Mein Kampf / O Branco Judeu e o Pele Vermelha / Os Canibais

de George Tabori
Editor: Cotovia, junho de 2013 ‧
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Os Artistas Unidos e a Cotovia editam o Nº 69 da Colecção Livrinhos de Teatro, um volume com peças de George Tabori.
Judeu e de esquerda, ninguém conseguiu ser mais cáustico do que o genial húngaro-inglês-americano-alemão-austríaco George Tabori (1914-2007), uma ironia que dói.

Herzl - O senhor entra por aqui adentro, como um elefante entra numa mata. Isto aqui não é a sua casa. Aqui, o senhor não é senão um estrangeiro, na melhor das hipóteses um hóspede. Eu poderia muito bem estar a dormir. Poderia muito bem ter visitas cá em casa. Por acaso, estava a trabalhar num livro, quando Deus me interrompeu.
Hitler - Quem?
Herzl - D-e-u-s.
Hitler - Morreu.
Lobkowitz - É o que tu pensas.
Hitler - Vai uma aposta?
Mein Kampf, George Tabori

WEISMAN Como é que se vai daqui para Nova Iorque?
O CAÇADOR Não se vai.
WEISMAN E para outro lugar?
O CAÇADOR Também não.
WEISMAN Estava a pensar num motel, ou num McDonalds ou numa bomba de gasolina.
O Branco Judeu e o Pele-Vermelha, George Tabori

WEISS Desculpa, onde é que está a faca?
TIO Qual faca?
KLAUB No dia em que o cigano tentou matar o grego, foi-te entregue a faca como sinal de confiança.
CIGANO É a única faca que aqui há.
TIO coloca-se na beira da panela Nunca vi essa faca.
KLAUB Fui eu que ta dei.
Os Canibais, George Tabori

Mein Kampf / O Branco Judeu e o Pele Vermelha / Os Canibais

de George Tabori

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728972547
Editor: Cotovia
Data de Lançamento: junho de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 105 x 154 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Coleção: Livrinhos de Teatro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789728972547

Como o absurdo e a comédia destroem o mal

Ana Gonçalves

Três peças de teatro absolutamente imperdíveis. Escrevemos tratados sobre a origem do mal e sobre a sua perpetuidade, enquanto Tabori consegue desconstruir esse mal recorrendo ao absurdo e, sobretudo ao ridículo. É verdade, rimos com a personagem Hitler, mas rimos da sua infinita pequenez, do seu carácter ridículo, do absurdo da sua existência. Consequentemente, como não rir daqueles que, de forma direta ou menos direta, insistem em fazer a apologia desse mal?

SOBRE O AUTOR

George Tabori

George Tabori nasceu em Budapeste em 1914, numa família de intelectuais judeus (o pai morreu em Auschwitz) e cedo foi estudar em Berlim, onde trabalhou como jornalista até 1933. Parte para Londres, onde trabalha na BBC, tornando-se cidadão britânico em 1935. Em 1945, emigra para os Estados Unidos onde encontra Brecht, escreve romances e argumentos para cinema (entre os quais Confesso de Alfred Hitchcock, A Viagem de Anatole Litvak e, mais tarde, Cerimónia Secreta de Joseph Losey). A sua primeira peça (Fuga para o Egipto) é estreada em 1952, dirigida por Elia Kazan e com atores como Zero Mostel, David Opatoshu e Jo Van Fleet nos protagonistas. O seu espectáculo Brecht on Brecht é um enorme êxito no circuito universitário e na Broadway. Perseguido pelas autoridades durante a Caça às Bruxas do Senador McCarthy, Tabori regressa para a Europa, fixando-se inicialmente na Alemanha onde trabalha para a televisão e monta peças suas e de autores como Beckett, Gertrude Stein, Shakespeare. Entre as peças que escreveu e dirigiu merecem destaque Os Canibais (1968). Pinkville (1970) Clowns (1972), A Coragem da Minha Mãe (1979), As Variações Goldberg (1991), Mein Kampf (1987), e O Branco Judeu e o Pele Vermelha (1991). Em 1986 instala-se em Viena onde dirige o teatro Der Kreis. Claus Peymann, na altura diretor do Burgtheater, convida-o com regularidade para dirigir espetáculos. E Tabori irá seguir Peymann até Berlim, quando este toma a direcção do Berliner Ensemble, em 2000. Em 1992, foi-lhe atribuído o prémio Büchner. Escritas muitas vezes em inglês, as suas peças são traduzidas para alemão em colaboração com Ursula Grütztmacher-Tabori. Morreu em Berlim 2007.

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