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Nada Cresce ao Luar

de Torborg Nedreaas
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, agosto de 2025 ‧
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Publicado pela primeira vez em 1947, Nada Cresce ao Luar é um grande clássico feminista e uma obra-prima da literatura nórdica, de uma das mais importantes escritoras norueguesas do século XX.

No crepúsculo azul de uma noite de primavera, um homem sente-se atraído por uma bela e solitária desconhecida que vê no átrio de uma estação ferroviária, e a quem oferece ajuda. Ela acompanha-o até casa e, durante uma noite inebriante de vinho e cigarros, conta-lhe a história devastadora da sua vida. Ela precisa desesperadamente de alguém com quem falar. Ele ouve-a, fascinado, e a partir dessa noite será assombrado para sempre pela revelação clara e honesta de uma alma despedaçada - tal como o leitor o será.

Aos dezassete anos, ela torna-se amante do professor de liceu, e a sua vida fica fora de controlo, dando lugar à gravidez, à pobreza e à alienação. Aqui, a escuridão e a luz convergem, e o amor não correspondido floresce no meio das sombras das injustiças sociais, enquanto ela luta pela autonomia: da sua vida, da sua mente e do seu corpo. Consumida por uma paixão obsessiva, regressa continuamente a situações em que é abusada. Por fim, ao confrontar o seu passado sem autocomiseração, sem negar a sua responsabilidade pessoal, apercebe-se do quanto o seu comportamento autodestrutivo se deve a um sistema capitalista e patriarcal que obriga as mulheres a desempenhar papéis que as tornam emocional e economicamente dependentes.

Cativante, visceral e repleto de emoções, Nada Cresce ao Luar é uma obra imprescindível sobre o que significa navegar numa sociedade opressiva feita para homens, mas também uma ode intransigente ao amor, à saudade e ao desejo.

«É fantástico, é incrível.»
Pedro Almodóvar

Nada Cresce ao Luar

de Torborg Nedreaas

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722086011
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: agosto de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 156 x 239 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722086011

Nada Cresce ao Luar

João S.

Um livro demolidor absolutamente bem escrito. O retrato de uma mulher aprisionada a uma época e a convenções opressivas para com as mulheres. Compadecemos a cada página da sua solidão, impotência e melancolia. Uma obra fundamental da literatura feminista que vale mesmo a pena conhecer!

Um grito que ecoa

Ler, um prazer adquirido

Um encontro e uma conversa estranha. O início gera perplexidade e desconforto porque a proximidade do narrador com a mulher não é por desejo carnal mas apenas por calor humano e o que esta revela é um desacerto à beira do desespero na paixão desde os dezassete anos por um professor. Um romance que arrasta o leitor na voragem de saber quais foram as traições, mentiras e hipocrisias na sua vida enquanto o seu anseio era por beleza mas numa prisão de silêncio e solidão. Uma lucidez dolorida num relato intimista e confessional. Estranhamente viciante. Uma daquelas histórias que se estranha mas entranha porque toca o leitor, com a crueza das suas revelações no feminino. A pobreza. O aborto. A miséria humana. Tanto e tão visceral. Um grito que ecoa.

Visceral

Andreia Machado

4.5 ¿ ''Na verdade é bom ser mulher. Deveria ser. Pensei se doeria dar à luz. Fechei os olhos e pensei em pormenor em tudo o que sabia sobre o parto. Mas não tinha medo, porque sentia orgulho, e o orgulho por aquilo que as mulheres têm de suportar no mundo inflamava-me.'' Durante uma noite, uma mulher desabafa perante um desconhecido que a encontra por acaso, a vaguear, e se sente atraído pela sua aura misteriosa. Um início algo peculiar, que me prendeu de imediato às páginas e não me deixou pousar o livro até ao fim, completamente siderada. Que livro forte e marcante! Dificilmente saímos ilesos das palavras de Torborg. São inúmeros os trechos que me deixaram sem ar, embasbacada e com um sentimento de impotência e revolta perante este mundo de homens, de hipocrisia social, de opressão e de dor. Ainda assim, apesar de tudo o que esta protagonista sem nome sofreu, no seu relato nunca mostra comiseração por si mesma; pelo contrário, assume a sua parte de responsabilidade em todos os acontecimentos da sua vida. Este é o relato da vida de uma mulher que amou demais e que tudo fez por esse amor. É também uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade norueguesa (e não só) da época, e sobre como a sua condição é afetada pela pobreza, pela moral religiosa, pela hipocrisia social e pela pressão patriarcal. Toca em temas fortes, como o aborto, aqui relatado de forma visceral e crua. Explora ainda a luta de classes e a pobreza que se entranha nas almas de quem acredita não merecer mais. Senti também uma componente política bastante forte em vários momentos. É, sem dúvida, uma narrativa feminista importantíssima, que envolve o leitor até ao fim com palavras duras, que escarafuncham nos buracos mais feios da humanidade. No final, deixou-me a pensar no que podemos transpor para a atualidade, no pouco que mudou e no medo de que os direitos adquiridos desde então possam estar em causa, sobretudo se tivermos em conta o momento político vivido, hoje, um pouco por todo o mundo. ''Quando se experiencia uma coisa - um acontecimento ou uma pessoa - que se entranha na nossa existência, dando-lhe sentido, começamos a reparar muito mais nas pequenas coisas.'' Posso dizer que este livro é uma dessas coisas, que se entranha em nós para nunca mais sair, que nos rasga por dentro e ecoa bem depois da última página.

SOBRE O AUTOR

Torborg Nedreaas

Torborg Nedreaas (1906-1987) nasceu em Bergen e é uma das mais notáveis escritoras norueguesas do pós-guerra, aclamada pela profundidade e subtileza das suas análises psicológicas e pela elevada qualidade da sua escrita, altamente poética. Comunista convicta e defensora fervorosa dos direitos das mulheres, Nedreaas usou a sua escrita – que inclui peças de rádio, romances, contos e ensaios premiados – para levar ideias políticas e sociais progressistas a um vasto público.
Tendo-se estreado na literatura em 1945, com um livro de contos, a sua grande revelação deu-se em 1947, com o romance Nada Cresce ao Luar, uma obra marcante que aborda de forma ousada temas como o aborto e os direitos reprodutivos das mulheres. Em 1950, ganhou o Prémio da Crítica do seu país e, em 1964, o Prémio Dobloug.

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