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Povo

de Afonso Ribeiro
Editor: Edições Esgotadas, setembro de 2022 ‧
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Professor primário em zonas rurais, o contacto com as desigualdades sociais e com as carências das classes mais desfavorecidas inspira Afonso Ribeiro para uma prosa atenta à verosimilhança da fala das personagens, aos seus problemas e escravidões. Reclamando, desde os seus primeiros escritos, a falsidade de qualquer visão idílica sobre o homem do campo, denuncia a pobreza moral de proprietários, proclamando a necessidade de olhar para o mundo rural com olhos diferentes dos que tinham habituado o leitor a ver, na ficção campestre, o casticismo, a vida sadia ou a sobrevivência de valores decaídos.

"Falar do homem do campo, do trabalhador da terra e esquecer as suas angústias inconfessadas, os seus músculos doridos, o seu olhar triste - da tristeza horrível que nada aguarda, nada! - parece-me feio embuste", confessaria o escritor ao historiador de literatura e crítico literário Alexandre Pinheiro Torres, no fim da década de 70, numa das raras entrevistas que concedeu.

A obra Povo (1947) tem o mérito de nos transportar à realidade de uma vida nem sempre apreciada com aquele sentido de observação que só temperamentos especiais, invulgarmente penetrantes, podem captar.

Povo

de Afonso Ribeiro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899092600
Editor: Edições Esgotadas
Data de Lançamento: setembro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 211 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 185
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 9789899092600

SOBRE O AUTOR

Afonso Ribeiro

Afonso Ribeiro nasceu em 1911, na Vila da Rua, Moimenta da Beira, foi professor primário e conhecedor profundo das classes pobres das zonas rurais, da sua vida árdua, aliada à falta de solidariedade dos proprietários de terras. Inspiração que passou, sem artifícios, para os seus catorze livros, nos quais desmistifica a vida feliz e saudável da vida no campo e constrói narrativas reais de existências tristes, de fome, doença e trabalho agrícola "escravo".
Como um dos fundadores do Sol Nascente, em 1938 publicou Ilusão Na Morte, obra censurada pela PIDE, que o consagrou como precursor do neorrealismo. A sua vida ficou marcada pela perseguição do regime de Salazar, que o impediu de ser docente, o levou para o jornalismo, e até após a sua fuga para Moçambique, não só lhe fechou todas as portas, como chegou a levá-lo para a prisão. Dez anos após o seu regresso a Portugal, em 1986, já mergulhado num certo esquecimento e falta de dinheiro, escreve ainda A Árvore e os Frutos.
O brilhante autor e contista da Vila da Rua morreu em Cascais, em 1993.

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