Livre
Como me tornei adulta no fim da História
SINOPSE
Mais tarde, em dezembro de 1990, um ano após a queda do Muro de Berlim, tudo mudou. As estátuas de Estaline e Hoxha foram derrubadas. Quase de um dia para o outro, as pessoas podiam votar livremente, vestir o que quisessem e praticar o culto que desejassem. Já não havia nada a temer dos ouvidos curiosos. Mas as fábricas fecharam, os empregos desapareceram e milhares de pessoas fugiram para Itália em navios apinhados de gente, para depois serem mandadas de volta.
Os esquemas de pirâmide predatórios acabaram por levar o país à falência, conduzindo a conflitos violentos. À medida que as aspirações de uma geração se tornavam a desilusão de outra, e à medida que os segredos da sua própria família eram revelados, Lea deu por si a questionar o verdadeiro significado de liberdade.
Livre é um livro de memórias cativante sobre o amadurecimento no meio de uma convulsão política. Com uma perspicácia e um humor apurados, Lea Ypi traça os limites do progresso e o peso do passado, iluminando os espaços entre os ideais e a realidade, bem como as esperanças e os receios de pessoas arrastadas pela história.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Maravilhosamente divertido e pungente… uma história de segredos de família e de despertar político no meio de um regime em ruínas.»
The Observer
WOOK DIZ A WOOK
"Livre é uma narrativa brilhante, misto de memórias e teoria política que nos dá uma visão da Albânia de antes e depois da queda da União Soviética, contada na perspetiva da vida da própria autora, a académica Lea Ypi,com humor e sabedoria.
Até dezembro de 1990, as lições de vida de Ypi vinham principalmente de duas fontes: o Estado, muitas vezes personificado na figura da professora Nora no livro, e a sua família. Ypi recorda a sua juventude nessa tirania hermeticamente fechada, altura em que abraçava o culto da personalidade estabelecido pelo déspota albanês Enver Hoxha. As verdades em que ela acreditava, reflexo da presença constante do Partido em todos os aspectos da vida, eram, afinal, mentiras - incluindo a herança muçulmana e a história secreta anticomunista dos seus antepassados. Com apenas 11 anos, Ypi sentia-se tranquilizada, num país seguro. Por isso, quando o comunismo caiu, sentiu-se desiludade e deslocada. E isso só viria a agravar-se com a constatação de que, na sua Albânia, como em tantos outros Estados pós-comunistas, os partidos liberais que defendiam liberdade de mercado e políticas democráticas se deixaram corromper pela cleptocracia da privatização. O governo encorajou os cidadãos a investirem num esquema em pirâmide, desencadeando uma revolta que deflagraria para uma guerra civil. A família de Ypi, como tantas outras, perdeu tudo na transição do comunismo para o capitalismo.
Ypi acabaria por deixar a Albânia, mergulhada no caos e na criminalidade. As suas memórias refletem o processo pelo qual se libertou das ilusões com que cresceu, convergindo para uma reflexão filosófica notável sobre liberdade e identidade."
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895811656 |
| Editor: | Casa das Letras |
| Data de Lançamento: | setembro de 2024 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 155 x 235 x 21 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 336 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Memórias e Testemunhos
|
| EAN: | 9789895811656 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Liberdade
Susana S
Um livro que relata a experiência de crescer num regime comunista. No entanto é descrito de uma forma leve e com algum humor. Uma historia de superação.
Memórias e história
Cátia
Em Livre, de Lea Ypi, a dimensão memorialística é central e transforma a experiência pessoal num testemunho histórico lúcido e cativante. Com valor histórico coletivo, resulta num convite à reflexão e ao conhecimento.
O triunfo da nuance política
Tiago Ribeiro
Um livro mágico, nele flutuando-se como se num romance. A infância da autora é acelerada num país a entrar em ruptura, preso entre dois mundos ideológicos: a puerilidade da criança é assim fracturada pela História com agá grande. A consciência política e moral da autora é forçada a crescer inopinada por entre os escombros do socialismo soviético, impelindo-nos, por linhas travessas, a questionar fundamentos tanto da esquerda como da direita. Onde pára a liberdade no liberalismo? Como se equilibra entre o individualismo e a comunidade? Perguntas ressoam, confirmando a suspeição de que o "fim da História" nunca terá chegado ao leste europeu e, por isso, também nunca ao ocidente. Relido este ano depois da primeira leitura aquando da sua publicação em inglês (2021), revela-se um livro ainda mais pertinente no turbilhão de uma Europa em guerra, igualmente presa entre o fim de uma era e o nascimento de outra. A ler como complemento ao seguinte título da autora, ¿¿¿¿¿¿¿¿¿ - ¿ ¿¿¿¿ ¿¿¿¿¿¿¿¿¿¿, aliás justificação da releitura.
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