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Na Margem da Esquerda

de António Sem
Editor: Edições Fenix, junho de 2024 ‧
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O meu conhecimento e a minha amizade com António Sem vem do tempo saudoso das tertúlias que frequentávamos onde críticos e artistas discutiam a temática do teatro na altura. Recordo com carinho alguns momentos com (Maria do Céu Guerra, Margarida Carpinteiro, Fernando Midões e outros), onde até altas horas da madrugada convivíamos e bebíamos a arte dramática.

Fiquei surpreendida com o convite feito pelo António Sem já que há anos nos mantemos afastados embora esteja ao corrente do seu sucesso literário. Agradeço o convite para deixar algumas palavras para o seu novo livro e estou segura que será mais um dos seus sucessos literários.

Embora não sendo um prefácio, deixo aqui como crítico de arte e ensaísta uma breve alusão á arte dramática. E já não o fazia há muito tempo. Sendo o teatro uma arte na qual um actor, ou vários actores, interpretam uma história, algumas culturas vêem o teatro como a forma social assente na dúvida, uma vez que põe em causa os aspectos pertinentes do quotidiano interrogando-os e criticando-os.

As várias e diversificadas formas que o teatro contemporâneo assume, assim como o estilo, os temas e as abordagens assentam as suas raízes em dois polos que desde os tempos mais remotos deixaram ocupadas as mentes mais ousadas: a dúvida e a interrogação.

Os géneros teatrais variam consoante a cultura e a época na qual estão inseridos. A tradição clássica conduziu a dois géneros teatrais distintos: a tragédia e a comédia. Com o passar do tempo outros ganharam protagonismo, como é o caso do drama e da tragicomédia (que mistura elementos de ambos). Um dos objectivos da crítica de arte é construir uma base racional para a apreciação da arte, mas é questionável se tal crítica pode transcender circunstâncias sociopolíticas dominantes.

Do meu ponto de vista, a nível do contexto literário e não presencial, baseio-me no contexto da estética, na teoria dos diálogos e nas marcações. Dramas e peças, enquanto permanecem na forma escrita, são parte da literatura. Eles se tornam parte das artes cénicas assim que as palavras escritas do drama são transformadas em performance de palco. Depois de ler a peça, ao que me parece, NA MARGEM ESQUERDA é do género dramático e não é mais que um romance na sua forma máxima de síntese possível. A história do teatro confunde- se, muitas vezes, com a própria história da humanidade.

E nesta peça, o escritor e as personagens interligam-se onde se põe "a olho nu" as vicissitudes da vida, destacando-se as relações humanas no campo da amizade e do amor. Também uma palavra para as magníficas marcações teatrais. A arte de representar encontra a sua origem nas situações vividas pelo próprio ser humano que, por religiosidade, louvor, prestígio, entretenimento, registo ou simplesmente pela pura expressão artística, apresenta os seus sentimentos de um modo muito parecido ao mundo real.

O conjunto de preceitos para o estudo e a prática da representação e a dramatização, seja no teatro, na música, na dança, ou em qualquer ambiente de manifestações artísticas chamadas artes performativas (cénicas) são o conteúdo e a seiva da minha maneira de sentir o TEATRO. Em resumo, vi no escritor, o meu amigo António Sem.
Maria Eça de Avis
(Ensaísta e crítico de arte cénica)

Na Margem da Esquerda

de António Sem

Propriedade Descrição
ISBN: 9782021040869
Editor: Edições Fenix
Data de Lançamento: junho de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 161 x 228 x 4 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 60
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9782021040869

SOBRE O AUTOR

António Sem

António Sem – Pseudónimo de António Manuel Gonçalves Filipe. Académico de Mérito da Academia de Artes e Letras de Pontzen, Nápoles e Membro Honorário da Fundación Abelló de Barcelona. A sua participação poética e prosaica é vasta e está espalhada por diversas publicações. Em 1985, funda e é eleito primeiro presidente da ARTLE – Sociedade Portuguesa de Artes e Letras. Foi membro do NERP – Núcleo dos Escritores e Recitadores Portugueses e participou como poeta convidado no espetáculo "Renascimento/Descobertas" no Padrão dos Descobrimentos, em Belém/Lisboa. Edita em 1994 o seu primeiro livro de poemas intitulado Os Rostos do Tempo. Em 2001 é coautor do livro Portugália 75 Anos e publica o seu segundo livro de poemas intitulado "Momentos e Fragmentos". Em 2003 publica mais um livro de poemas intitulado Analogias, ambos editados pela Universitária Editora. Está representado nas Antologias Poéticas "Florilégio I", Millenium – 77 vozes de poetas portugueses, Textos e Pretextos/O Silêncio, Neruda Cem Anos Depois, e a Traição de Psiquê. Os seus poemas estão espalhados por diversas publicações. Em 1988 foi condecorado pelo Governo Checo com a medalha comemorativa dos 150 anos (1824/1974) do Compositor e pianista Checo Bedrich Smetana. Obteve diversos prémios nacionais e internacionais. Exerce também a atividade de artista plástico tendo até ao momento 39 exposições individuais e 236 coletivas no país e no estrangeiro, além de estar representado em inúmeros museus, autarquias e instituições.

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