Mariazinha Calcinha de Renda

de Rufas Santo
Editor: Edições Vieira da Silva, fevereiro de 2017 ‧
11,00€
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Sou Mariazinha, calcinha de renda, o livro que reflecte saudades e recordações das ilhas do meio do mundo. Atravessando os tempos e mares, estendo-me entre uma infância distante e um presente de distância. Do mercado "Feira Grande", onde ao soar a buzina das cinco, Mariazinha saia de gamela na cabeça, pés descalços, para voltar no dia seguinte as cinco da manhã e onde o homem da bandeja de bolo, também ele de pés descalços, arrumava a bandeja vazia para voltar no dia seguinte as dez da manhã com ela cheia de bolo e cheiro a farinha quente, até uma correria, as seis da tarde, em plena praça de Rossio para não perder o comboio que leva a lado nenhum.

Acompanhe-me neste ir e vir entre o ontem e o hoje, entre o quente calor tropical e o frio das manhãs de Dezembro, entre a imensidão do Tejo e a frescura do cantarolar do Rio Papagaio e da Sé guardando a foz do Água Grande.
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Letras de São Tomé

Não foi fácil. Mas não há livro que a WOOK não tenha. Se, por um lado, reconhecemos escritores angolanos, moçambicanos e até cabo-verdianos, no que toca ao arquipélago por onde passa a linha do Equador e onde se fala português, a história é outra. Fomos à descoberta e o que encontramos vale a pena partilhar convosco. ESCRAVOS E HOMENS LIVRES
Está cá em casa para ser lido em breve. Trata-se de um romance histórico de um escritor santomense que nos fala de um momento importante da História de Portugal, São Tomé e Angola. Nele se conta que a D. José I não lhe agradava a quantidade de escravos negros que se via na metrópole e que, segundo ele, tiravam trabalho aos jovens portugueses, que se viam obrigados à ociosidade. Onde é que já ouvimos isto? Pois, de facto a História tende a repetir-se, ou o carácter dos homens não muda tanto ao longo dos séculos. O Marquês de Pombal acaba com a escravatura em Portugal em 1773 mas não há um plano de integração para os trabalhadores negros que por cá viviam. Entre Lisboa, Luanda e São Tomé, este romance fala-nos de um tempo que não é o nosso, mas onde encontramos pontos de contacto com algumas dimensões de reflexão que importa ter em conta hoje em dia. O MUNDO VISTO DO MEIO
Trata-se de uma série de crónicas da jornalista santomense Conceição Lima, uma das personalidades mais reconhecidas no arquipélago, com uma longa carreira em órgãos de comunicação do país e não só. Trabalha atualmente na área do jornalismo televisivo, mas o seu contributo como escritora e poetisa é também muito reconhecido dentro e fora de portas. Aqui encontramos um dos géneros mais ricos da escrita jornalística, a crónica, desta feita referente a um sem número de textos que a autora publicou na imprensa e que dizem respeito a reflexões sobre a atualidade, textos de caráter mais íntimo e meditativo. Sempre presente, é claro, a ideia da insularidade e a reflexão em torno da vida no arquipélago. ALDA ESPÍRITO SANTO – ESCRITOS
O que sabemos dos movimentos independentistas santomenses? Muito pouco. Mas houve uma mulher que se destacou e o seu nome é Alda Espírito Santo. Nascida em São Tomé, Alda foi para Lisboa tirar o Magistério Primário, mas a sua atividade por cá ultrapassou em larga escala o âmbito dos seus estudos. A PIDE prendeu-a em 1965, por conspiração com vista à criação de um movimento independentista em São Tomé, mas isso não lhe tolheu nem a esperança, nem a luta. Alda integrou alguns dos principais movimentos políticos anticolonialistas do arquipélago, muito antes do 25 de abril. A escrita de Alda clama das entranhas da Terra em nome da liberdade, tão desejada e tanto tempo adiada. O autor deste livro, que recolhe alguns dos mais belos poemas desta poetisa, escritora e ativista, presta aqui homenagem a uma das principais figuras do seu país. MARIAZINHA CALCINHA DE RENDA
