Quem Tem Medo dos Santos da Casa
SINOPSE
Hoje encontramo-la a tecer tapetes numa casa escura que ninguém sabe o que esconde e é considerada uma espécie de bruxa que assusta as crianças; porém, é numa amizade improvável com Joana, uma menina que aprende com ela a amar os livros, que Maria Teresa encontrará a redenção.
Com um ritmo poético e introspetivo, a narrativa desenrola-se em pequenos fragmentos belíssimos que refletem as superstições de uma comunidade marcada por um episódio com consequências dramáticas. Mas onde todos veem horror Maria Teresa vê beleza e possibilidade. Terão, ela e Joana, medo dos santos da casa?
Romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, é na ficção que esta obra desafia algumas verdades.
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Mini-entrevista a Sara Duarte Brandão
Sara Duarte Brandão (Porto, 1997) é licenciada em Design de Comunicação, Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e doutoranda em Ciências da Educação. Cofundou a Truz Truz Editora e integra projetos que cruzam várias áreas artísticas. O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada.
Maria Teresa cresceu numa vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade encontrada nos livros. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido sonharam para ela, parte em busca da emancipação. Hoje, a tecer tapetes, é considerada uma bruxa que assusta crianças, mas é numa amizade improvável com Joana que encontra a sua redenção. Um romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, retirados da Igreja de São Pedro da Afurada.
Citação: «Na verdade, tudo o que escrevo e o que apago é um passo dado. Para onde não sei, mas também pouco interessa.»
Sara Duarte Brandão
Como surgiu a ideia para este livro?
Este livro é inspirado num acontecimento sucedido com as figuras religiosas de Altino Maia, esculpidas para a Igreja Paroquial de São Pedro da Afurada. Assim que me deparei com essa história — na FLUP, em Imagem e Contexto I —, senti uma necessidade imediata de construir um enredo em torno da Maria Teresa, uma personagem a quem já queria dar vida, mas que, até então, ainda não tinha um contexto.
Tem uma rotina de escrita?
As minhas rotinas de escrita variam com o projeto que tiver em mãos. Muitas vezes, infelizmente nem existem. Contudo, há mais de 77 semanas que troco um poema semanal — correspondente a um tema por nós escolhido —, com a poeta e amiga Daniela Frias Guerra.
Como lida com um bloqueio criativo?
Abandono o texto que me está a causar esse “bloqueio” por tempo indeterminado e procuro abraços de pessoas recetivas a aturar as minhas neuras. Com alguma distância, aceito que as obras têm tanto direito quanto eu a precisar de pausas e que algumas delas podem ser definitivas. Na verdade, tudo o que escrevo e o que apago é um passo dado. Para onde não sei, mas também pouco interessa.
Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
Esse ato que de tão belo é louco, e vice-versa: escrever. Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Acho que não, embora não seja o público-alvo dos livros de dicas para a vida, talvez por não querer ser confrontada com os meus hábitos menos positivos...
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Também porque escolhi o seu nome para a personagem principal do meu primeiro e único romance, hoje tenho de escolher a Maria Teresa Horta. Mas são muitos os autores e autoras com quem gostaria de jantar, tinha de se organizar o tal churrasco dos poetas em Portugal proposto, creio eu, pelo Manuel António Pina.
Qual o livro que já devia ter lido e ainda não leu?
Essa é uma lista sempre muito mais extensa do que a dos livros que efetivamente já li e vou lendo. Não a partilhando na íntegra, alguns que tenho na estante com pena de ainda não terem sido devorados são: Obra Poética, da Sophia de Mello Breyner Andresen; Obra Breve, de Fiama Hasse Pais Brandão; os dois volumos d’O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir; Calibã e a Bruxa, da Silvia Federici. E depois há aqueles que ainda nem foram folheados, como A Divina Comédia, do Dante e o O Nome da Rosa, do Umberto Eco, entre muitos que ficam por dizer.
Qual o livro que mais a marcou até hoje?
Depende do “hoje”. Diria que há muitos livros, depende sempre de qual das Saras do passado é que contemplo num momento específico. Com medo de me entristecer no futuro por não ter mencionado o livro x ou y, digo apenas que A Maior Flor do Mundo, do Saramago, ainda hoje cresce comigo.
Qual foi o último livro que ofereceu?
Caruncho, da Layla Martínez.
À conversa com Sara Duarte Brandão [Vídeo]
Sara Duarte Brandão é a vencedora do Prémio Wook Novos Autores 2025, com o seu primeiro romance, Quem Tem Medo dos Santos da Casa.
Em entrevista ao Wookacontece, a jovem autora nascida em 1997 e formada em Design de Comunicação e Estudos Literários, revela como a obra nasceu do encontro entre palavras e imagens, da comoção diante das figuras de Altino Maia e da necessidade de criar Maria Teresa — uma mulher que desobedece para existir.
