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Memórias da Minha Aldeia

Vale do Açor, 1930-1960

de Mariana Correia Alexandre
Editor: Edições Colibri, maio de 2025 ‧
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Largo das Amoreiras, no centro da aldeia, a meio da Rua Grande, era o palco de espetáculos ambulantes, as comédias, que atraiam novos e velhos, e cujos artistas eram uns saltimbancos, que mal conseguiam matar a fome, com as moedas de um tostão que lhes íamos depositando na pequena caixa de papelão, colocada estrategicamente no chão, no local onde se desenrolava o espetáculo. Moedas que, para quem as dava, representavam um certo esforço económico e maior mágoa, por não poderem recompensar, de forma mais avultada, quem lhes mostrava tamanhas habilidades que a todos encantavam. Os serões das comédias eram vividos com muito entusiasmo pelos habitantes da aldeia, ávidos de algo que lhes alterasse as suas rotinas e alegrasse os seus dias sempre iguais, e para a maioria, pesados pelo duro e árduo trabalho. Compare-se com toda a variedade de entretenimentos a que agora todos temos acesso.

Notícias dos familiares, amigos e namorados que estavam longe, recebiam-se através das cartas que se levantavam na taberna de António Basílio Vital, conhecido por António da Venda, onde diariamente era deixado, logo pela manhã, o saco do correio que proveniente de Ponte de Sor chegava na camioneta da carreira que fazia o trajeto até Portalegre, transportando passageiros e bagagens. A abertura do saco era um momento vivido com muita ansiedade pelas pessoas que aí se juntavam, na expectativa de ouvir o seu nome dito em voz alta, escrito em alguma das cartas que tinham saído do saco. Alguns abandonavam a taberna com a satisfação de terem recebido o desejado correio, ainda que as notícias por ele trazido nem sempre fossem as mais desejadas, mas os outros, os que não recebiam nada, saíam de lá com alguma desolação, mas também com a esperança de que a camioneta, que viria no dia seguinte, lhes iria trazer as esperadas notícias. Os tempos mudaram e passou-se a receber a correspondência à porta, pelas mãos do carteiro.

Memórias da Minha Aldeia

Vale do Açor, 1930-1960

de Mariana Correia Alexandre

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895665266
Editor: Edições Colibri
Data de Lançamento: maio de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 161 x 231 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 218
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Antropologia
EAN: 9789895665266

SOBRE O AUTOR

Mariana Correia Alexandre

Mariana do Rosário Tapadas Correia e Alexandre. Nasceu em 11/07/1951 em Vale de Açor, Concelho de Ponte de Sor, onde concluiu o ensino primário. Frequentou a Escola Técnica Elementar Marquesa de Alorna, em Lisboa, em parte do ano letivo de 1963/64. No ano letivo de 1964/65 já como aluna do Externato Camões em Ponte de Sor, foi distinguida com o prémio de melhor aluna do primeiro ano; que não recebeu nos anos seguintes porque o mesmo não voltou a ser criado. Em 1969/70, no mesmo Externato Camões, conclui o terceiro, quarto e quinto anos do curso geral dos liceus que condensou num único ano letivo. Em 1971 casa-se com Francisco Maria Marques Alexandre e fixa residência em Avis, onde trabalhou desde 1973 como administrativa dos Serviços Médico Sociais da Caixa de Previdência do Distrito de Portalegre, depois Centro de Saúde de Avis. Aposentou-se em 2010. Desde o ano de 2011 que faz parte da tocata do Rancho Folclórico de Avis. Canta no coro da Escola de Música do Município de Avis desde a sua fundação, no ano de 2013. Desde sempre sentiu interesse pela importância das tradições, costumes, e histórias locais da sua terra de origem, que caracterizam uma realidade em muito já perdida no tempo. O livro Memórias da Minha Aldeia pretende dar um humilde contributo na reposição dessa memória das gentes de Vale de Açor.

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