Os Detetives Selvagens

de Roberto Bolaño
Editor: Quetzal Editores, novembro de 2017 ‧
Arturo Belano e Ulisses Lima, os detetives selvagens, saem em busca das pegadas deixadas por Cesárea Tinajero, a misteriosa escritora desaparecida no México nos anos que imediatamente se seguiram à revolução. Essa busca - a viagem e as suas consequências - desenrola-se ao longo de 20 anos (de 1976 a 1996), o tempo canónico de qualquer errância, e bifurca-se através de múltiplas personagens e de múltiplos continentes, num romance em que há de tudo: amores e mortes, assassínios e passeios turísticos, manicómios e universidades, desaparecimentos e aparições. Os cenários são o México, a Nicarágua, os Estados Unidos, França, Espanha, Áustria, Israel, África, territórios por onde passa a demanda destes detetives selvagens, poetas «desesperados» e traficantes ocasionais.

Entre as personagens destacam-se um fotógrafo espanhol no nível mais desesperado do desespero; um neonazi borderline; um toureiro mexicano aposentado que vive no deserto; uma estudante francesa leitora de Sade; uma prostituta adolescente em fuga permanente; um editor mexicano perseguido por pistoleiros a soldo.
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De Leitor a Protagonista

Um leitor é, em certa medida, um voyeur. Quando lemos um livro, abrimos uma janela através da qual podemos espiar a vida de outras pessoas, reais ou não, isso pouco importa, sem sermos vistos ou julgados, acompanhando a forma como elas lidam com problemas que lhes surgem. À medida que avançamos na leitura, essa janela por onde víamos outras pessoas transforma-se num espelho e as vidas que julgávamos estar a espiar são, afinal, versões nossas que ainda não tínhamos tido lucidez para encarar. Este fenómeno de nos colocarmos na pele de uma personagem é particularmente forte nos romances de formação, um género literário que narra o crescimento e amadurecimento psicológico, moral e emocional de uma personagem, geralmente desde a infância ou juventude até à idade adulta. Cada passo que a personagem dá é também um passo nosso e, sem darmos por isso, vamo-nos descobrindo nas entrelinhas. De Amanhã em Amanhã, de Gabrielle Zevin Gabrielle Zevin cria um jogo narrativo muito interessante em De Amanhã em Amanhã. As duas personagens principais, Sadie e Sam, conhecem-se em crianças e têm em comum a paixão por videojogos. À medida que crescem, essa paixão torna-se num elo que os une e separa, moldando a sua amizade e as suas personalidades. Habituados à possibilidade de repetir níveis e reiniciar jogos, confrontam-se com a realidade, onde os erros não podem ser desfeitos tão facilmente. No romance, assistimos a vários reinícios, tentativas, falhas e reconciliações, todos parte de uma jornada de crescimento e descoberta pessoal. Sadie e Sam aprendem que, ao contrário dos videojogos, a vida não oferece pausas nem reinícios fáceis, exige deles coragem para enfrentar as consequências das suas escolhas. Através desta metáfora, Gabrielle Zevin constrói um romance de formação moderno, que explora a complexidade das relações humanas, a passagem do tempo e a busca incessante por redenção e identidade. É uma narrativa que nos convida a refletir sobre como os erros, longe de nos definirem para sempre, são frequentemente o motor do nosso crescimento e transformação. COMPRO NA WOOK! » Os Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño Os Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño, não é um romance de formação típico. Longe de ser uma espécie de mapa onde acompanhamos o percurso de uma ou mais personagens, o romance do autor chileno é um labirinto. As personagens principais do livro, Arturo Belano, Ulisses Lima e Juan García Madero, um grupo de poetas, embarcam numa viagem fragmentada e delirante que começa na Cidade do México, passa pelo deserto de Sonora e se estende por vários países do mundo. O objetivo que os move é insólito: seguir os passos de Cesárea Tinajero, uma poetisa misteriosa, com pouca obra publicada, mas que se tornou figura de culto entre os jovens poetas. Os Detetives Selvagens é um romance de formação às avessas: não há uma chegada clara, não há lições bem aprendidas, apenas o crescimento que se dá na deriva e na falha. Bolaño desmonta a ideia de que crescer é ganhar forma. Para estes detetives-poetas, crescer é perder-se, multiplicar-se, apagar-se. A beleza deste livro reside na recusa em oferecer um trajeto e na coragem de fazer do caos um modo de estar no mundo e na literatura. COMPRO NA WOOK! » Shuggie Bain, de Douglas Stuart Enquanto Os Detetives Selvagens se foca na ideia de errância e de fuga sem destino como motor de toda a história, Shuggie Bain, de Douglas Stuart, é um livro que centra as atenções na procura lenta e interior pelo amadurecimento. Uma viagem íntima. Shuggie, o protagonista, é um rapaz sensível e deslocado, inserido num ambiente pobre e em mudança – a Escócia industrial dos anos 80 –, que vive com a mãe, uma mulher alcoólica. Esta é uma leitura dura e comovente, onde assistimos, na primeira fila, à luta deste rapaz por uma mãe que o negligencia e retrai, e a busca pela sua verdadeira identidade, que um dia poderá libertá-lo. O romance, vencedor do Booker Prize em 2020, reverbera as consequências desta luta e mostra que a dor e a ternura podem coexistir e que, no caso de Shuggie, tal como no de muitos rapazes e raparigas em condições semelhantes, crescer não é um triunfo, mas sim uma disputa íntima e persistente, travada num território de resistência e perda, para não ceder ao desespero. COMPRO NA WOOK! » A Arte da Alegria, de Goliarda Sapienza Há muitos pontos de ligação entre o romance de Douglas Stuart e A Arte da Alegria, de Goliarda Sapienza, mas os dois protagonistas são bastante distintos. Se Shuggie fosse um animal, seria um ouriço, protegido por uma couraça de espinhos que resguarda o seu interior sensível do mundo exterior. Por outro lado, Modesta, a heroína de A Arte da Alegria, seria uma águia: sempre vigilante, de visão aguçada e domínio do território, movida por um profundo sentido de liberdade. Nascida entre os séculos XIX e XX, como uma premonição das mudanças que estavam por vir, Modesta cresce numa sociedade patriarcal e tradicional que limita o poder da mulher, relegando-a a um estatuto inferior ao do homem. Ao contrário de Shuggie, que se protege erguendo uma carapaça, a jovem italiana, inteligente e obstinada, reinventa-se e resiste, impondo a sua força sem medo de represálias. Em contracorrente com o pensamento da época, este romance apresenta uma mulher que desafia convenções, explora a sua sexualidade sem receios, rompe tabus e recusa os papéis submissos que lhe foram impostos, afirmando-se com uma força inabalável e uma liberdade conquistada a pulso. COMPRO NA WOOK! » A Outra Metade, de Brit Bennett Em A Outra Metade, a escritora norte-americana Brit Bennett parte de uma premissa fascinante para abordar temas como o racismo, a identidade e a diferença. O romance acompanha as vidas das gémeas Stella e Desiree que, apesar de partilharem o mesmo passado, seguem caminhos muito diferentes. Stella opta por ocultar a sua origem racial, assumindo-se como branca, enquanto Desiree permanece na comunidade negra que as criou. Essa separação cria um abismo entre elas, explorando as tensões entre pertença e negação, segredo e verdade. À medida que as suas histórias se entrelaçam e desvendam, Bennett revela como o legado familiar e social molda decisões, relações e o próprio sentido de identidade. No centro da narrativa está a busca por aceitação e autenticidade num mundo dividido pelo preconceito, onde crescer é um ato de coragem e resistência. COMPRO NA WOOK! »