Rufas Santo é um dos principais nomes a reter, quando se fala de produção literária santomense. O autor nasceu nas “ilhas do meio do mundo”, por lá estudou, mas foi em Cuba que se licenciou em Física, tendo depois voltado para São Tomé para lecionar também Matemática. Este seu livro de ficção fala-nos da vida do mercado “Feira Grande”, na capital, com as suas personagens típicas, como a própria Mariazinha ou o vendedor de bolo, que regressava todos os dias enchendo o mercado com o aroma dos bolos acabados de fazer. O livro passa-se dentro da saudade do cá e lá, onde de repente o Tejo se funde com o Água Grande, onde as paisagens vagueiam entre a grande cidade e os trópicos. TOMÉ BOMBOM
Este conto é uma delícia e dá vontade de ler e reler. É daqueles livros para crianças que também são muito queridos pelos adultos. Aqui encontramos Tomé e as suas dúvidas de criança quanto à origem dos bombons que a tia lhe leva de Lisboa. A proveniência do chocolate e a ideia de um regresso à origem para a entender melhor. A cultura do cacau tem tanto de bonito, como de triste. Basta pensar que, na extensa maioria dos casos, as crianças que trabalham nos campos não chegam a ver o produto que apanham transformado em chocolate. A menos que haja uma tia que traz bombons na mala e um pai que conte a história dele até chegar ao fruto.
Deixamos aqui um pequeno excerto do livro:
«Meu pai conta sempre que bombom vem do chocolate e chocolate vem do cacau e cacau veio de longe, longe, longe, mais longe que Cabo Verde… diz que foi português que trouxe, tia sabe? Tia vem do Lisboa sabe né?! E depois tia, quando voltar, traz bombom p’ra eu, traz "memo" né? Então eu "conta" a história toda, todinha "memo"…». A CURADORIA GERAL DOS SERVIÇAIS E COLONOS
Nesta autora, encontramos uma antropóloga, historiadora e académica cujo nome vale muito a pena reter. Atualmente pró-reitora da Universidade de São Tomé, onde também leciona, Maria Nazaré Costa leva a voz do arquipélago a espaços como a UNESCO, e o seu trabalho centra-se, também, na valorização do contributo da mulher rural para o desenvolvimento do país. Neste livro, encontramos um estudo muitíssimo interessante sobre os tempos seguintes à abolição da escravatura na ilha (1875) e à criação, o ano seguinte, da Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos, órgão que deveria fazer a transição da mão-de-obra escrava para a serviçal. Responsável por fiscalizar a ação dos patrões, era com mão dura, também, que tratava os serviçais. É muito interessante perceber como todo o processo aconteceu, já que se trata de um período e de uma localização pouco estudados e por isso ainda desconhecidos da maioria.

Mariazinha Calcinha de Renda

de Rufas Santo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897367335
Editor: Edições Vieira da Silva
Data de Lançamento: fevereiro de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 220 x 8 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 116
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 9789897367335

SOBRE O AUTOR

Rufas Santo

Rufas Santo [Rufino E. Santo] nasceu em São Tomé em 1959, em plena gravana.
Passou a infância no Riboque, tendo estudado, em São Tomé e Príncipe, na Escola Primária Vaz Monteiro (atual D. Maria de Jesus), na Escola Preparatória Pedro Álvares Cabral (atual Patrice Lumumba) e no Liceu Nacional de São Tomé (antigo Liceu D. João II).
Licenciou-se em Física na Universidade de Havana, Cuba.
Foi professor de Física e Matemática no Liceu Nacional de São Tomé e na Escola de Formação de Professores.
Reside em Portugal (Seixal).
É um dos laureados do primeiro concurso de literatura promovido pela UNEAS (União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses) com A Palavra Perdida e outros contos.

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