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Manhãs do Mundo

de Nuno de Figueiredo

editor: Âncora Editora, outubro de 2019
I. Indícios da Casa
São apenas indícios, qualquer coisa que em nós cresce, um telhado a surgir de um futuro indigno. Num esconso austero, pútrido vício do corpo, se prepara a construção, ninguém sabe qual o terreno mais propício a esta casa. Talvez a terra que nos enche as mãos. Talvez o pó onde se armam as palavras.

II. Recitação do Amor
É preciso que o amor nunca se cale, suas queixas, seus temores, fruto dourado que tremula ao vento. O amor é um pássaro cujo canto incendeia, busquemo-lo no tumulto da palavra, no auge do silêncio. Quem nos dera que ao amor se chamasse alma.

III. Tempo de Semeaduras
Não temos outra saída que semear, de tudo a casa necessita, de tudo se alimenta o amor: da terra, sobretudo, e das raízes, e da sombra das árvores e dos pássaros. Bem basta quanto perdemos cada dia numa vida de costas para o mundo.

IV. Interferências
Em torno de nós é o vasto mundo que se agita, a ordem das coisas que reclama. E tudo nos envolve e o corpo corrige a posição mas não deserta, que não sabe nem pode. E enquanto sofremos e olhamos as estações mudam, vão e vêm as andorinhas, e uns nascem outros morrem.

V. Discurso Directo
Como se fosse sensato atiçar as palavras já mínimas e gastas, as palavras necessitam agora do repouso, enquanto o eu grita. Que dizer de coisa que nem sequer existe, apenas uma frase, se for de puro gozo, é propícia a tamanha indigência: perdoe-se-me.

Manhãs do Mundo

de Nuno de Figueiredo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727806959
Editor: Âncora Editora
Data de Lançamento: outubro de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 229 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 112
Tipo de produto: Livro
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Crónicas
EAN: 9789727806959
Nuno de Figueiredo

Nuno de Figueiredo nasceu em Coimbra, onde reside e trabalha. É licenciado pelo Instituto Superior Técnico. Publicou em 1985 o seu primeiro livro de poemas, O Desencanto em Canto (edição de autor) e, em 2002, o seu último romance, Os Sinos de São Bartolomeu (Temas e Debates), tendo voltado à poesia em 2003 com A Única Estação (Quasi). Pelo meio ficam cerca de três dezenas de outras obras de poesia, contos, romances, várias das quais distinguidas com prémios literários. Escreve para jornais e revistas literárias e está representado em diversas antologias. A Ilha de Arcangel foi distinguido, em 2005, com o prémio Vasco Branco.

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