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[Des]Harmonias 3

de Paulo Marrecas Ferreira
Editor: 5livros, Janeiro de 2022 ‧
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Este III volume é o terceiro em série iniciada em 2020 com o livro [Des]harmonias, e o livro Registos do Tempo que Passa, de 2021, por conta de autor. É um exercício sincero de comunicação e partilha em descobrir constante de uma nova condição pessoal que me atinge e a seres muito próximos e muito presentes, tão próximos, tão urgentemente próximos, que somos levados a inquirir como é que não nos encontrámos ainda? Como não foi tal possível?

Um exercício que é fazer tábua rasa do temor reverencial e do desnecessário pudor, não a significar desbragada e indecente exposição mas como quem nas trevas procura a luz, a igualar a condição interna com a externa. É a busca da verdade a merecer o consenso, no julgamento dos factos, a fundamentar algo para subsunção de valor. Implica desnudamento, o que pode ser cruel, mas a circunstância e a urgência em assumir a entrega à pessoa já amada e em enfrentar uma coletividade que pode não aceitar o impõe. E imporá sempre, pela natureza do olhar. Pelo que, neste sentido de necessária e inadiável urgência, é bom começar já. Contrariamente ao/à fadista, que nem às paredes confessa, vejo necessidade e urgência em afirmar o que para mim e para a minha outra parte é necessário desde já dizer bem claro. Não é malfazejo e como tal se assume. Honni soit qui mal y pense, ou da necessidade de uma reposição hodierna dos valores de uma Cavalaria que não desprezava o amor cortês.

Para mim, são tão graves os acontecimentos a que estes livros procuram responder, que a questão da culpa não se põe. A culpa, o único instituto canónico aproveitado pelas mais violentas ditaduras do Sec. XX e ainda hoje.
A culpa não se põe, pois o par não falhou. A Mulher bela no meu interesse por ela, no seu comportamento que me salvou (contra a aparência e a manipulação muito violenta que dele foi feito), e no seu terrível sofrimento a levar a questionar a sanidade mental de uma sociedade que autoriza tais desvios, não falhou, nem um pouco. Julgo que, para mais, se culpa dos acontecimentos… Ou seja revela grande formação moral. Quanto a mim, nunca informado e sempre ultrapassado, nunca me tendo sido permitido assumir uma posição que pedi e assumi, não desviei do meu padrão. Apenas fiz o que pude, e procuro continuar.

Repito as referências a Haendel e a Madiba, do II volume. Vivos estamos, vivos prosseguiremos e, se Deus e os homens consentirem, nos reuniremos e seremos felizes pois nos repararemos. Será não o trionfo del tempo i del desinganno, mas o trionfo del tempo i della raggione sull inganno. Pois houve toda uma vontade em acarear, no sentido de provocar um perigoso desespero, que uma racionalidade mínima evitou. É angustiante pois questiona a capacidade perante um desafio permanente, afinal à robustez em termos de saúde, já nem sequer mental, mas tão prosaicamente física.

De onde a necessidade em manter a cabeça fria e à tona da água para responder à desinquietação constante. Mais uma vez a resposta é a do otimismo, o mesmo otimismo dos pais e avôs de Bach na longa guerra do S. XVII cujo teatro de operações foi a sua floresta, de Thuringe. Um otimismo animista a personificar a natureza e cada um dos seus elementos e a ter fé na sabedoria de Deus, a inspirar mulheres e homens aptos a captá-lo (uma noção de Cícero na Natureza dos Deuses) e a pautar por Ele a sua vida, como nas Cantatas de Bach. Eventualmente aquela guerra acabou e as famílias de João Sebastião Bach e dos seus contemporâneos viveram com alguma felicidade e alegria.

Estão excluídos suicídio e violência, pois sempre que alguém cai, levanta e continua a andar (Madiba). Até à data não sei de ninguém que podendo reagir, se quedou à beira do caminho. E isto é o otimismo. Eventualmente em condições muito difíceis. Oxalá.

