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Os Dois Sistemas Máximos da Vida

Abel ou Caim?

de Zeferino Lopes
Editor: LisbonPress, outubro de 2024 ‧
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De acordo com a teoria de René Girard, o homem, como todos os animais superiores, é um ser mimético: deseja somente aquilo que o outro também deseja, aquilo que o Outro, seu modelo, lhe indica como sendo o mais desejável. Daí que, no concurso para o mesmo objeto, surjam rivalidades, e os indivíduos em disputa façam obstáculo um ao outro, ao mesmo tempo que se imitam não só no desejo do mesmo objeto como nas artimanhas e lutas, para fazer obstáculo um ao outro.

Assim, a atenção de cada um centra-se no seu opositor, no seu modelo e obstáculo, acabando por desaparecer o próprio objeto pelo qual se fazia a disputa inicial. Deste modo, o desejo mimético gera violência recíproca também ela mimética: cada um imita o outro nos mesmo golpes, nas mesmas armas, nas mesmas estratégias e táticas. A luta generaliza-se e alastra a todos os membros da comunidade por contágio mimético, gerando-se a confusão violenta, na qual não é possível distinguir a violência de um da de todos os outros: é a luta de todos contra todos.

É esta luta que, segundo Girard, nos primórdios da humanidade, terá conduzido os hominídeos, de um momento para o outro, a descarregar a sua violência num só, acusando-o de ser o verdadeiro responsável pelo sofrimento e por todos os males e desavenças na comunidade - ele é o verdadeiro bode expiatório. Viram-se todos contra um. Ele é assassinado e expulso da comunidade porque representa o próprio mal, o sofrimento e a dor.

Mas, porque depois da sua morte, a calma regressou - já que se convenceram que se desfizeram da causa de todos os seus males - então aquela vítima, que até aí tinha sido considerada demoníaca e terrivelmente má, passa a ser vista com um poder transcendente e sagrado, capaz de reconciliar em seu redor a comunidade, capaz de lhe trazer, agora, a paz e a reconciliação através da qual a vida se torna, agora, possível. Esta vítima sacralizada estaria, então, na origem não só das sociedades humanas como da sua religião e cultura, pois tudo a ela era atribuído. Teria nascido, assim, segundo Girard, a humanidade mas contaminada deste pecado original da violência do qual até agora ela ainda não conseguiu libertar-se, apesar da Revelação, para passar a um novo sistema máximo de vida.

Os Dois Sistemas Máximos da Vida

Abel ou Caim?

de Zeferino Lopes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789893787281
Editor: LisbonPress
Data de Lançamento: outubro de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 160 x 237 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 238
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789893787281

SOBRE O AUTOR

Zeferino Lopes

Zeferino Manuel Moreira Lopes, nascido a 24 de março de 1954 na freguesia de Peroselo (Penafiel) cedo se destacou como bom aluno na Escola Primária. Fez os estudos secundários no Seminário Diocesano do Porto e Liceu D. Manuel II do Porto. Concluiu, em janeiro de 1978, a Licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a média geral de 15 valores.
Foi Professor de Português, História e Estudos Sociais no Ciclo Preparatório desde 5 de março de 1975 até junho/78, nas escolas Preparatórias de Macedo de Cavaleiros e Ramalho Ortigão (Porto); Professor de Filosofia, Psicologia, Introdução à Política e Psicossociologia dos cursos complementares do Ensino Secundário (10º, 11º e 12º anos), a partir de 78/79, ano em que realizou o Estágio Clássico, em Filosofia, na Escola Secundária Rodrigues de Freitas (Porto). Lecionou na Escola Secundária de Artes Decorativas (Porto) e Secundária do Marco de Canaveses. Desde 82/83, foi professor efetivo (PQND) da Escola Secundária de Penafiel onde exerceu vários cargos tais como membro do conselho diretivo entre outros. Foi também Professor/Monitor de Marketing num curso de formação profissional subsidiado pela Comunidade Europeia.
Concluiu o mestrado em Filosofia/Antropologia na Faculdade de Filosofia de Braga (Universidade Católica Portuguesa) em 20/nov./97 com a dissertação Nova Ciência da Religião e do Homem para o Novo Milénio – contributo da tese antropológica de René Girard, publicada na editora "Lisbon International Press". Lecionou, como Professor adjunto, Filosofia da Educação no Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE - Felgueiras) no ano de 2000. Frequentou Cursos Intensivos Erasmus sobre Antropologia Filosófica e Antropologia Clínica nas Universidades: Facultés Universitaires de Notre-Dame de La Paix em Namur - Bélgica (set. 1995), Université de Rennes 2 - França (Set. 1996) e Colóquio Internacional de Antropologia Clínica também na Université de Rennes 2, Département Sciences du Langage - França (maio 1995).
Publicou, para além de pequenos artigos em jornais (muitos dos quais n’O Penafidelense compõem este livro Os Dois Sistemas Máximos da Vida – Abel ou Caim?, publicado nesta editora, 2024), um artigo intitulado «Para uma Nova Ciência dos Mitos» na perspetiva de René Girard, na Revista Portuguesa de Filosofia, Tomo LVI, Faculdade de Filosofia de Braga - UCP, Jan./Jun. 2000, pp.143-160. Em 2007 doutorou-se em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa (Fac. Filosofia de Braga) com a tese Que Futuro Hoje? - Economia, violência e sagrado na perspetiva de Jean-Pierre Dupuy editada pelas Publicações Maitreya.
Tem uma perspetiva simultaneamente ética e estética da cultura e da ciência. Por este motivo, interessa-se pela defesa do património natural e cultural e apoia os movimentos em defesa da não-violência.

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