Oblíqua Mente
Literatura e identidades
Editor:
Caleidoscópio, setembro de 2019 ‧
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SINOPSE
A linha geométrica designada como oblíqua parece tornar-se aqui fecunda, já que qualquer aproximação a uma obra de arte, e de entre as diferentes artes, à literatura em particular, usará irremediavelmente de um filtro ou viés que é o da subjectividade tanto a de quem lê e comenta como a do próprio sujeito artista. Por isso, razão parece terem os versos de Emily Dickinson, quando neles se aconselha procedimentos oblíquos no discurso, embora o contexto em que a declaração é feita mostre a intenção de obliquidade como apenas uma possibilidade entre outras.
Julgo porém não ser possível existir arte sem subterfúgio ou fingimento, mesmo quando nela se confessa dizer a verdade (e até aí, sobretudo aí, o fingimento é necessariamente maior). No seu penúltimo romance - Irene ou o Contrato Social - Maria Velho da Costa assegura que: a arte não é nada à vida. Mas como isso não é totalmente evidente, nem para a própria escritora que, num outro livro - O Mapa Cor de Rosa, garante o oposto: Tudo, tudo é autobiográfico. Entre tantos mais exemplos, Gertrud Stein escrevera: You are of course never yourself.
E Fernando Pessoa, nestes conhecidos versos do poema que tem por título, et pour cause, Autopsicografia: "O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente".
Além disso, também quem pensa e escreve sobre qualquer forma de arte, apesar do seu eventual desejo de objectividade, vê, ouve, lê, escreve de modo oblíquo em relação àquilo que comenta. É que não se pode dizer o quer que seja sem algum enviesamento, dada a inevitável projecção da própria subjectividade na leitura e percepção seja do que for.
Julgo porém não ser possível existir arte sem subterfúgio ou fingimento, mesmo quando nela se confessa dizer a verdade (e até aí, sobretudo aí, o fingimento é necessariamente maior). No seu penúltimo romance - Irene ou o Contrato Social - Maria Velho da Costa assegura que: a arte não é nada à vida. Mas como isso não é totalmente evidente, nem para a própria escritora que, num outro livro - O Mapa Cor de Rosa, garante o oposto: Tudo, tudo é autobiográfico. Entre tantos mais exemplos, Gertrud Stein escrevera: You are of course never yourself.
E Fernando Pessoa, nestes conhecidos versos do poema que tem por título, et pour cause, Autopsicografia: "O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente".
Além disso, também quem pensa e escreve sobre qualquer forma de arte, apesar do seu eventual desejo de objectividade, vê, ouve, lê, escreve de modo oblíquo em relação àquilo que comenta. É que não se pode dizer o quer que seja sem algum enviesamento, dada a inevitável projecção da própria subjectividade na leitura e percepção seja do que for.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896585808 |
| Editor: | Caleidoscópio |
| Data de Lançamento: | setembro de 2019 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 170 x 240 x 14 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 176 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Ensaios
|
| EAN: | 9789896585808 |
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