O Japão

Uma antologia de textos sobre o país

de Lafcadio Hearn
Editor: Cotovia, novembro de 2005 ‧
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Comparar Lafcadio Hearn a uma instituição japonesa não será um exagero. O repórter que desembarcou no Japão em 1890, tornar-se-ia no veículo dilecto das coisas japonesas para o Ocidente. No tempo em que os Ocidentais ali se instalavam para instruir ou pontificar como senhores, Lafcadio deixa-se deslumbrar pela singularidade envolvente. Dotado de um temperamento emotivo, que pasma perante cada detalhe, transmitirá nos seus escritos a fruição da beleza tranquila do quotidiano, tentando compreender o que está por trás do encanto daquelas artes e costumes.
Nascido na Grécia a 27 de Junho de 1850, de pai anglo-irlandês (cirurgião do exército britânico) e mãe grega, Lafcadio pouco conviveu com os pais, tendo sido criado por uma tia-avó, perto de Dublin. Aos 19 anos, decide partir para os Estados Unidos, onde se torna repórter, relativamente afamado pelas suas peças sobre criminalidade.
O relativo sucesso da sua escrita leva-o a ser contratado pela Harper Publishing Co, que o envia para as Índias Ocidentais (1887-89), e depois para o Japão. Chega a Yokohama na Primavera de 1890.
No Japão, ganha a vida essencialmente como jornalista e professor -- primeiro, em Matsue (onde casa com Setsu Koizumi, filha de uma família samurai local, de quem terá 4 filhos), depois em Kumamoto, mais tarde na Universidade Imperial de Tóquio. Morre em 1904, aos 54 anos, de ataque cardíaco, deixando mais de 4.000 páginas escritas sobre o país que o elegeu como maior intérprete e testemunha, o seu 'gaijin', ou 'laureado'. O nome japonês que adoptou foi Yakumo Koizumi.

A antologia que agora publicamos apresenta, pela primeira vez em Portugal, alguns dos textos de Lafcadio Hearn, compilados em dois volumes, um sobre "o país" e outro sobre "as gentes", seguindo uma selecção do especialista Donald Richie.
Razões de sobra existem para ler estes encantadores apontamentos, mas uma bastaria para tentar entender o carácter e a alma japonesa, como bem percebeu Lafcadio Hearn há mais de um século: "O Japão entrou na liça competitiva do mundo; e o valor de qualquer povo nessa campanha depende tanto do seu carácter como da sua força".
O volume 2, sobre "as gentes", sairá no começo de 2006.

O Japão

Uma antologia de textos sobre o país

de Lafcadio Hearn

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727951444
Editor: Cotovia
Data de Lançamento: novembro de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 129 x 202 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 200
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 9789727951444
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Fenomenal!

Beatriz Murteira

Dizer que Lafcadio Hearn elabora um roteiro sobre a história do Japão não é exagerado. O autor reúne diversos escritos deste país asiático com uma enorme precisão. Excelente!

SOBRE O AUTOR

Lafcadio Hearn

Lafcadio Hearn (1850-1904) nascido em 1850, Patrick Lafcadio Hearn teve um princípio de vida difícil: após o falecimento dos pais, foi criado por uma tia, em Dublin, e, aos dezasseis anos, perdeu uma vista numa brincadeira com os colegas de escola que correu mal. Rejeitado pela família, trocou a Irlanda por Inglaterra e depois por França, antes de se instalar nos Estados Unidos da América, onde se tornou jornalista no Enquirer. Descobriu a cultura japonesa por intermédio de contactos com o embaixador do Império do Japão. Em 1874 - numa época em que os casamentos mistos eram ilegais -, Hearn contraiu matrimónio com Althea «Matthie» Foley, de origem mestiça. Quando esta união foi descoberta, despediram-no e começou a trabalhar para o jornal concorrente, o Cincinnati Commercial. Interessou-se pela cultura crioula de Nova Orleães, tendo publicado, em 1885, um dicionário de provérbios crioulos e uma coletânea de temática culinária. Em 1889, o jornal Harper’s Monthly enviou-o como correspondente para as Antilhas. Após um primeiro romance, Youma, reuniu um grande número de contos tradicionais da Martinica, que foram objeto de diversas obras. Um ano depois, aceitou um convite do seu amigo embaixador do Japão e instalou-se em Yokohama, onde encontrou emprego como jornalista na imprensa anglófona. Hearn casou com a filha de um samurai, Koizumi Stesuko , obtendo a cidadania japonesa com o nome Koizumi Yakumo em 1896. Passou, então, a interessar-se pelas histórias tradicionais japonesas de fantasmas (yokai) e começou a escrever as suas obras sobre o Japão. Viajante inveterado, viveu sucessivamente em Kobe, em Matsue e, ainda, em Tóquio, onde foi nomeado professor na Universidade de Waseda. Grande admirador de Pierre Loti, Hearn foi igualmente tradutor para inglês de Flaubert, Anatole France, Théophile Gautier, Hugo, Maupassant, Mérimée, Nerval e Zola. Morreu em 1904, vítima de doença cardíaca, em Tóquio. Foram-lhe prestadas inúmeras homenagens tanto na literatura e na banda desenhada, como no cinema e na televisão.

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