividi-las da narrativa anterior. As personagens são maioritariamente representadas pelas suas reflexões e pensamentos, que no entanto se intercalam sem identificação com a descrição de acontecimentos. Muitas vezes dei por mim a ler uma frase que julgava ser um raciocínio de uma personagem para acabar por descobrir a resposta de outra personagem em discurso habitual. Ou seja, as linhas de transição entre as várias componentes são bastante difusas, o que torna a leitura mais demorada, ou exigindo pelo menos uma maior atenção. E quanto ao fim, a relação de certas personagens fica suspensa, falta um sentido de conclusão que ultrapasse o desvendar dos segredos do passado, e crie uma interligação com o presente, que foi sempre algo estranho e desconexo. No fundo, as personagens e as suas relações são um dos pontos fortes desta narrativa, que nos fazem continuar e querer desvendar as suas conexões. Gostei, apesar de esperar algo diferente, e só gostava realmente que o livro tivesse outro tipo de composição, de forma a chegar mais facilmente a todo o tipo de leitores.

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