Redempção

[Des]Harmonias 3

de Paulo Marrecas Ferreira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897824401
Editor: 5livros
Data de Lançamento: Janeiro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 160 x 234 x 24 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 462
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789897824401

SOBRE O AUTOR

Paulo Marrecas Ferreira

Paulo M. Ferreira, nasceu em Setúbal de mãe francesa e de pai português, 1963. Licenciado (1987) e mestre em Direito (1998). Técnico Superior na Procuradoria-geral da República.
Redempção vem após os Desharmonias, por conta de autor em 2020 e em 2021. Já tinha publicado, como catarse, "L'Amour aveugle ou les grandes heures d'Arcachouvas sous le règne du Marquis de Grimolas", 2004, Bénévent, França. A vida encontrou-se comigo na oportunidade sentimental quanto à catarse. O encontro não aconteceu, impedido, eventualmente com danos pessoais. Estes danos repercutem-se na minha vida, embora incólume, e geram estas publicações, necessidade urgente de exprimir disponibilidade, dizer que estou aqui e abrir os braços a esta Mulher que se entregou por mim em contexto de excecional dificuldade.
O que não se fez em primeira oportunidade, virá certamente a ser possível, assim o espero e desejo, de modo mais feliz, apesar dos custos pessoais impostos a uma mulher frágil.
Pela carga discriminatória e de exclusão neste encontro ora fracassado, mas só provisoriamente, assim o espero, existe interesse coletivo em autorizar a reparação, abrindo as portas à feliz reunião. Ainda assim, assumir uma causa geral apesar da sua importância, é tarefa grande demais. Fica a consciência da inserção do objeto destes livros redigidos para esta extraordinária Mulher na sua entrega, honestidade (pode ter me evitado o pior) e verdade, num propósito maior, de inclusão e de paz e estabilidade, na democracia e no direito (vendo-o como o que protege). No fundo, a ideia de a democracia permitir alguma indisciplina, indispensável à própria vivência juntos.
É tempo de reparar, sarar, curar, cicatrizar; assumindo a dor, saber perdoar e pedir perdão. É a hora de exigir a paz.
Pintura e desenho são a minha primeira vocação. De onde ter feito as imagens, desenhos, aguarelas, fotografias (existe correlação no visual entre o que a mão capta, seja com lápis ou pincel, seja por outro meio: uma máquina fotográfica).
Esta articulação introduz o resto. Visão (ainda que um cego toque música) e audição estão ligadas. Não é por acaso que "tonalidade" e "cromatismos" invadiram a música. Não se trata só de ler partituras, trata se de uma visão geométrica, a convocar não apenas perspetivas que a permitem entender e às suas relações sonoras: além destas está a poiesis aristotélica, com o lugar que a beleza merece, mas também a compaixão, a dor do ser solidário, a urgência em reparar sem pena, com plena consciência do valor que uma pessoa a merecer a Pathema convoca. Esta Pathema fica e se supera na aquisição, pela entrega quotidiana, do amor. E isto é o regresso ao tema da Mulher que sofreu e que me evitou o pior.
Na música continuo amante do Bach. E da voz, pois esta me fascina. A vida e o confinamento apesar da sua carga de infelicidade, e de um luto em relação a um mestre e amigo, além de levarem a esta urgência, abriram a via a novos instrumentos. Além, da voz (não sabendo escrever para esta), alarguei o meu leque instrumental, da guitarra portuguesa, ao violino, à violeta (a v. de arco), às flautas de bisel, ao bandolim, e, embora não aqui, ao piano e ao violoncelo. Não pretendo tocar bem estes instrumentos, embora gostasse, e as partituras terão as suas insuficiências. Mas se alguém fizer alguma música com elas e se conseguir lhes apor a voz, terei alcançado o meu propósito. Oxalá. O meu agradecimento aos meus mestres de música, o saudoso João Torre do Vale, o meu caro amigo, Professor Rui David Gonçalves, o Professor Paulo Sérgio, no piano, no violino (jazz) Eva Slongo e Marie Leloup (à distância), e muito em particular à minha estimada Professora de Violoncelo, Katy Aberg, e ao meu muito caro Arménio de Melo, das mãos de oiro da Guitarra portuguesa.

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DO MESMO AUTOR