Na Água do Tempo
Diário
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Quimera, abril de 1992 ‧
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SINOPSE
Agosto, Porto, 1953
Conheci o Régio. Um bichinho da terra, quase triste, se não fossem os olhos – contas inquietas, vivas, observadoras, movendo-se rápidas e fundas por detrás dos óculos. Ah! os óculos! Negros, listrados de incrível amarelo – qualquer coisa de sonho que, não sei como, pôde trazer para a realidade. Penso que viajou fora do tempo até àquele em que os animais falavam e aí conheceu um lagarto míope. Foi o bichinho – disso não tenho dúvidas – que lhos ofereceu. Muito gostaria de pô-los!
Abril, 1957
A chuva parou. Bamboleante um assobio sobe a rua e chega aqui ao quarto. Para os lados de S. Francisco as cornetas do quartel – iguais às que vinham outrora dos lados do jardim da Carreira – tocam o recolher. Trazem-me uma saudade de coisas perdidas, da infância: o perfume das maçãs que as brasas tisnavam lentamente, enquanto a tia rezava o terço e eu olhava já sonolenta o retrato de vovó Ana. Aquele retrato! Dava-me sempre a estranha sensação de que eu não podia deixar de ser a ressurreição daquela avó, que se reduzia a um retrato – e de quem eu tinha a voz, as mãos, a boca, o desenho das sobrancelhas.
O som esvaiu-se de todo para os lados de S. Francisco. E com ele as memórias de outrora abandonaram o quarto, alugado e frio da pensão.
Conheci o Régio. Um bichinho da terra, quase triste, se não fossem os olhos – contas inquietas, vivas, observadoras, movendo-se rápidas e fundas por detrás dos óculos. Ah! os óculos! Negros, listrados de incrível amarelo – qualquer coisa de sonho que, não sei como, pôde trazer para a realidade. Penso que viajou fora do tempo até àquele em que os animais falavam e aí conheceu um lagarto míope. Foi o bichinho – disso não tenho dúvidas – que lhos ofereceu. Muito gostaria de pô-los!
Abril, 1957
A chuva parou. Bamboleante um assobio sobe a rua e chega aqui ao quarto. Para os lados de S. Francisco as cornetas do quartel – iguais às que vinham outrora dos lados do jardim da Carreira – tocam o recolher. Trazem-me uma saudade de coisas perdidas, da infância: o perfume das maçãs que as brasas tisnavam lentamente, enquanto a tia rezava o terço e eu olhava já sonolenta o retrato de vovó Ana. Aquele retrato! Dava-me sempre a estranha sensação de que eu não podia deixar de ser a ressurreição daquela avó, que se reduzia a um retrato – e de quem eu tinha a voz, as mãos, a boca, o desenho das sobrancelhas.
O som esvaiu-se de todo para os lados de S. Francisco. E com ele as memórias de outrora abandonaram o quarto, alugado e frio da pensão.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789725890301 |
| Editor: | Quimera |
| Data de Lançamento: | abril de 1992 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 159 x 231 x 21 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 372 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Outras Formas Literárias
|
| EAN: | 9789725890301 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
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