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Não é um Rio

de Selva Almada
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, março de 2025 ‧
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Tão perturbador e intenso como um sonho profético, Não É um Rio é um romance magistral sobre masculinidade, culpa e desejo irreprimível, mas também sobre o amor entre amigos e o amor dos ilhéus pelo seu rio e tudo o que nele vive.

Enero e o Negro vão à pesca com Tilo - o filho adolescente de Eusébio, o amigo que morreu -, regressando à ilha onde costumam ir há anos, apesar da memória de um terrível acidente ali ocorrido. Enquanto bebem, cozinham, falam e dançam, lutam com os fantasmas do passado e do presente, que se confundem no ânimo alterado pelo vinho e pelo torpor.

Uma rede mistura realidade e sonho, factos e conjeturas, ilhéus, água, noite, fogo, peixes, bichos. Os três são intrusos, e este momento íntimo e peculiar coloca-os em desacordo com os habitantes - humanos e não humanos - deste universo natural rodeado de água e regido pelas suas próprias leis. Há perdas, mortes prematuras… Mas há também a vitalidade obstinada da natureza. Quando a floresta se começar a fechar sobre eles, e a violência parecer inevitável, será que outra tragédia está destinada a ocorrer?

Humano, mas ao mesmo tempo animal e vegetal, este romance flui como um rio, uma longa conversa ou o afeto entre seres que se amam: mães, filhos, irmãos, amigos, amantes, afilhados.

Com a sua prosa precisa e económica, e a sua extraordinária sensibilidade, Selva Almada mostra novamente porque é considerada uma das vozes mais originais da atual literatura latino-americana
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Wook se escreve na Argentina – Novas Vozes

Dos clássicos aos contemporâneos, a literatura mexicana dá-nos uma visão caleidoscópia de um país que procura resistir à realidade violenta e difícil em que se vê mergulhado. Estes sete escritores, publicados por editoras portuguesas, impressionam pela sua capacidade de nos mostrarem, sem freios, este mundo tão distante do nosso. Depois de os lermos, não seremos certamente os mesmos.
Nesta primeira parte, exploramos as noves vozes literárias, cuja força suplanta a torridez do deserto.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontede de julho de 2024. Fernanda Melchor (n. 1982) Os livros desta vibrante escritora, que explora o lado obscuro do ser humano, podem ser descritos como uma descida ao inferno, reflexo de uma sociedade fraturada entre raças e classes e marcada pela misoginia, em que a violência se banalizou. Em Temporada de Furacões, já adaptado a série de TV pela Netflix, Melchor traça um retrato fiel desta realidade sangrenta. Misto de romance policial e história de terror, a história começa quando um grupo de rapazes encontra o cadáver em decomposição de uma mulher, conhecida como “A Bruxa”, num canal de irrigação. Cada capítulo aproxima-se do crime central com uma escalada de horror moldada pela superstição, pelo abandono e pela desesperança, com um lirismo surpreendente.
Não menos duro, Paradaise arranca no rescaldo dos crimes hediondos cometidos por dois adolescentes: Polo, um jardineiro nascido numa realidade de pobreza e violência que trabalha num bairro de gente abastada, e o seu cúmplice Franco, um pária proveniente de uma família rica. Polo ensaia uma confissão perversa, quase negando a sua culpabilidade. A natureza exacta dos seus actos só será descoberta no final. Mas vemos, desde logo, um monstro dividido em dois, já que nenhum deles é capaz de uma violência tão horrenda sem o outro. Impressiona ver como Melchor consegue imbuir o "mal" de tal complexidade psicológica. Não surpreende, por isso, que ambos os livros tenham sido finalistas do International Booker Prize. COMPRO NA WOOK! » Guadalupe Nettel (n. 1973) O mais recente livro de Guadalupe Nettel, A Filha Única, revolve em torno de três mulheres e do conceito de maternidade, com os seus esfoços e fracassos, atos de fé ou renúncia. Alina e Laura, amigas, são duas mulheres independentes que não construiram o seu futuro com a perspetiva de uma família. Laura tomou a decisão drástica de ser esterilizada, mas Alina acaba por querer ser mãe. Quando está grávida de oito meses, é informada de que a filha que tanto desejou não irá sobrevive ao parto. A par do processo de luto de Alina e do seu marido, as duas mulheres lidam com a complexidade das suas emoções e a ambivalênvia da maternidade. A adensar a narrativa, há ainda Doris, a vizinha de Laura, mãe de um menino enternecedor, mas com problemas de comportamento. Nettel tece uma sinuosa e arrebatadora narrativa de amor, amizade e sobrevivênvia, lembrando que a língua ainda não foi capaz de inventar uma palavra para designar aquele que perde sua prole.
Inspirando na infância da escritora, O Corpo em que Nasci é um livro de memórias terno e duro. Nettel fala-nos sobre uma menina que cresce nos anos setenta com uns pais que vivem um casamento aberto, em comunas hippies; Devido ao seu problema de visão, a criança acaba por se identificar com os que vivem à margem de modas ou convenções sociais. Passado entre a América e a Europa, este romance de amadurecimento percorre um fascinante caminho em direção à auto-aceitação. COMPRO NA WOOK! » Silvia Moreno Garcia (n. 1981) Através de géneros tão diversos como a fantasia, o terror e o romance histórico, Silvia Moreno Garcia pretende dar uma visão mais ampla do México, caleidoscópia e distante das narrativas construídas pela indústria cinematográfica ou televisiva, que se centram nos cartéis ou nos migrantes. O maior sucesso editorial de Garcia é Gótico Mexicano, uma novela de terror passada numa fazenda mexicana, nos glamorosos anos 50. Quando recebe uma carta da sua prima contando-lhe que o marido desta tenta envenená-la, Noemí, uma jovem e ambiciosa socialite, parte para a isolada mansão de Lugar Alto, na província. Ao chegar, encontra a prima, outrora alegre, num estado sombrio, dizendo ouvir vozes vindas das paredes e ver pessoas mortas. Noemí não tarda muito a aperceber-se de que há algo muito estranho na mansão e nos que a habitam, e começa, ela própria a ter visões aterradoras que lhe vão revelando horrores que se arrastam há centenas de anos. Em paralelo, torna-se objeto de desejo dos homens da casa, cujos avanços denotam uma visão retorcida de racismo, num ambiente marcado pelo sentimento de domínio patriarcal. As cenas de suspense envolvem quem lê, à medida que Noemí se vê puxada pelas garras daquela casa, sem saída à vista.
O êxito desta novela permitiu à autora escrever o livro que ela «realmente queria» escrever: A Noite Era de Veludo, um romance noir histórico-político situado na sequência do massacre de El Halconazo de 1971, em que oito mil estudantes foram violentamente reprimidos pelos Halcones, um grupo paramilitar apoiado pelo governo, causando 120 mortos e centenas de feridos. Os protagonistas são Maite, uma secretária solitária que prefere viver alheada da realidade, lendo contos românticos e ouvindo as suas músicas, e Elvis, que anseia escapar à brutalidade dos Halcones, a que se juntou. Ambos partem em busca de uma bela estudante desaparecida, numa narrativa envolvente que só no fim os levará a encontrarem-se. As personagens são fascinantes, o tom é exuberante e romântico, e tudo está envolto num mistério com reviravoltas difíceis de adivinhar. Um retrato pungente da sociedade mexicana, vencedor do Goodreads Choice Awards em 2020. COMPRO NA WOOK! »

