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Queda-Livre

de Carlos Bertão
Editor: Chiado Books, maio de 2016 ‧
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Vivemos o que é banal e, portanto, somos o que é banal. Perdemos a beleza, a vida apaixonada e o amor, perdemos o espanto e a ingenuidade do olhar, a sensibilidade do pensar e a liberdade de o fazer. Habitamos o reino do híper, do ultrassensível, à medida da fruição imediata e do consumo da aparência num espetáculo de existir contemporâneo, em todo o seu esplendor de aparência e diluição como fogo de artificio que é. A questão é: quando é que deixámos de ser sujeitos e passámos a ser sujeitados? Vivemos uma vida sem paixão e sem beleza, numa total imersão no vazio e na distopia, com tudo o que isso implica.Por isso proferimos a grande recusa. A recusa em ser sujeitado. Com isso escolhemos a angústia e desvelamos o que houver para ver: Apatia face ao relativismo axiológico e à recusa de Deus; hedonismo, que opera como elixir soporífero da angustia e da escolha, introduzido como novo principio moral; sedução, como nova teoria estética; desencanto, perante a decadência do engajamento politico (apesar de sermos acção e projecto e assim os senhores da história); ausência de paixão e instrumentalização da razão, do saber; recusa da estandardização, da rigidez, do conservadorismo, de tudo o que de perto ou de longe se assemelhe ao burocrático; incapacidade do estável e do duradouro; culto do ócio, do presente, do momento e do novo; olhar desesperançado sobre um futuro incerto, fugaz e absolutamente imprevisível. Todas estas tendências vêm-se conjugadas numa atitude, num só, num estar-aí que é sintomático. Este é o grito sacralizado(r) de uma existência eufórica, inebriante e exacerbada. Num mundo em que Deus está morto, em que estamos irremediavelmente entregues a nós próprios, ás nossas singelas e míseras existências. Sem desculpas, resta-nos ver tudo, fazer tudo e mostrar tudo, procurar assim um caminho no meio do caos distópico, uma ébria, mas livre possibilidade afrodisíaca de mergulhar na existência, no nada, na morte, na angústia, na migalha que sobrar no chão das estátuas vetustas e das calçadas gastas.

Queda-Livre

de Carlos Bertão

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895176083
Editor: Chiado Books
Data de Lançamento: maio de 2016
Idioma: Português
Dimensões: 143 x 220 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Coleção: Prazeres Poéticos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789895176083

A excelência de um jovem

Fernando Alves

O poema "hera" é fantástico. O livro é uma lufada de ar fresco. O autor parece procurar vários caminhos poéticos distintos o que oferece ao leitor uma experiência gratificante.

SOBRE O AUTOR

Carlos Bertão

Carlos Bertão nasceu em 1994 na Póvoa de Varzim e é estudante de Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Publicou recentemente um poema na VI Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o sono e o sonho" sob a chancela da Chiado Editora e actualmente é colaborador no jornal da AEFDUP "Tribuna".

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