Poesia Reunida

de João Luís Barreto Guimarães
Editor: Quetzal Editores, outubro de 2011 ‧
Excerto:

vê o pouco que ficou das longas tardes
de agosto (pálida sombra de um relógio
na pele do último verão) não te percas
a chorar para antecipar o inverno

é o sítio das nuvens que escolhe os
lugares onde cai sol. essa luz não
escurece o lado cansado das mãos é

estranho revisitar uma praia sem pegadas
sentir proteção por saber acompanhar
o refrão que cruza as ondas da rádio.

as vagas trazem à praia o outono das
algas do mar (vão ensaiando maduras a
rebentação mais perfeita) cegas na voz
do marulho cegas no próprio refrão

«[…] o nome de João Luís Barreto Guimarães é absolutamente central no quadro da evolução da linguagem poética portuguesa, principalmente se pensarmos essa evolução em termos de rutura ou continuidade quanto ao que os últimos 30 anos nos ofereceram.» António Carlos Cortez, JL

« Exemplar na arte da observação, o poeta recolhe acasos e gestos, pequenas epifanias, histórias breves, o trabalho da melancolia. Uma melancolia que ganha terreno na terceira fase, a dos últimos livros, muito atentos aos rituais quotidianos, aos estragos que a rotina provoca nos corpos e nos espaços domésticos, ao confronto com a ideia da morte e da perda. Por muito que J.L.B.G., médico de profissão, afirme que a poesia é uma “doença” que não se deseja a ninguém, a verdade é que ele só sabe escrever “de dentro da vida” e faz sempre da vida (e da escrita) uma celebração.»
José Mário Silva, Expresso, Atual

Poesia Reunida

de João Luís Barreto Guimarães

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725649718
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: outubro de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 232 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 328
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789725649718

Leitura importante

João Coelho

A obra poética de João Luís Barreto Guimarães é uma leitura importante porque se destaca da literatura 'comum', partilhando uma dimensão diferente e reveladora das mais pequenas coisas (como a partilha de um café ou pormenores singulares que por norma passariam ao lado). Definitivamente recomendado.

Poesia Reunida

Vitor Lopes

(...) faz mais sombra a parra do que o vinho mas quando os lábios estão de uva a boca fica mais tempo na voz urgente chamando os dedos os campos que a chuva planta desde o princípio da sede Uma voz fresca e singular da nova poesia portuguesa que importa descobrir e acompanhar. Em João Luís Barreto Guimarães, a sensibilidade lírica, enredada, por vezes, numa pungente melancolia que a cinzenta Leça da Palmeira estimula, a mecânica não é descurada: a literatura vive tanto da altura a que nos eleva o seu emotionware, como da filigranagem que suporta a ideia criativa, fixada naquela instalação única com que o escritor quis impressionar os seus destinatários. Se em Lobo Antunes a forma antigiu uma desafiante complexidade conceptual, autonomizando-se da preponderância do enredo, João Luís Guimarães diverte-nos com o insólito, ora plástico, ora semiótico da tinta disposta no papel. "eu calipto tu lipas ele fante" um do quatro dia de ano novo os sinais do engano povoam o cais das palavras: estarei no centro de d(eu)s? 10embro

SOBRE O AUTOR

João Luís Barreto Guimarães

João Luís Barreto Guimarães nasceu no Porto em junho de 1967. Além de poeta e tradutor é médico, e publicou o seu primeiro livro em 1989. Claridade (2024) é o seu nono título na Quetzal, após a publicação da Poesia Reunida em 2011; Você está Aqui (2013); Mediterrâneo (2016, Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa e Willow Run Poetry Book Award, EUA); Nómada (2018, Prémio Livro de Poesia do Ano Bertrand e Prémio Literário Armando da Silva Carvalho); a antologia O Tempo Avança por Sílabas (2019, publicada na Croácia, Macedónia e Brasil); Movimento (2020, Grande Prémio de Literatura DST); Aberto Todos os Dias (2023) e Poesia Reunida (2023). A sua obra está publicada em Espanha, França, Chéquia, Itália, Polónia, Egito, Grécia, Sérvia, Finlândia, Croácia, Macedónia, Brasil e EUA. Recebeu o Prémio Pessoa em 2022.

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