A escritora fala do medo do desconhecido, das comunidades que se fecham para não ver, e da coragem íntima que move as suas personagens, numa narrativa onde o amor, a tragédia e a arte se tocam, e onde cada leitura reescreve o que ficou dito.
À conversa com Sara Duarte Brandão, uma entrevista exclusiva do Wookacontece.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789722085014 |
| Editor: | Dom Quixote |
| Data de Lançamento: | março de 2025 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 158 x 238 x 15 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 240 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789722085014 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Review do livro
Patrícia
Comprei o livro por acaso e acabei por gostar muito. Mal posso esperar por mais deta autora.
MORRE-SE COM OS ANOS QUE SE TEM QUANDO SE MORRE.
Nogueira Pinto
Um livro tanto é um pedaço de tempo perdido como uma trama infinita, tentado a ler pelo distinção que recebeu da Wook, não fiquei desapontado, muito pelo contrário, excelente escrita, afinal, de que nos serve prender um pássaro que voa? Auguro um bem-aventurado caminho à autora, irei ler, certamente outros livros, importante é a chegada, que caminhar é só seguir. Porque a idade é a quantidade de tempo que se sobreviveu, nem sempre a que se vive, deixo à autora PARABÈNS.
Bela estreia
Rita
Maria Teresa nasce numa vila junto ao rio, no seio de uma família religiosa e tradicional para quem o destino da menina será fazer um bom casamento. O avô desperta nela o gosto pela leitura e logo desde cedo, quando se sentava num banco e ainda nem chegava com os pés ao chão, Maria Teresa refugia-se nos livros e imagina uma vida repleta de sonhos. Mas a vida, como quase sempre acontece, tem outros planos. E é nesse caminho tortuoso da realidade que Maria Teresa percorre com a dor e a infelicidade de quem sente as suas asas cortadas, na luta entre a tradição e a liberdade individual, que toma uma decisão definitiva. Ao longo da história vamos saltando entre a vida de Maria Teresa menina, de Maria Teresa crescida e de Maria Teresa idosa, para que possamos compreender as circunstâncias em que se encontra atualmente: uma figura estranha rodeada de santos, livros e memórias que, das poucas vezes que sai de casa, atrai os olhares e a incompreensão dos vizinhos. Este é um romance poético e muito português, que mistura memória, superstição, religião e crítica social através da história de uma mulher que tenta libertar-se das expectativas dos outros. É um livro curto, mas cheio de camadas emocionais e simbólicas. Do que gostei mais? Da escrita delicada e muito literária (a autora consegue dizer muito com poucas palavras, embora os capítulos tão curtos me tenham sabido a pouco) e da crítica à hipocrisia social: aquela comunidade vive rodeada de símbolos religiosos (os santos), mas julga e exclui a vizinha. É mais fácil venerar estátuas de santos do que compreender pessoas reais. A sociedade rejeita, por norma, aquilo que não entende. Seja uma velhota solitária, seja uma igreja nova construída num espaço pouco convencional. Muito curiosa com o que a autora vai escrever a seguir.
Livro que nos toca a alma
Sara Jesus
Um primeiro livro brilhante. Contado através de fragmentos de uma mulher obrigada a obedecer ás ordens do pai e do marido. Maria Teresa, com a sua alma de poeta e a sua vontade de fugir daquela vida que aprisiona os seus sonhos. Anos mais tarde será na sua amizade com a pequena Joana que voltará a encontrar a alegria perdida. É um livro de palavras bonitas que nos toca no coração. Personagens que querem sair do papel. A história dos santos renegados, mas que voltaram a encontrar um lar.
Uma estreia literária
Cláudia Santos
A história de uma pobre mulher pobre que vive rodeada dos seus Santos. Amada ou odiada, esta senhora encontra a sua companhia numa personagem improvável. Uma narrativa dentro da própria narrativa. Capítulos curtos cheios de sabedoria.
Original e muito poético
Rita Marques
Escrita madura e poética a desta jovem autora que, se afirma assim, da melhor forma no panorama literário português. A narrativa fragmentada é deliciosa, extremamente bem construída e obriga à reflexão. Para ler e saborear cada palavra!
Personagens grandiosas numa história terna
Ler, um prazer adquirido
Maria Teresa é uma personagem luminosa que muitos desprezam. Os Santos da sua casa são os seus companheiros e apoio em todos os momentos. Mulher sensível e inteligente, estranha por isso, encontra na pequena Joana uma alma compreensiva que percebe o valor dos livros e este romance de capítulos curtos usa poucas palavras para tanto dizer. Relembramos a moral de época com critica e vigilância mas pouco afeto que tolhia a imaginação e combinava o futuro. Um narrativa simples e rápida para uma história comum com um desenrolar diferente que, vai alternando sem equívocos o passado e o presente desta personagem. Não se nota nada que adorei este livro, pois não?
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