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Os Tomates Enlatados

de Benjamin Péret
Editor: Antígona, outubro de 2020 ‧
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Em 1928, nas catacumbas de Paris, aguardava-se com expectativa o volume final de uma profaníssima trindade de ficções surrealistas, que sucederia a História do Olho, de Georges Bataille, e a A Cona de Irene, de Louis Aragon. A obra foi censurada antes mesmo da sua publicação, quando a polícia, de visita a uma tipografia clandestina, deparou com as injuriosas páginas de um livro chamado Os Colhões Enraivecidos. O seu autor, Benjamin Péret, só viria a publicála em 1958 sob o pseudónimo Satyremont e com um título para toda a família.

Adornado de sete beatíficas ilustrações de Yves Tanguy, Os Tomates Enlatados relata as sumarentas investidas de um visconde folgazão e da sua entourage avessa à abstinência, benzendo-as com poemas onde paisnossos e ave-marias se entrelaçam com a mais debochada e prevaricadora linguagem.

Os Tomates Enlatados

de Benjamin Péret

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726083764
Editor: Antígona
Data de Lançamento: outubro de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 106 x 162 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 96
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Literatura Erótica
EAN: 9789726083764

Pornografia feita arte surrealista

Ana

Para qualquer religião ocidental, toda a literatura erótica ou pornográfica é ateísta e pecaminosa por natureza, por isso misturar em texto pornográfico referências a personagens, atos, imagens ou acontecimentos religiosos é uma dupla provocação. No entanto, não é nessa vertente que este livro de Péret é original, muitos outros autores nestes estilos literários o fizeram. Para se poder usufruir deste livro em particular é necessário gostar de literatura surrealista e deixar-se levar pela sua escrita semiológica. Tal significa que este livro é para quem está disponível para se divertir com fantasias mais pictóricas que realistas, que os desenhos de Tanguy rusticamente ambientam. Não desprezando a pornografia pura e dura, possuir esta pequena obra de Péret é ter ilustrativo acesso a um período ricamente semiótico da arte. Também há de ser uma importante referência numa cada vez mais urgente e pertinente antropologia do erotismo e da pornografia. Com um agradecimento à Antígona e a Torcato Sepúlveda.

SOBRE O AUTOR

Benjamin Péret

Benjamin Péret (1899-1959), estudante pouco aplicado, é empurrado pela mãe para o exército depois de profanar uma estátua. O uniforme não assenta bem ao provocador dadaísta, e essa obstinada transgressão acompanha-o durante toda a vida.

Em 1924, abandona Dadá para seguir Breton e fundar a revista La Révolution surréaliste; junta-se ao Partido Comunista Francês, mas logo renuncia ao estalinismo. Emigrado no Brasil, adere à oposição trotskista e é expulso pelo regime de Vargas. Luta ao lado dos anarquistas na Guerra Civil Espanhola e, durante a França de Vichy, o seu antimilitarismo lança-o na prisão como agitador; depois do exílio no México, regressa a Paris em 1948, permanecendo até à morte ao lado de surrealistas e libertários, publicando títulos como Le Déshonneur des poètes e Anthologie de l’amour sublime.

Viveu na obscuridade e sem um tostão, mas a sua intransigência permitiu uma obra sempre aberta à maravilha. A sua inscrição tumular diz tudo sobre a encarnação do refractário: «Desse pão não como.»

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