Os Detetives Selvagens

de Roberto Bolaño

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897224157
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: novembro de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 236 x 48 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 792
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897224157
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

História Intrigante

Rui Moura

É daqueles livros que nos prende desde o princípio até ao fim pela história que nos conta e pela escrita genial de Roberto Bolaño. Recomendo vivamente.

Um livro colossal

TC

Bolaño tem uma escrita muito envolvente que agarra o leitor muito fortemente, logo desde as primeiras páginas. É um livro muito interessante. Nomeadamente, na multiplicidade de narradores que constituem a narrativa da segunda parte deste livro. O caracter subjectivo da narração está muito bem conseguido.

Bolaño no seu melhor

Nuno

Livro incrível. Talvez até melhor que 2666.

Leitores detectives

Fábio Martins

Este romance narra a trajetória do poeta García Madero, junto do movimento real visceralista, do qual são protagonistas Arturo Belano e Ulisses Lima. O livro está dividido em três partes, sendo a primeira e a última escritas em formato de diário e a parte central uma recolha de depoimentos de diversas personagens que conviveram ou conheceram os protagonistas. Os temas centrais do livro são: a literatura latino-americana, o destino que comanda a vida, a sexualidade e a busca de um propósito de vida. Uma escrita original, muito densa, onde se pode destacar o enorme talento do autor.

SOBRE O AUTOR

Roberto Bolaño

Roberto Bolaño nasceu em Santiago do Chile, em 1953. Mudou-se, na adolescência, para a Cidade do México, regressando ao país natal pouco antes do golpe que depôs Salvador Allende, em 1973. Instalou-se depois em Espanha, onde dedicou os seus últimos dez anos de vida à escrita, construindo um universo literário único, num estilo inconfundível e irreverente, no qual a violência, a marginalidade, a sexualidade, a literatura ou o exílio são temas recorrentes. Com mais de vinte obras que incluem romances, contos, poesia e não-ficção, e vencedor de numerosos prémios, Bolaño tornou-se um autor de culto consagrado pela crítica e pelos leitores, unanimemente considerado a voz literária da América Latina mais importante da sua geração.

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