Não é um Rio

de Selva Almada

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722084710
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: março de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 239 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 136
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722084710

As fortes ligações

Ler, um prazer adquirido

“Não é um rio” é um destes livros que nos fica porque cada palavra é exata e as sensações e emoções que nos passa é a de que acompanhamos aquele trio de homens junto ao rio e não é um rio mas um microcosmos com vida que, há que respeitar e temer, inclusive na presença humana. Tilo e Eusébio, filho e pai, o terceiro elemento, com Negro e Enero. Três amigos que, vão à pesca. “Na recordação a ilha é uma, sem nome próprio nem coordenadas precisas.” As fortes ligações com o rio e entre si numa resiliência com a pobreza que, não deixa de nos comover. E esta não tem nome próprio ou coordenadas precisas. Excelente! Tudo o que nos fica e fica à flor da pele.

SOBRE O AUTOR

Selva Almada

Selva Almada nasceu em Entre Ríos, Argentina, em 1973, e é considerada uma das vozes mais originais e poderosas da literatura latino-americana. Com uma obra traduzida em inúmeras línguas, recebeu rasgados elogios logo com o seu primeiro romance, El viento que arrasa (2012), considerado o melhor livro do ano no momento da publicação, e vencedor do First Book Award no Festival Internacional do Livro de Edimburgo, em 2019. Ladrilleros (2013), o seu segundo romance, foi finalista do Prémio Tigre Juan (Espanha), e Raparigas Mortas (2014) foi finalista do Prémio Rodolfo Walsh, da Semana Negra de Gijón (Espanha), para a melhor obra de não ficção de género negro. É ainda autora de um livro de poesia e de livros de contos.
Não é Um Rio (2020) foi distinguido com o Prémio IILA-Letteratura 2023 (Itália) e foi finalista do IV Prémio Bienal de Romance Mario Vargas Llosa (2021), do Prémio Fundación Medifé Filba 2021 (Argentina) e recebeu ainda uma menção especial no Prémio Nacional de Romance Sara Gallardo 2021 (Argentina). Em 2024, foi finalista do Prémio Booker Internacional.

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